Segunda-feira, 08 de abril de 2024
O pleito é disputado por duas mulheres e um homem
Imagens: Redes Sociais / Montagem: OPINÓLOGO
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Os três candidatos à presidência do México: Claudia Sheinbaum, Xóchitl Gálvez e Jorge Álvarez Máynez |
O México poderá ter pela primeira vez uma mulher na presidência da república. O pleito é disputado por duas mulheres e um homem (foto 1), sendo a candidata governista de esquerda Claudia Sheinbaum, do Movimento Regeneração Nacional (Morena), a candidata opositora de centro-direita Xóchitl Gálvez, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), e o candidato Jorge Álvarez Máynez, do Movimento Cidadão, respectivamente.
As eleições estão marcadas para o próximo dia 2 de junho, e quem vencer terá um mandato de seis anos a partir do próximo dia 1º de outubro. Devido a uma reforma constitucional, as posses presidenciais serão antecipadas em dois meses. Já os senadores e deputados eleitos ocuparão os cargos em 1º de agosto.
Imagem: INE - Redes Sociais
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| Os três candidatos participaram do primeiro debate promovido pela justiça eleitoral |
As eleições mexicanas têm algumas diferenças em comparação às brasileiras: uma delas é que lá os debates são promovidos pela justiça eleitoral, enquanto que aqui, pelos veículos de comunicação; a outra é que lá os eleitos tomam posse no segundo semestre do ano eleitoral, enquanto que no gigante sul-americano, em 1º de janeiro.
Pesquisa de intenção de votos encomendada pelo diário ‘El Financiero’, divulgadas no último dia 1º de abril, mostram a governista Claudia Sheinbaum com 51% da preferência entre os eleitores consultados, enquanto Xóchitl Gálvez aparece em segundo lugar com 34% e Jorge Álvarez com 7%. A consulta popular também revelou 8% de eleitores indecisos.
A vitória de uma mulher nas urnas poderá representar um importante marco na luta contra a misoginia. Em 2022, a nação asteca registrou 968 casos de feminicídio, um aumento de 127% em comparação a 2015, conforme Índice de Paz México 2023 elaborado pelo Instituto para a Economia e a Paz (IEP). Ademais, ao menos 70,1% das mulheres relataram terem sofrido algum tipo de violência de gênero alguma vez na vida, sendo que 39,9% cometidas pelos parceiros.
“Em 2022, Colima teve a pior taxa de violência familiar pelo quinto ano consecutivo, com 1.775 casos para cada 100 mil habitantes, quase o triplo que a taxa nacional. De igual modo, Morelos teve a taxa mais alta de violência sexual do país pelo oitavo ano consecutivo, com 724 casos para cada 100 mil habitantes, também quase o triplo da taxa nacional”, disse o IEP.
O próximo ou próxima mandatária asteca herdará muitos problemas deixados – ou não resolvidos –por seus antecessores, entre eles: corrupção, narcotráfico, liberdade de expressão e crise migratória. Os mexicanos, por exemplo, ainda não conseguiram curar a ferida acerca das investigações e do assassinato de 43 estudantes de Ayotzinapa durante um operativo militar em setembro de 2014, quando as vítimas viajavam num ônibus para participar de uma manifestação.
De acordo com Repórteres Sem Fronteiras (RSF), entre 180 países analisados no quesito liberdade de imprensa, o México ficou na posição de número 128 em 2023. Em 2022, essa nação ocupava a 127ª colocação.
Quanto à liberdade de imprensa, note-se um dado curioso. Em 2022, quando o país ocupou uma colocação menos pior, 11 jornalistas foram vítimas de homicídio em decorrência de sua profissão. No ano seguinte, quando o México caiu uma posição, foram quatro.
“Ano após ano, o México continua a ser um dos países mais perigosos e mortais do mundo para os jornalistas. O presidente Andrés Manuel López Obrador, no poder desde 2018, não realizou as reformas e as ações necessárias para conter a espiral de violência contra a imprensa”, criticou RSF.
A situação do México é muito mais grave que a dos jornalistas brasileiros. Em 2022, o gigante sul-americano estava na posição 110. Em 2023, com um novo governo houve melhorias significativas, passando para o 92º lugar.
“Os ataques do ex-presidente Jair Bolsonaro contra a imprensa duraram até o último dia de seu mandato, no fim de 2022. O novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva trouxe o país de volta a um clima de estabilidade institucional nessa área. Mas a violência estrutural contra os jornalistas, um cenário midiático marcado por uma forte concentração no setor privado e os efeitos da desinformação continuam a representar desafios para a liberdade de imprensa no país”, escreveu a organização global.
O México não é somente um dos países mais violentos das Américas, como também é um país de passagem para imigrantes do continente que pretendem ingressar ilegalmente nos Estados Unidos.


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