Terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Imagem: Copiada da Wikipédia / Reprodução /
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| Em sua política controversa e questionável, Donald Trump tenta cumprir o que prometeu a seu eleitorado |
Segue o texto completo. Os trechos em negrito foram marcados por OPINÓLOGO, para facilitar aos leitores:
“Donald Trump ameaçou como candidato, e agora cumpre como presidente dos Estados Unidos: os mexicanos indocumentados, todos, sem exceção, serão deportados. Mas, não somente aqueles que possuem algum antecedente criminal – o qual seria compreensível –, senão qualquer um que tenha ingressado sem visto. Não importa se é um trabalhador exemplar, se paga seus impostos e é parte do crescimento desse país. Todo mexicano indocumentado será deportado sem distinção alguma, sem nenhum respeito a sua dignidade humana, sem que se leve em conta seus direitos fundamentais, sem importar em que situação se encontra sua família. Todos serão tratados como criminosos e enviados ao México; mas não só isso, também serão devolvidos ao nosso país os imigrantes não mexicanos que cruzaram [a fronteira] pelo nosso território.
O que o senhor Trump faz não é somente apenas a aplicação de um legalismo desumano, senão um verdadeiro ato de terror. Que outro nome se pode dar aos decretos do presidente norte-americano que autoriza realizar incursões de indocumentados, dando autoridade a todo policial local para atuar como agente migratório?
Nossos irmãos indocumentados têm medo, seus filhos sofrem uma verdadeira psicose, enquanto que as autoridades mexicanas não sabem como agir, não fazem mais do que declarações e promessas; suas reações são fracas, mostram medo, e pior ainda, submissão. Seguem esperando que o mandatário norte-americano recobre a razão, quando demonstrou, desde que era candidato, que o seu modus operandi é justamente a irracionalidade.
Nosso governo continua explicando sobre o ‘gasolinazo’, enquanto que o país arde em violência, na instabilidade econômica e na corrupção obscena; enquanto que os nossos irmãos imigrantes não têm quem os defenda nem a quem pedir socorro; estão órfãos e não sabem o que fazer, pois não confiam num governo que é o causador do exílio; na verdade, eles se deram conta que a classe política não se interessa por sua sina.
Enquanto que os partidos políticos e os altos funcionários recebem imoralmente bilhões de pesos, e o governo [do presidente do México, Enrique Peña Nieto] gasta de forma irresponsável cifras milionárias em sua falida publicidade, gastam-se, sem fazer com que os recursos cheguem aos consulados [do México nos Estados Unidos], umas migalhas – um milhão de pesos (o equivalente a R$ 157 mil) – para atender esta emergência humanitária. Isso é o que valem para o governo todos os mexicanos que atualmente enviam quase US$ 30 bilhões (o equivalente a R$ 9,3 bilhões) para aliviar a miséria de inúmeras famílias às quais nossa classe política não tem sido capaz de promover um desenvolvimento digno.
A covardia não é prudência, nem a estridência é virtude; entretanto, não sentimos firmeza na defesa de nossa soberania; não vemos dignidade no trato com nosso vizinho do norte; não vemos estratégias eficazes para ajudar a nossos compatriotas; não vemos altivez nem inteligência nos responsáveis de atender esta crise humanitária. Necessita-se perícia, experiência, não aprendizes onde fazem falta verdadeiros mestres da arte da diplomacia, e sensibilidade humana e política.
As comissões episcopais do México e dos Estados Unidos fazem um grande esforço para ajudar nesta crise. O papa Francisco tem feito vários pronunciamentos, manifestando sua preocupação, e se uniu a estas duas igrejas para que trabalhem juntas a favor dos indocumentados. Mas, faz falta muito mais, não só a solidariedade nacional, como também a solidariedade internacional, para colocar um freio ao racismo, ao ódio e ao terrorismo do indigno presidente norte-americano”, expressou a Igreja Católica asteca.
O editorial é publicado alguns dias após a visita dos secretários estadunidenses de Estado, Rex Tillerson, e de Segurança Doméstica, John Kelly, ao México, onde garantiram às autoridades de que não haveriam deportação em massa nem uso de força militar contra os imigrantes mexicanos.
É de conhecimento público que antes de se tornar oficialmente candidato a presidente pelo partido Republicano, o magnata norte-americano havia se referido aos imigrantes mexicanos como ‘criminosos’ e ‘estupradores’, o que causou reações de protesto por parte da comunidade latina e de algumas emissoras de TV de fala hispânica nos Estados Unidos que se recusaram a transmitir o Miss Universo, de propriedade de Donald Trump.
Durante a campanha, Trump prometeu que construiria um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México, e que este arcaria com as obras estimadas entre US$ 8 bilhões e US$ 14 bilhões. Diante da negativa de Peña Nieto, que acabou suspendendo uma reunião na Casa Branca em janeiro passado, o líder estadunidense disse que poderia sobretaxar as exportações mexicanas em até 20% para cobrir as despesas com o muro.
No que depender de algumas autoridades mexicanas, Trump poderá pagar por sua suposta xenofobia, com a perda de até 20 mil postos de trabalho nos estados produtores: no último dia 21 de fevereiro, o senador Armando Ríos Piter, do Partido da Revolução Democrática (PRD), propôs substituir a importação de milho amarelo estadunidense por outros comprados do Brasil, Argentina e Canadá, desse modo anulando a dependência por conta do Tratado de Livre Comércio entre os três países da América do Norte. Para isso, pediu um posicionamento da Secretaria de Economia, equivalente a um ministério, sobre a viabilidade da ação, sem causar risco na segurança alimentar e para não gerar desabastecimento. Em 2016, o transporte de cada tonelada de milho dos Estados Unidos ao México custou US$ 80 dólares, enquanto que no Brasil, mais barato, US$ 71. Já na Argentina, US$ 109, e no Canadá, US$ 96. Com os cálculos estimados pelo parlamentar, o custo seria o mesmo em relação ao cereal norte-americano.
Tão logo que assumiu o cargo mais poderoso do planeta, o republicano emitiu um decreto, suspendendo a entrada de imigrantes de sete países de maioria muçulmana. A medida foi objetivo de contestações judiciais, e apesar de o Departamento de Justiça ter recorrido para garantir a sua validade, perdeu, e o decreto foi sustado.
Mudando de assunto: o ‘gasolinazo’, mencionado pela arquidiocese, é o reajuste entre 14% a 20% de combustíveis, logo no início do ano, o que gerou uma onda de protestos em várias partes do México, inclusive provocando desabastecimento em algumas regiões.

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