Para não ser investigado por corrupção, presidente da Guatemala expulsa investigador da ONU

Domingo, 27 de agosto de 2017

Campanha eleitoral do presidente Jimmy Morales é suspeita de não ter declarado o equivalente a R$ 3,4 milhões à justiça eleitoral

Imagem: Presidência do México /
Copiada da Wikipédia /
Reprodução / Creative Commons
A Corte de Constitucionalidade da Guatemala – a suprema corte – suspendeu temporariamente, neste domingo (27/8), a decisão do presidente Jimmy Morales Cabrera (foto) de expulsar do país o diretor da Comissão Internacional de Combate à Impunidade na Guatemala (Cicig), Ivan Velásquez, cuja entidade é o braço das Nações Unidas (ONU) contra a corrupção O mandatário o declarou “non grato”, para evitar ser investigado por suspeita de corrupção em sua campanha eleitoral de 2015.

A Cicig e o Ministério Público pediram a quebra de imunidade de Jimmy Morales para poder apurar supostas irregularidades durante a sua campanha para presidente. De acordo com as investigações iniciais, cerca de 6,7 milhões de quetzais (o equivalente a R$ 3,4 milhões) não foram declarados à justiça eleitoral pelo partido Frente de Convergência Nacional (FCN-Nación) entre 1º de janeiro de 2015 a 9 de janeiro de 2016, período no qual ele comandou a legenda. Apesar das cobranças, balanços contábeis de setembro-outubro e novembro-dezembro de 2015 não foram entregues.

Jimmy Morales justificou sua decisão, ao afirmar que a Guatemala era um ‘Estado livre, independente e soberano’, e mencionou a Convenção de Viena para as Relações Diplomáticas, a constituição e o acordo firmado entre as autoridades guatemaltecas e a ONU para os trabalhos da Cicig.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterrez, reiterou o apoio a Ivan Velásquez e instou que ele fosse tratado “com o devido respeito de um funcionário internacional”.

A nação centro-americana ainda vive os traumas de uma corrupção sistêmica. Em 2015, o então presidente Otto Pérez Molina renunciou ao mandato, depois de ter sido acusado, junto à ex-vice-presidente Roxana Baldetti, de liderar um esquema de corrupção na aduana. O caso ficou conhecido como “La Línea”. Importadores que queriam pagar menos impostos ligavam para a quadrilha que operava dentro da receita federal para negociar valores mais baixos que os cobrados legalmente.

Em fevereiro de 2017, uma juíza da suprema corte foi presa, acusada de pressionar um magistrado de primeira instância a mudar a pena do filho, preso desde 2015 por suposta fraude na previdência.

Tanto as investigações contra Pérez Molina e Baldetti quanto a da juíza da suprema corte foram realizadas pela Cicig e o Ministério Público. Essa comissão da ONU atua no país desde 2015 e conta com suporte financeiro dos Estados Unidos e da Suécia.

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