Segunda-feira, 06 de fevereiro de 2017
O suposto muro
Quando o magnata Donald Trump, então candidato a presidente dos Estados Unidos pelo partido Republicano, prometeu, em campanha eleitoral, murar a fronteira do país com o México para combater a imigração ilegal, o periódico mexicano ‘El Mañana’, em artigo publicado em julho do ano passado e intitulado ‘Sim ao muro fronteiriço, mas ao sul do México’, defendeu que o mesmo fosse construído na fronteira que o México faz com a Guatemala e com Belize.
“O problema enfrentado por México e Estados Unidos pode ser resolvido, e isto é com a construção do muro fronteiriço proposto por Donald Trump, mas ao sul, para evitar a travessia ilegal de centro-americanos, mas também com a exigência de documentos migratórios aos estrangeiros que ingressem ao nosso país”, finalizou o jornal.
O editorial destacou que muitos dos imigrantes que são deportados por autoridades norte-americanas não voltam aos países de origem, e sim para o México, por onde entraram. Ainda segundo o periódico, o governo asteca não teria recursos suficientes para deportar a todos. Sem trabalho, muitos deles acabariam sobrevivendo na delinquência, ao promover assaltos, sequestros ou até mesmo ingressando a carteis de drogas.
Desde que o magnata republicano foi proclamado presidente, o México tem recebido cerca de 600 deportações diárias por parte dos Estados Unidos, publicou o site ‘Excelsior’.
Os diários britânicos ‘Daily Mail’ e ‘The Sun’ publicaram que a ideia do muro na fronteira sul do México, em vez da fronteira norte, era defendida pelos mexicanos.
Embora alguns sites digam que esse muro separando a América do Norte da América Central já exista, na verdade ele só é uma idealização, ou então sua obra não foi concluída, a depender do ponto de vista. Há sim um muro de um quilômetro de extensão ao sul do México, no estado de Chiapas, para evitar que os imigrantes oriundos de nações centro-americanas subam no trem, em movimento, popularmente conhecido como ‘La Bestia’ (A Besta, em tradução literal) e cheguem a albergues e centros de acolhimentos e de direitos humanos. A obra teria sido feita pela concessionária que administra o serviço e faria parte do programa Fronteira Sul, apresentado pelo presidente asteca Enrique Peña Nieto, em julho de 2014, ao então presidente estadunidense Barack Obama, para conter o fluxo migratório. Também conhecido como o ‘trem da morte’, muitos migrantes tentam adentrar nos vagões de carga, para percorrer todo o país até o outro extremo, em busca de viverem o tal sonho americano. São pessoas que fogem de seus países por conta da extrema pobreza, de situações de guerra e de extrema violência, de ditaduras, entre outros motivos.
Na internet há informações desencontradas sobre a suposta existência do tal muro, o que exigiu uma apuração a rigor por parte de OPINÓLOGO. Mas, a maior prova de que não existe, ao menos por completo, é o artigo do jornal mexicano instando-o.
A ideia do muro na fronteira entre a Guatemala e Belize não seria uma mera resposta a Donald Trump. Já tinha sido cogitada em 2010, durante o governo do mexicano Felipe Calderón, porém foi duramente criticada por autoridades guatemaltecas, segundo o site ‘Contralinea’.
Não se sabe se o atual presidente asteca Peña Nieto aprovaria a construção de um muro na fronteira que separaria o México de toda a América Latina. Seu discurso é de que ‘o México não acredita em muros’, em protesto a Trump, que exige que o empreendimento na fronteira dos Estados Unidos seja custeado pelo país vizinho. Por ora, os dois mandatários decidiram resolver o impasse, não o resolvendo, não tocando mais no assunto publicamente.
No atual momento, por exemplo, tem ocorrido o inverso: mexicanos indo a Guatemala para comprar combustível mais barato, por conta do ‘gasolinazo’, uma onda de protestos que parou o país no mês passado, devido ao reajuste imposto pelo governo mexicano. Agora fica a reflexão: por que o México poderia construir um muro na fronteira com a Guatemala e os Estados Unidos não???
A criminalização dos migrantes
Entre 2012 e 2016, o Instituto Nacional de Migração (INM) mexicano deportou 500 mil migrantes a países centro-americanos, publicou o portal ‘SDP Noticias’. Só no ano de 2014, mais de 86 mil pessoas foram detidas. No ano de 2015, foram mais de 202 mil detidos.
O período compreendido pelo INM se refere ao que Enrique Peña Nieto está na presidência. Ele tomou posse em dezembro de 2012 e seu mandato terminará em novembro de 2018. O elevado número de detenções e deportações estaria ligado ao programa Fronteira Sul, lançado em 2014, ao qual as autoridades astecas dizem que o objetivo é proteger o migrante, a fim de combater o tráfico de pessoas. O programa é alvo de críticas, por considerar que há uma suposta criminalização dos migrantes.
A Anistia Internacional estima que o número de deportações do México a nações centro-americanas cresceu em 179% entre os anos de 2010 e 2015. No entanto, pode ser maior do que se imagina. Em 2015, o número de repatriações triplicou em relação a 2013, noticiou o ‘El Economista’.
No último dia 8 de dezembro, a Polícia Federal mexicana resgatou 110 estrangeiros que tentavam entrar nos Estados Unidos. Eles estavam num trailer que colidiu com um caminhão por excesso de velocidade no estado de Veracruz. Várias das vítimas apresentavam sinais de asfixia, por estarem em ambiente fechado, segundo o INM.
Imigrantes mexicanos repatriados pelos Estados Unidos podem se inscrever no programa Somos Mexicanos. O grupo de trabalho busca promover a reinserção social e econômica. Em 2012, o programa atendeu mais de 200 mil pessoas.
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