Quarta-feira, 29 de outubro de 2025
Incursão policial em favelas cariocas resultou em uma centena de mortos
Imagem: Tomaz Silva - Agência Brasil - Uso gratuito
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| Um amontoado de corpos é resgatado por familiares e colocado na rua |
Pedido de prisão
A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial (CDHMIR) da Câmara dos Deputados enviou ofício ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, nesta quarta-feira (29/10), para pedir a prisão preventiva do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ). O motivo é o elevado número de mortes (foto 1) durante a Operação Contenção, realizada pelas polícias Militar e Civil nos complexos do Alemão e da Penha, ambos na Zona Norte do Rio, nessa terça-feira (28).
No documento, classificado como ‘urgentíssimo’, os parlamentares da pasta instam a apurar ‘violações de direitos humanos, indícios de motivação eleitoral, não utilização de recursos federais e crime de responsabilidade’.
“A CDHMIR recebeu diversas denúncias graves de moradores e organizações da sociedade civil sobre a forma de condução da operação. Entre os relatos colhidos, constam informações de pessoas mortas com facadas e tiros pelas costas, o que indica possível prática de execuções sumárias e reforça a necessidade de imediata apuração pericial e criminal independente”, subscreveram os integrantes da referida comissão.
Os mais de 120 óbitos decorrentes da incursão policial provocaram críticas por parte de políticos e organizações de direitos humanos e elogios de parlamentares de direita.
Parlamentares de partidos de centro-esquerda que compõem a CDHMIR acusaram o mandatário fluminense de promover uma ‘chacina’ sob o pretexto de se combater a atuação da facção Comando Vermelho.
Críticas e elogios à incursão
“É a maior chacina do Brasil, superando a do Carandiru”, apontou. “O que aconteceu no Rio de Janeiro nós estamos caracterizando como uma chacina continuada, porque não é a primeira chacina. Pelo que observamos do governo de Cláudio Castro, sabemos que esta é só mais uma das muitas que aconteceram e de outras que virão”, criticou o deputado Reimont (PT-RJ), presidente da comissão, durante entrevista coletiva à Agência Câmara e a demais veículos de imprensa.
A deputada Talíria Petrônio (Psol-RJ) também condenou a incursão de ontem (28): “O que tem sido feito para enfrentar as organizações criminosas é um banho de sangue. Há décadas a gente enxuga sangue. Os índices de criminalidade permanecem crescendo de forma exponencial, e as famílias sendo destruídas por um modelo de segurança pública encampado pelo governador Cláudio Castro, que é incompetente e covarde”.
Já o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) se utilizou de um dos assuntos mais falados na atualidade, o da defesa à soberania, para manifestar apoio à operação policial nos dois conjuntos de favelas cariocas: “Fala-se aqui tanto em soberania. Não há nada mais soberano do que controlar o território nacional, fazer valer o ordenamento jurídico pátrio e impor a lei e a ordem. Infelizmente, parece que o governo federal tem interesses outros, que não enfrentar as facções criminosas”.
O secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP), destacou que, quando retornar às funções de deputado federal na próxima semana, irá relatar um projeto de lei que tramita na Câmara Federal no qual equiparam as facções criminosas como grupos terroristas.
Outras informações
A citada incursão tem repercutido em portais de noticiosos de várias partes do mundo, por conta do quantitativo de mortos no que já se considera a operação policial mais letal da história do estado do Rio de Janeiro.
Na tarde desta quarta-feira (29), familiares dos mortos fizeram um protesto (foto 2) em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, para pedir justiça.
Imagem: Fernando Frazão - Agência Brasil - Uso gratuito
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| Bandeira brasileira manchada de sangue sinaliza violações a direitos constitucionais |
Vale frisar que ainda falta o posicionamento do procurador-geral da República acerca da mencionada megaoperação, o que é crucial, conforme determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator temporário da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635 no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em coletivas de imprensa, o governador Cláudio Castro e seus secretários ligados à área da segurança pública têm defendido o ‘sucesso’ da ação policial e que foram cumpridas determinadas exigências da chamada ADPF das Favelas.


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