Sábado, 03 de fevereiro de 2018
Presidente do BNDES era dono de agência de risco que avaliou investimentos do Postalis, inclusive o que foi feito na Gama Filho
A operação
A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) deflagraram uma nova operação para apurar supostas fraudes no Postalis, o fundo de pensão dos Correios. Batizada de operação Pausare, a ação durou dois dias, nessas quinta e sexta-feira, 1 e 2 de fevereiro, respectivamente, no Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas e no Distrito Federal.
Imagem: Wilson Dias / Agência Brasil / Reprodução /
Copiada do site Fotos Públicas
Entre os alvos da ação policial estão o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro (foto), segundo o jornal “O Globo”, o ex-diretor financeiro do Postalis Adilson Florência da Costa, publicou o “Correio Braziliense”, ademais outras pessoas físicas e jurídicas. Os nomes dos investigados não foram divulgados oficialmente, porque o caso corre em segredo de justiça.
A PF e o MPF-DF investigam uma suposta organização criminosa que desviava dinheiro dos segurados para favorecer dirigentes do Postalis, empresas de avaliação de risco, instituições financeiras nacionais e estrangeiras e empresários. Além de má gestão, as análises de risco eram superficiais, e os investimentos, considerados duvidosos pelos investigadores e desproporcionais aos lucros, nunca saíram do papel. Estima-se que os prejuízos provocados ultrapassem os R$ 5 bilhões.
Três investimentos são focos da supracitada operação:
1) O Postalis investiu cerca de R$ 223,4 milhões no Fundo de Investimento em Participações (FIP) ETB, que envolvia o projeto Nova Bolsa – cuja proposta era criar uma nova bolsa de valores no Brasil –, vinculado às empresas Marco Polo Network Inc e Vistrix Partneres. O fundo de pensão investiu 98,33% e ficou com apenas 25% do empreendimento.
2) O Postalis adquiriu R$ 109,8 milhões em cédulas de crédito imobiliário (CCI) da Mudar Master II Participações S/A.
3) O fundo de pensão dos Correios também investiu R$ 190 milhões na FIP Bionergia, do Grupo Canabrava.
Participaram da ação mais de 200 policiais formados em 62 equipes. Eles deveriam cumprir cerca de 100 mandados de busca, apreensão e de condução coercitiva. Em vez de levarem a documentação para uma unidade policial para depois começarem a coletar os dados, os agentes optaram por fazê-lo diretamente nos locais de buscas.
O nome da operação é uma referência ao infinitivo presente do verbo latino “pauso” – “pausare”, cujo sentido é de aposentadoria.
Operação de debêntures do grupo Galileo Educacional
O presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, era dono da SR Rating, empresa de classificação de riscos que deu parecer favorável aos investimentos em questão. A título de curiosidade, essa mesma agência, de acordo com o relatório final da CPI dos Fundos de Pensão da Câmara dos Deputados, deu nota “brA+”, em abril de 2011, na famosa operação de debêntures de R$ 100 milhões do grupo Galileo Educacional, as quais foram adquiridas pelos fundos de pensão Postalis, Petros (da Petrobras) e o Banco Mercantil, sendo este o mediador.
Indicado pelo então Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) – hoje sem o P na sigla –, o ex-diretor financeiro do Postalis Adilson Florêncio da Costa participou da operação de debêntures do nebuloso grupo Galileo Educacional, e pouco tempo depois foi agraciado com um cargo no Conselho de Administração. Em 2016, foi preso durante a operação Recomeço. Esta operação foi específica para investigar supostos desvios ao Postalis e Petros em favorecimento ao grupo educacional.
Para quem não se lembra, o grupo Galileo Educacional – à época gerido pelo ex-juiz eleitoral Márcio André Mendes Costa – deu como garantia aos investidores as mensalidades do curso de Medicina da Universidade Gama Filho (UGF), no Rio de Janeiro. Apenas dos estudantes desse curso, a instituição de ensino superior arrecadava R$ 147 milhões anuais, porém tinha dívidas de R$ 200 milhões. O vencimento da operação bancária foi no último dia 20 de dezembro.
A Gama Filho e o grupo Galileo Educacional – também mantenedor do extinto Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) – tiveram falência decretada em 2016. No mês passado, o descredenciamento das duas IES, por determinação do Ministério da Educação (MEC), completou 4 anos, e muitos ex-funcionários ainda não receberam os salários devidos.

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