Quinta-feira, 22 de junho de 2017
Caroço na carne
Imagem: WerbeFabrik - Pixabay / Reprodução /
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| Cada vez mais a carne brasileira perde a confiança no mercado internacional |
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) suspendeu todas as importações de carne fresca brasileira a partir desta quinta-feira (22/6). A medida se deveu ‘às preocupações recorrentes sobre a segurança dos produtos’.
Desde março passado, quando foi deflagrada a operação Carne Fraca, 100% das carnes brasileiras passaram a ser inspecionadas ao chegarem nos Estados Unidos (EUA).
“O Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos do USDA (FSIS, na sigla em inglês) recusou a entrada de 11% dos produtos brasileiros de carne fresca. Esse valor é substancialmente superior à taxa de rejeição de 1% das remessas do resto do mundo (...)”, explicou.
Ao todo 106 lotes de remessas foram impedidas de chegar ao consumidor norte-americano, o equivalente a mais de 861 toneladas de carne.
“O governo brasileiro se comprometeu a resolver essas preocupações, inclusive por auto-suspensão de cinco instalações de transporte de carne para os Estados Unidos. A ação de hoje para suspender todas as remessas de carne fresca do Brasil substitui a auto suspensão”, continuou o USDA.
“(...) Embora o comércio internacional seja uma parte importante do que fazemos no USDA, e o Brasil há muito tempo é um dos nossos parceiros, minha primeira prioridade é proteger os consumidores americanos. Isso foi o que fizemos, interrompendo a importação de carne fresca brasileira (...)”, destacou o secretário de Agricultura, Sonny Perdue.
O governo estadunidense havia reaberto o mercado à carne brasileira em agosto do ano passado, após 13 anos de suspensão por questões sanitárias.
A decisão do Departamento de Agricultura norte-americano ocorreu um dia após o Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca (Mapa) do Brasil suspender temporariamente a exportação de carne brasileira de cinco frigoríficos para os Estados Unidos, depois que os fiscais de lá, numa inspeção sanitária, teriam encontrado um caroço nos produtos. O tal caroço seria uma suposta reação à vacinação contra a febre aftosa.
Houve pedido formal do Mapa para a redução da dosagem de 5 mililitros para 2 mililitros, tendo em vista que o Brasil está livre da febre aftosa e o último foco do sorotipo C nas Américas ocorreu em 2004.
Os cinco frigoríficos proibidos temporariamente de vender para os EUA são: um do grupo JBS em Campo Grande (MS), um da Minerva, em Palmeira de Goiás (GO), e três da Marfrig em Paranatinga (MT), Promissão (SP) e São Gabriel (RS), publicou o portal ‘G1’.
Associação faz teste em carnes e detecta irregularidades
Ao que parece, o papelão e as injeções de água para elevar o peso das carnes podem ter sido os menores problemas encontrados durante a operação Carne Fraca, da Polícia Federal. Na última segunda-feira (19), a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), no Rio de Janeiro, anunciou ter contratado a realização de testes laboratoriais depois do escândalo em questão e em atendimento ao pedido de seus associados.
Em uma unidade de contrafilé da marca Friboi (JBS) foi detectada a suposta presença de ‘salmonella sp’., que pode causar diarreia, vômito, náusea, dores de barriga e de cabeça e sangue nas fezes.
Os exames laboratoriais também teriam detectado a suposta presença da bactéria ‘listeria monocytogenes’ num pacote de contrafilé da marca Naturafrig; em picanhas bovinas das marcas FriAlto e Better Beef; num pacote de fraldinha da Marfrig; e em filé de peito de frango da Seara (JBS). Essa bactéria pode causar infecção alimentar e febre e pode afetar principalmente pessoas que estiverem com baixa imunidade, além de idosos e gestantes, por exemplo.
Também foi constatada a suposta presença de nitrato em um contrafilé da Friboi e nas picanhas Montana e FriAlto. O uso desse ativo em carnes é proibido e tinha o intuito de retardar a oxidação e inibir o crescimento de micro-organismos, ademais de realçar o sabor, a cor e o aroma das carnes. O produto só é autorizado em certa quantidade pelo Mapa para embutidos e carnes processadas. A Proteste destacou a suspeita de que o nitrato poderia ser cancerígeno.
Já nas mortadelas Cerrati e Confiança os exames teriam encontrado a suposta presença de peróxido acima do índice esperado ou tolerado. Os peróxidos são os primeiros compostos que se formam a partir da deterioração da gordura.
As mercadorias analisadas foram compradas em supermercados em São Paulo.

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