Operação Carne Fraca: mais três frigoríficos são interditados pelo Ministério da Agricultura

Segunda-feira, 27 de março de 2017

Ao todo já são seis frigoríficos interditados; quatro dos investigados terão de fazer “recall”


Nova fiscalização


Imagem: Pixabay / Reprodução / Creative Commons
Imagem ilustrativa
Mais três frigoríficos foram interditados pela força-tarefa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Todos estão localizados no Paraná. A ação ocorreu na última sexta-feira (24/3), mas só foi anunciada hoje (27) pelo ministro Blairo Maggi. São eles: uma unidade do frigorífico Souza Ramos, em Colombo; do SSPMA, em Sapopema; e uma unidade da Farinha de Carnes Castro, em Castro. Este último produz farinha de carne para ração animal. Os três não estariam dentro das conformidades exigidas pelo órgão, como controle de produto e de datas ou rastreabilidade.

A interdição do SSPMA, que é uma empresa de laticínios, se deveu a um “embaraço” aos fiscais do Mapa. Durante uma inspeção, a empresa fechou a unidade e não havia nenhum funcionário para acompanhar a ação, segundo o ministro da Agricultura.

A fiscalização do Mapa é uma resposta aos importadores de carne brasileira, por conta da crise gerada com a deflagração da operação Carne Fraca, da Polícia Federal, no passado dia 17 de março. Os investigadores apuram uma suposta organização criminosa que adulterava carnes, com a conivência de fiscais do ministério desde 2014 pelo menos. O esquema abastecia ao menos dois partidos políticos: o do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e o Progressista (PP), de acordo com as investigações.

Ao todo já são seis frigoríficos interditados. Todos estão entre os 21 que tiveram a licença de exportação temporariamente revogada e são citados e/ou investigados pela corporação.

Os outros três que já estavam impedidos temporariamente de funcionar são: uma unidade da BRF Brasil Foods (dona da Sadia e Perdigão), em Mineiros (GO), e duas da Peccin, uma em Curitiba (PR), outra em Jaraguá do Sul (SC).

“Recall”


Nesta segunda-feira (27), a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) – vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública – determinou que o frigorífico Peccin fizesse “recall” das mercadorias produzidas na unidade de Jaraguá do Sul (SC), por não deter controle sobre a matéria prima, da formulação (receita) e da rastreabilidade, o que poderia ser um risco à saúde. A decisão foi embasada nas auditorias que têm sido realizadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A empresa terá que divulgar em meios de comunicação a decisão e orientar os consumidores sobre como proceder para devolver os produtos. Em caso de descumprimento ou demora na iniciativa, poderá ser multada em R$ 9 milhões. O prazo é de até cinco dias para começar a cumprir as medidas.

Na quinta-feira passada (23), a Senacon já tinha determinado o recolhimento de produtos dos frigoríficos paranaenses: Souza Ramos, em Colombo; Transmeat, em Balsa Nova; e Peccin, em Curitiba. As duas primeiras por questões de controle de produção, da receita e de rastreamento, enquanto que a última por suposto risco à saúde pública.

Se o consumidor não souber identificar o frigorífico de onde a carne foi produzida, deverá procurar o supermercado onde comprou e pedir para ajudar na identificação.

Senacon notifica outras empresas, mas não determina “recall” por enquanto


As empresas a seguir não foram orientadas a fazer o recolhimento de seus produtos, e sim notificar a Senacon sobre as supostas irregularidades às que são acusadas, indicar quais lotes foram adulterados, a quantidade produzida e as datas de fabricação e de validade. São elas: BRF Brasil Foods, JBS (detentora das marcas Seara, Friboi e Swift), Peccin, Souza Ramos e Larissa Mastercarnes.

Se houver confirmação de que os produtos representem risco à saúde, os mesmos deverão ser recolhidos.

A JBS informou à Senacon que a ação policial se limitou ao gabinete do veterinário Welman Paixão Silva Oliveira, lotado na unidade de Goiânia (GO).

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