Em meio ao caos, policiais civis do Espírito Santo também poderão cruzar os braços

Terça-feira, 07 de fevereiro de 2017

Mais de 70 assassinatos foram registrados desde o último fim de semana


Imagem: Tânia Rêgo / Agência Brasil /
Reprodução / Creative Commons
O ES poderia se tornar a capital do caos
O Espírito Santo – que até pouco tempo era um estado ignorado pela sociedade brasileira – tem tudo para se tornar a capital do caos. Diante da situação calamitosa que enfrenta, com mais de 70 homicídios nos últimos dias, assaltos, saques a estabelecimentos, atos de vandalismo e paralisação dos transportes públicos, policiais civis se reunirão em assembleia-geral extraordinária e poderão decretar paralisação ou greve. O evento está programado para as 13h da próxima quinta-feira (9/2), em primeira convocação, e às 13h30 em segunda convocação, na Chefatura da Polícia Civil, na capital Vitória, e é organizado pelo Sindicato dos Servidores Policiais Civis do Espírito Santo (Sindpol/ES).

A categoria reclama, por exemplo, que estaria há sete anos sem aumento real salarial e que tem o menor salário entre todas as policias brasileiras. Em nota divulgada no site, os sindicalistas não fazem nenhuma menção a suspender as atividades, mas para bom entendedor, um pingo é letra.

Desde o último fim de semana que policiais militares aquartelados interromperam suas atividades, aproveitando que um grupo de esposas organizou um protesto em frente a um batalhão e os impediu de deixar o local. Eles mesmos não podem fazer paralisação ou greve, porque poderiam ser presos por isso, já que o regimento proíbe.

Para controlar o terrorismo urbano que se instaurou, o governo capixaba e algumas prefeituras pediram ao governo federal o apoio da Força Nacional de Segurança. Estava prevista a chegada de 1.200 soldados, entre eles das Forças Armadas. Eles auxiliaram na segurança em terminais de ônibus e em áreas próximas a centros comerciais.

O Sindpol/ES disse estar solidário ao movimento dos policiais militares e orientou a seus associados, os da Polícia Civil, a não ir para as ruas tentar controlar o caos, alegando ser desvio de função.

“Diante do justo, legítimo e necessário movimento realizado pelos familiares dos Policiais Militares do Estado do Espírito Santo, que provocou o aquartelamento dos policiais militares, o Sindipol/ES alerta os policiais civis e toda sociedade que a estrutura da segurança pública do estado está comprometida. Por isso, o Sindicato pede que os policiais civis não arrisquem suas vidas e aceitem desvios de função. 

O Sindipol/ES entende que os policiais civis que desempenham suas atribuições de polícia judiciária e nas ruas também dependem dos profissionais da co-irmã Policia Militar, para realizar um trabalho digno e com segurança para si e para a sociedade. Desta maneira, alertamos para que os policiais civis não coloquem suas vidas em risco”, manifestou o Sindpol/ES num trecho de nota.

Imagem: Tânia Rêgo / Agência Brasil /
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Os dois lados precisam se compreender:
um que requer proteção do Estado;
o outro que por trabalhar para
o Estado quer ser segurança financeira
Já os policiais militares e os bombeiros se reunirão em assembleia às 14h do próximo dia 15 de fevereiro, segundo a associação de classe (ACS-ES).

Se por um lado o caos vigente reforçou à população a reconhecer e a valorizar a necessidade da polícia na manutenção da ordem pública, por outro pode colocar essa mesma população contra ela. Nesta terça-feira (7), moradores foram ao Quartel-General da Polícia Militar de Vitória (fotos 1 e 2), para protestar contra a paralisação da categoria.

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