Sexta-feira, 24 de março de 2017
Em dois dias da operação Secos e Molhados, o Procon do Estado do Rio de Janeiro (Procon RJ) descartou mais de 200 quilos de carnes vencidas em frigoríficos do Mercado São Sebastião, na Penha, na Zona Norte do Rio. O local é um polo de distribuição alimentícia que abastece mercados, açougues e sacolões fluminenses.
O primeiro dia de nota etapa da operação ocorreu nessa quinta-feira (23/3) nos frigoríficos Rioja e Frigomar
Imagem: Procon RJ / Reprodução
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| Operação ocorreu no dia 23 de março |
No Rioja foram encontrados 218,80 quilos de traseiro bovino com osso vencidos em 26 de fevereiro passado. Outros 24 quilos de produtos vencidos foram encontrados e descartados, tais como: linguiça calabresa, presunto e muçarela. Além disso, a câmara resfriada de carne com osso apresentava ferrugem nos trilhos e nas portas. O frigorífico Rioja foi autuado e tem prazo de até sete dias para corrigir as falhas. Caso contrário, será interditado.
No Frigomar não foram detectadas carnes fora da validade, e sim problemas estruturais, como: os trilhos e a porta da câmara das carnes também apresentavam ferrugem, além da viga de manipulação e os trilhos onde se encontravam as carnes. O teto apresentava mofo. O estabelecimento foi autuado por esses problemas, ademais da ausência de livro de reclamações. O prazo para corrigir as falhas é de 15 dias, sob risco de interdição.
Já o segundo dia de operação, nesta sexta-feira (24), aconteceu nos frigoríficos Pena Rio, Verdini Meireles e Top Grill.
No Pena Rio foram encontrados 11 quilos de filé de polaca vencidos desde junho de 2016 e 14 quilos de truta sem especificação quanto ao prazo de validade. Entre os problemas estruturais detectados, valem citar: paredes mofadas e descascadas, azulejos quebrados, fiação exposta e utilização de paletes de madeira, o que é proibido por lei para alimentos em câmaras frias.
No frigorífico Verdini Meireles, os fiscais descartaram 5,4 quilos de muçarela, mas não especificaram o porquê.
Já no frigorífico Top Grill foram encontrados problemas estruturais das câmaras frigoríficas: o chão estava desnivelado e acumulando água, e nesta havia sangue e sujeira. As vigas e as portas da câmara estavam enferrujadas e descascadas, além de goteiras no teto. Os ficais também encontraram paletes de madeira, o que é proibido em câmaras frias.
As fiscalizações do Procon RJ acontecem em meio à polêmica gerada pela operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que investiga uma suposta organização criminosa, envolvendo políticos, servidores públicos e grandes frigoríficos. O escândalo, em vez de ganhar foco na corrupção, ficou focado na questão sanitária, o que provocou o embargo da carne brasileira a países como Chile, China, União Europeia, Egito, África do Sul, entre outros. A ação dos fiscais fluminense ajuda a colocar por terra de que as supostas irregularidades encontradas na operação federal seriam casos isolados. Demonstra que o desrespeito aos consumidores e às práticas sanitárias são mais comuns do que se imagina.

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