México: 38 fiéis de seita evangélica são presos em campo de treinamento armado

Sexta-feira, 26 de setembro de 2025

O treinamento armado acontece quando seu principal líder, que está preso, responde acusações penais nos Estados Unidos por tráfico de pessoas e abusos sexuais

Imagem: SSP Michoacán - Redes Sociais
Pelo quantitativo de armamento, parece que os fiéis da seita se preparavam para uma guerra; o rosto dos suspeitos foi coberto pelas autoridades mexicanas

Ao menos 38 fiéis da igreja evangélica A Luz do Mundo foram presos em um campo de treinamento armado no estado de Michoacán, no México, na madrugada da última quarta-feira (24/9). Eles formam o grupo Jahzer, a “guarda secreta” da seita, cuja finalidade é proteger o templo, os líderes religiosos e seus familiares em qualquer parte do mundo, ademais de serem, supostamente, utilizados para monitorar e intimidar desertores e delatores.

Desses 38 detidos, que não tiveram seus nomes divulgados, um é norte-americano, enquanto os demais, mexicanos. Com eles foram apreendidos 19 réplicas de armas de fogo, facas, coletes à prova de balas, rádios transmissores, simuladores de explosivos e outros equipamentos táticos. A captura foi realizada numa ação conjunta entre forças de segurança federais e estaduais, após moradores das redondezas denunciarem a presença de inúmeros civis armados.

A região onde foi descoberto o campo de treinamento armado é controlada pelo Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), uma das principais facções criminosas que aterrorizam a nação asteca.

A supracitada seita está presente em dezenas de países e é marcada por polêmicas. Em 2022, seu principal dirigente, Naasón Joaquín García – de 56 anos, conhecido como “apóstolo de Jesus Cristo” –, foi condenado a mais de 16 anos de cadeia por uma corte estadual de justiça na Califórnia, nos Estados Unidos, sob acusações de abusos sexuais contra menores de idade. Ele havia se declarado culpado por crimes ocorridos entre 2015 e 2018.

O líder religioso foi preso em 2019, no Aeroporto de Los Angeles, na Califórnia, denunciado por delitos que incluíam tráfico de pessoas e estupro forçado contra um menor de idade. Na ocasião, o tribunal havia fixado em US$ 25 milhões o valor da fiança para que pudesse responder a ação penal em liberdade.

Durante audiência perante uma corte federal de justiça, na última quarta-feira (24), o réu se declarou “não culpado” por crimes imputados pela Procuradoria-Geral de Nova Iorque, tais como organização criminosa, tráfico sexual e exploração de crianças e adolescentes.

Também são acusados de integrar a suposta organização criminosa a mãe do líder religioso, Eva García de Joaquín, de 79 anos, detida no dia 10 deste mês, entre outros parentes que estão no México e que correm o risco de serem extraditados para responder ao processo penal.

Segundo investigações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Eva García se encarregava de, supostamente, aliciar e traficar menores de idade e mulheres para que Samuel Joaquín Flores, seu finado marido e antigo líder da seita evangélica, pudesse praticar os abusos sexuais. Ainda segundo o órgão denunciante, ela mesma também teria cometido várias dessas violações sexuais.

Os escândalos sexuais envolvendo dirigentes da seita gospel deram origem a pelo menos dois documentários, nos quais fiéis, vários deles menores de idade, relatam terem sofrido abusos sexuais. Um deles, de 2022, é “Atrás do Véu: sobrevivendo à igreja A Luz do Mundo”, disponível em plataformas como HBO Max e Apple TV+; o outro, de 2023, “Escândalos na igreja A Luz do Mundo”, na Netflix.

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