Segunda-feira, 20 de março de 2017
Imagem: Ricardo Stuckert / Instituto Lula / Reprodução
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| Eles não dão ponto sem nó |
Uma das táticas de quem quer ganhar uma eleição é mostrar serviço, dessa forma convencendo o eleitorado de que tal candidato é a melhor opção para o país ou para a região na qual ele pretende exercer seu poder e sua influência política. Com vivência política de sobra, o ex-presidente Luiz Inácio da Silva (PT-SP) reivindicou para si a paternidade das obras de transposição do rio São Francisco, cujo trecho foi inaugurado pelo presidente Michel Temer (PMDB-SP) na cidade de Monteiro (PB), no último dia 10 de março, sob vaias. O petista, acompanhado de sua afilhada política, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT-RS), promoveu, nesse domingo (19/3), uma inauguração ‘popular’ (fotos) da obra que começou, em 2007, durante seu segundo mandato, e que fazia parte de seu Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O evento contou com a presença do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB-PB), o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, além de petistas como os senadores Gleisi Hoffmann (PR) e Lindbergh Farias (RJ), o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, o atual governador baiano Rui Costa, o presidente nacional da legenda, Rui Falcão, entre outros.
“Tenho muito orgulho de ter tido a coragem de iniciar esse projeto. Se eles (a oposição) têm vergonha, nós não temos. Dilma e eu, nós temos orgulho de dizer: somos pai, mãe, irmão, primo, tio e sobrinho da Transposição das águas do São Francisco”, expressou Lula.
Lula foi recebido como ‘popstar’ no Nordeste por cerca de 50 mil pessoas. O Partido dos Trabalhadores (PT) fala em 100 mil. Não está claro se todo o público presente era de moradores da região ou se seria de militantes e de movimentos sociais, já que há relatos na imprensa de algumas estradas teriam ficado congestionadas, por causa dos ônibus que seguiam para o evento.
“Eu nem sei se estarei vivo para ser candidato em 2018, mas eu sei que eles querem é tentar evitar que eu seja candidato. Está muito longe para definir candidatura. Só quando tiver a convenção do partido”, continuou o petista, ao se referir sobre a suposta tentativa de tirá-lo do jogo político, por conta das acusações que responde na operação Lava-Jato a respeito de um sítio em Atibaia e um apartamento triplex no Guarujá, por exemplo, cuja propriedade o são atribuídas. Lula se considera um perseguido político nas acusações de âmbito criminal.
“Quero olhar na sua cara desse povo, olhar na sua cara, Dilma, e dizer: ‘eles que peçam a Deus para eu não ser candidato, porque se eu for é pra ganhar (...)’”, disse.
“Impedirão essa eleição?”, indagou Rousseff durante discurso.
“Não, porque tenho certeza que o povo desse país não suporta um segundo golpe”, ela mesma responde a pergunta que fez, ao se referir sobre o juízo político que sofreu no ano passado.
Imagem: Ricardo Stuckert / Instituto Lula / Reprodução
Lula pretende concorrer à presidência da República novamente nas eleições de 2018 e parece deixar isso cada vez mais evidente, embora a legislação eleitoral proíba propaganda antecipada. Sua candidatura será uma prova de fogo para testar de fato o impacto causado por escândalos de corrupção ocorridos durante seus governos e o de Dilma Rousseff como o Mensalão e a Lava-Jato. Segundo pesquisas de intenções de voto, ele lideraria a preferência de 30% do eleitorado.
Vale frisar que na semana passada, o Ministério Público Eleitoral (MPE) ingressou com duas ações por suposta campanha antecipada, uma contra o petista, outra contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).
Em 2005, quando se discutia a transposição do ‘Velho Chico’, como é chamado o rio que nasce em Minas Gerais e deságua entre Alagoas e Sergipe, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) se mostrava contra o projeto. O então senador Teotônio Vilela (AL) chegou a considerar um ‘elefante branco caatinga adentro’. Em 2012, uma comitiva formada por parlamentares de oposição ao governo petista visitou um trecho da obra no município cearense de Mauriti, e criticou a suposta demora na conclusão das obras que estariam abandonadas, e por conta do caráter humanitário que representava para as populações ribeirinhas e com dificuldade de acesso à água.
A comissão parlamentar alega que havia débitos pendentes e que Dilma Rousseff, supostamente, não cumpriu os compromissos orçamentários com empreiteiras e que seu sucessor teria depositado mais de R$ 150 milhões que estariam atrasados. A estimativa é de que as obras sejam concluídas em 2018.


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