Sindicato acusa promotor de ditar pauta de jornal sobre ‘greve geral’

Sábado, 06 de maio de 2017

Promotor, que é membro consultivo do jornal, foi acompanhado de policial e secretário de Segurança

Imagem: Cruzeiro do Sul / Reprodução
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O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) denunciou, na última terça-feira (2/5), uma suposta censura ao jornal ‘Cruzeiro do Sul, de Sorocaba (SP)’, mantido pela Fundação Ubaldino do Amaral (FUA). No passado dia 28 de abril, durante a ‘greve geral’, um dos membros consultivos da mantenedora, o promotor de Justiça da Vara de Infância e Juventude de Sorocaba, Antônio Domingos Farto Neto, esteve na redação para ditar a pauta do veículo a respeito dos protestos contra as reformas trabalhista e previdenciária. Queria ‘limpar o desserviço’ e criar uma ‘agenda positiva’ para supervalorizar os trabalhos desempenhados pela Polícia Militar e Guarda Municipal.

O promotor esteve no jornal acompanhado dos membros consultivos Francisco Antônio Pinto (Chicão), Valdir Euclides Buffo Junior, César Augusto Ferraz dos Santos, Tiberany Ferraz dos Santos, diretores da Vila dos Velhinhos de Sorocaba e o presidente da FUNDEC, Luiz Antônio Zamuner, além do comandante do Comando de Policiamento do Interior (CPI/7), coronel Antônio Valdir Gonçalves Filho, e o atual secretário de Segurança e Defesa Civil da prefeitura de Sorocaba, José Augusto de Barros Pupin.

“Segundo informações, o promotor Farto Neto, em sala fechada e na presença desse conjunto de autoridades, passou a agredir de forma destemperada os profissionais de imprensa, com direito a gritos, ofensas e ameaças. Dessa forma intimidatória, o promotor afirmou que o êxito da greve geral era responsabilidade da manchete do jornal Cruzeiro do Sul da sexta-feira, 28, e que era preciso ‘limpar o desserviço feito’ e criar uma ‘agenda positiva’ e, para isso, era primordial engrandecer o trabalho da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal. Segundo relatos, a manchete publicada no dia 29 ‘Paralisação prejudica o trabalhador sorocabano’ foi ditada por Farto Neto, e o comandante do CPI-7 e o secretário Pupin foram entrevistados na presença de pessoas do grupo acima mencionado, mais uma forma de intimidação aos jornalistas”, acusou o SJSP.

Vale frisar que no dia 28 de abril o presidente do Conselho Administrativo da FUA e diretor-presidente do jornal, José Augusto Marinho Mauad (Gugo), e o editor-chefe, José Carlos Fineis, não estavam presentes na redação. O primeiro estaria fora da cidade, enquanto o segundo, em licença médica.

O sindicato acusa o promotor de Justiça de supostas censura e assédio moral contra os funcionários do ‘Cruzeiro do Sul’ e lamentou que os representantes da segurança pública tenham se prestado a tal papel, ao tachá-los de ‘coniventes’.

“Diante dos fatos denunciados, o SJSP-Regional Sorocaba lamenta profundamente que um promotor de Justiça, um homem público e com papel de grande responsabilidade na sociedade, se preste ao papel de intimidar profissionais da imprensa”, continuou o sindicato.

Em protesto, os jornalistas não assinaram as reportagens nem incluíram o expediente. Este é um espaço que informa ao leitor os nomes dos integrantes de um veículo.

“Por fim, a sociedade sorocabana está ciente da crise ética instalada no jornal e, conforme o andamento, todos saberão se o Cruzeiro do Sul será um jornal chapa-branca, a serviço de apenas um grupo político e social, ou um jornal a serviço da sociedade”, finalizou o SJSP.

Na quarta-feira (3), data que marca o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, o sindicato relembrou o episódio.

Até a publicação desta notícia não se soube de nenhum pronunciamento do ‘Cruzeiro do Sul’ a respeito do ocorrido.

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