Do feminismo ao ‘feminazi’: na Argentina, o Dia Internacional das Mulheres se resumiu à intolerância religiosa

Sexta-feira, 10 de março de 2017

Movimento feminista parodia aborto da Virgem Maria e é criticado por líder religioso

Imagem: @CaroOllenalat / Twitter / Reprodução
O direito de um termina quando começa o do outro
Grupos feministas da Argentina deram demonstrações de como reduzir ao nada o 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, data que deveria ser marcada por lutas pela equidade de direitos civis, sociais, políticos e trabalhistas entre homens e mulheres. Na cidade de Tucumán, por exemplo, se resumiu a atos de intolerância religiosa com ataques contra a Igreja Católica. Atribui-se ao coletivo Socorro Rosa Tucumán uma performance em frente à igreja de São Miguel, na qual parodia a Virgem Maria abortando Jesus. O movimento está recebendo críticas em suas redes sociais por conta disso.

Já na capital Buenos Aires, por exemplo, intolerância religiosa e vandalismo marcaram a ocasião. Mulheres atearam fogo em frente a uma igreja na histórica Praça de Maio, atiraram garrafas e latas e agrediram jornalistas, de acordo com o portal ‘La Gaceta’.

Por conta da atuação que simulava a mãe de Jesus, o arcebispo de Tucumán, monsenhor Alfredo Zecca, convocou um protesto para o próximo dia 25 de março.

“Repudiamos com profunda tristeza os lamentáveis episódios que aconteceram ontem, 8 de março, à tarde, em frente à Catedral de Tucumán que ferem profundamente a imagem da santíssima Virgem Maria, mãe de Deus, como também a fé dos católicos tucumanos.

Isto contradiz, profundamente, uma celebração onde se queria dignificar a mulher, tantas vezes humilhada, golpeada e assassinada. Os fatos agravantes não só são agressivos para todos os crentes, senão também para a dignidade da mulher. Sendo março o mês da reflexão sobre os direitos das crianças a nascer, convoco a comunidade, em geral, paróquias, movimentos e colégios à marcha pela vida e pela família no dia 25 de março, às 18h, desde a praça Urquiza até a catedral, para celebrar juntos a eucaristia e realizar um ato de desagravo ao doce nome de Maria e seu filho, nosso redentor”, instou o líder religioso.

Como se sabe, as igrejas cristãs, de modo geral, são contra o aborto. E a Católica é uma delas, por acreditar que a vida começa no feto.

Os mais novos ‘inimigos’ das mulheres não são os homens, e sim elas mesmas. São capazes de deslegitimar a própria causa em nome da causa, agem como ‘feminazis’, em vez de feministas. Não buscam igualdade de direitos, mas sobrepô-los. Protestam com o radicalismo e desrespeito, em vez de astúcia e sutileza. Confundem liberdade de expressão com intolerância. Além de banalizarem a causa, ridicularizam a si mesmas. E subvertem arte cênica à ideologia. Só falta se darem conta disso.

Vale lembrar que em 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, por exemplo, um grupo de feministas promoveu uma manifestação, estando seminuas, inclusive uma das integrantes enfiou um crucifixo no ânus.

Em várias partes do mundo, movimentos feministas, que não conseguem o respeito e a credibilidade de muitas mulheres, marcaram uma ‘greve’ trabalhista e de sexo para este 8 de março, na tentativa de mostrar a importância do gênero feminino na sociedade. Antes de mais nada, deveria haver uma ‘greve’ contra a falta do que fazer.

Não foram com meras manifestações que as mulheres conquistaram o espaço na sociedade, mas por meio de políticas públicas, da educação e do trabalho que demonstraram seu talento e capacidade nas artes, na política, na economia, inclusive em áreas profissionais majoritariamente masculinas, tais como: a construção civil, a engenharia mecânica, nas Forças Armadas, entre outras.

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