Sábado, 01 de julho de 2017
Megaoperação é realizada em São Gonçalo para prender 96 policiais militares por suposto nexo com o narcotráfico
Imagem: Thomaz Silva / Agência Brasil /
Reprodução / Creative Commons
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| A operação foi deflagrada às 5h da manhã, na Cidade da Polícia, no Rio |
Somente no primeiro semestre de 2017, 81 policiais foram assassinados no estado do Rio de Janeiro. O número já supera os 77 de todo o ano de 2016, publicou o portal ‘G1’. A partir de agora, ou de algum tempo, antes de simplesmente culpar aos usuários de drogas por patrocinarem, de forma involuntária, o narcotráfico e, consequentemente, o aumento da criminalidade, é preciso responsabilizar aos maus policiais que o acoberta, o protege e o municia. A operação Calabar, deflagrada na última quinta-feira (29/6), é uma prova disso.
Para a ocasião, foram expedidos 96 mandados de prisão preventiva contra policiais militares e outros 71 contra traficantes. A megaoperação foi uma ação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) com a Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), a 72ª Delegacia de Polícia e a Corregedoria da Polícia Militar.
A operação Calabar já é considerada uma das maiores operações contra policiais fluminenses. A ação contou com 982 agentes, sendo 400 policiais militares e 582 policiais civis. O nome da operação é uma referência a Domingos Fernandes Calabar, considerado o maior traidor da História brasileira. Ele era um senhor de engenho na capitania de Pernambuco, e se aliou aos holandeses que invadiram a região Nordeste no século XVII.
Os agentes investigados vão responder judicialmente por supostos crimes de organização criminosa e corrupção passiva. Por cerca de dois anos, os policiais receberam dinheiro de bandidos para não atrapalhar a venda de drogas em comunidades de São Gonçalo, tais como Jardim Catarina, Santa Izabel, Salgueiro, entre outras. Os pagamentos eram semanais e chegavam a R$ 1 milhão por mês.
Além de receberem o ‘arrego’ – como era chamada a propina – para não interferirem na venda de drogas, os maus policiais também são acusados de vender e/ou alugar armas para traficantes e de sequestrá-los, exigindo resgates que poderiam chegar a R$ 10 mil. Pesa também a denúncia de que agentes que prestavam serviço no Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) do Mutuá, em São Gonçalo, teriam rendido criminosos e eles mesmos vendido entorpecentes para os viciados.
“Quero deixar registrado que é um dia difícil, mas necessário. Nenhuma das instituições à mesa aceita desvios de conduta. Desconheço instituições que cortem tanto na carne quanto as polícias. E vamos continuar trabalhando integrados”, manifestou o secretário de Estado de Segurança Pública, Roberto Sá.
Entre os bandidos denunciados está Elias Pereira da Silva, o ‘Elias Maluco’. Ele não lidera o narcotráfico na região, contudo aparecia como recebedor de recursos da quadrilha local. Também foram acusados Shumaker Antonácio do Rosário, o ‘Schumaker’, e Érico dos Santos Nascimento, o ‘Farme’. Ambos são considerados líderes locais.
As investigações contra os agentes do 7º Batalhão da Polícia Militar (BPM) compreendem o período de julho de 2014 a dezembro de 2016, e tiveram início há dois anos, depois que um homem foi preso, transportando R$ 28 mil em espécie que seriam usados para subornar agentes em nome de traficantes. O suspeito aceitou fazer delação premiada e contou o que sabia a respeito. Atualmente, ele está no programa de proteção à vítima e à testemunha. Há mais de 200 mil registros telefônicos interceptados que renderam 800 páginas de conversas.
“A Polícia Militar não compactua com qualquer tipo de desvio de conduta Entendo que o policial que trai o seu dever de ofício, trai a sociedade que jurou defender”, declarou o comandante da Polícia Militar, Wolney Dias.
O mau policial não apenas trai seu ofício e à sociedade, como também comete suicídio indireto, ao ser conivente com o narcotráfico. O mau agente – o corrupto – tem nas mãos o sangue dos colegas assassinados nas ruas e o de tantos civis inocentes. É o principal responsável por fomentar a criminalidade e as estatísticas.
“(...) Extraímos as laranjas podres”, falou o delegado do caso, Fábio Barucke, durante coletiva de imprensa na quinta-feira (29).
Vale frisar que a operação Calabar não é o combate definitivo contra a corrupção policial. Isso foi somente no batalhão de São Gonçalo. Como é de conhecimento público, a Corregedoria da Polícia Militar também apura a denúncia de que policiais, supostamente, deram carona a traficantes no caveirão em apoio contra uma facção rival, na Cidade Alta, em Cordovil, Zona Norte do Rio.
É importante salientar que não se pode generalizar que todo agente seja corrupto, mas também não se pode ignorar essa realidade de que, lamentavelmente, há policiais corruptos. É possível defender a institucionalidade da corporação e tudo o que ela representa, sem atrelá-la aos maus agentes.
Felizmente, contra bandidos existe a polícia para defender o cidadão de bem. E contra os maus agentes, quem poderá nos defender???

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