Colômbia: Justiça declara Álvaro Uribe culpado de suborno e fraude processual

Segunda-feira, 28 de julho de 2025

O ex-presidente é investigado de tentar mudar depoimentos de testemunhas após acusação de ter criado grupo paramilitar para bater de frente com guerrilhas marxistas

Imagem: PP Comunidad Madrid - Wikipédia - Creative Commons
Álvaro Uribe

A Justiça colombiana declarou o ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, de 73 anos, culpado por delitos de suborno a testemunhas, suborno no curso do processo e fraude processual em audiência que durou cerca de oito horas nesta segunda-feira (28/7). Ele governou o país entre 2002 e 2010 e é investigado por, supostamente, criar um grupo paramilitar em uma fazenda de propriedade de sua família para confrontar guerrilhas marxistas. Foi denunciado pelo Ministério Público por pagar e pressionar criminosos presos, por meio de seu advogado, para que mudassem seus depoimentos e, assim, favorecê-lo.

Em 2012, o então senador Iván Cepeda disse que o ex-mandatário tinha suposto vínculo com organizações paramilitares. Em 2018, as investigações comprovaram que Álvaro Uribe teria se utilizado do advogado Diego Cadena, para tentar manipular o testemunho do paramilitar Juan Guillermo Monsalve. Na época, a suprema corte instaurou uma ação penal contra o ex-dirigente colombiano para apurar as acusações, segundo Caracol Radio.

O defensor do ex-presidente também é investigado por, supostamente, haver pagado propina em dinheiro às testemunhas em presídios. De acordo com Blu Radio, Diego Cadena declarou ter feito os pagamentos sem o conhecimento do cliente e alegou tratar-se de ‘ajudas humanitárias’.

Em 2020, Uribe cumpriu prisão domiciliar por 67 anos devido a uma ordem da suprema corte colombiana. Para driblar os magistrados, ele renunciou ao cargo no Senado para que o processo contra ele fosse transferido para o juízo de primeira instância.

Após investigações – que incluíram interceptações telefônicas, gravações encobertas por meio de um relógio espião –, o Ministério Público processou formalmente Álvaro Uribe em março de 2024. As penalidades podem chegar de seis a 12 anos de reclusão. Por conta da idade e da relevância política, poderá solicitar prisão domiciliar caso a sentença seja inferior a oito anos pelas leis locais.

Durante a leitura da sentença contra Uribe, a juíza Sandra Heredia defendeu a independência do Poder Judiciário, ao destacar uma ‘maratônica luta contra o relógio’ e que ‘a sentença não decide sobre um nome, senão sobre uns feitos’. Uma nova audiência está prevista para as 14h da próxima sexta-feira (1/8), no horário local, para que seja estabelecido o tempo de pena.

Depois de a Justiça declarar Uribe culpado, o Ministério Público pediu uma pena de 108 meses – o equivalente a nove anos – de prisão mais multas de 1.025 salários mínimos vigentes por crime de suborno no curso do processo e mais 600 salários mínimos por fraude processual, publicou o portal El Colombiano. Um salário mínimo é de 1,4 milhão de pesos colombianos, algo em torno de R$ 1,9 mil. Somados, os valores requeridos contra o réu podem chegar a mais de R$ 3,1 milhões

A imprensa colombiana já considera o ‘julgamento do século’, pois é a primeira vez na história da nação sul-americana que um ex-presidente seja condenado penalmente, noticiou o diário El Tiempo.

A decisão judicial contra o ex-governante colombiano foi criticada pelo secretário do Departamento de Estado norte-americano, Marco Rubio: “O único delito do ex-presidente colombiano Uribe foi lutar incansavelmente e defender sua pátria, A transformação do poder judicial da Colômbia em armas por juízes radicais abriu um precedente preocupante”, criticou nas redes sociais.

Vale salientar que não é a primeira vez que o governo dos Estados Unidos se intromete em questões jurídicas de outros países: recentemente, o presidente Donald Trump criticou os julgamentos contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por suposta corrupção, e do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro (PL-RJ) por suspeita de tentativa de golpe de Estado.

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