Com quase dois mil soldados nas ruas, Espírito Santo entrega controle da segurança pública ao Exército

Quinta-feira, 09 de fevereiro de 2017

Governador licenciado acusa os grevistas de ‘chantagem’ e diz que a população não pode ficar refém

O governador em exercício do Espírito Santo, Cesar Colnaghi (PSDB-ES) entregou o controle operacional da segurança pública do estado às Forças Armadas. A medida foi publicada no Diário Oficial dessa quarta-feira (8/2), através do Decreto nº 113-S/2017, e é também assinada pelo secretário estadual de Segurança Pública, André Garcia.

Imagem: Tânia Rêgo / Agência Brasil /
Reprodução / Creative Commons
Forças Armadas fazem a segurança em Vila Velha
“Fica transferido o controle operacional dos órgãos de segurança pública para o general da Brigada Adilson Carlos Katibe, comandante da força-tarefa conjunta, autoridade encarregada das operações das Forças Armadas para a garantia da lei e da ordem no estado do Espírito Santo, no período de 06 a 16 de fevereiro de 2017”, decretou.

O estado do Espírito Santo já conta com quase dois mil soldados nas ruas, para tentar controlar o caos instaurado por conta do movimento grevista de policiais militares desde a sexta-feira passada (3). São até agora 1.850 homens. No início da semana, os ministérios da Defesa e da Justiça enviaram 1.200 soldados, sendo mil do Exército e da Aeronáutica mais 200 da Força Nacional de Segurança, respectivamente. Nessa quarta-feira (8), os dois ministérios autorizaram o envio de mais 550 e 100, nessa ordem.

Em coletiva de imprensa nessa quarta-feira (8), o governador licenciado Paulo Hartung (PMDB-ES) disse que a população não pode se tornar refém dos grevistas e considerou a greve ilegal. Ele se afastou do cargo para fazer uma cirurgia de retirada de um tumor na bexiga.

“É uma chantagem o que está acontecendo no Espírito Santo e se nós, capixabas e brasileiros, não enfrentarmos de frente, hoje isso acontece aqui no Estado e amanhã no restante do Brasil. Isso é chantagem aberta. É a mesma coisa que sequestrar a liberdade e os direitos dos cidadãos capixabas e cobrar resgate. Não podemos pagar resgate. Nem pelo aspecto ético e nem pela lei de responsabilidade fiscal”, criticou o peemedebista.

“Peço que respeitem a instituição [que trabalham], o Estado do Espírito Santo é o cidadão capixaba que paga os impostos e mantém a máquina pública funcionando. Esse movimento é ilegal, inconstitucional, e pior, o método adotado por algumas lideranças é de dar vergonha porque elas fazem chantagem”, continuou Hartung, quem sustentou que o governo não teria como arranjar R$ 500 milhões para cobrir o reajuste proposto pelos militares.

“Estamos pedindo a racionalidade e o bom senso dos nossos policiais para que voltem aos seus postos de trabalho e cumpram a lei. É preciso que tudo isso chegue ao fim. O governo está aberto ao diálogo e aguarda o compromisso dos policias para que voltem ao trabalho”, instou o governador em exercício Cesar Colnaghi.

Nessa quarta-feira (8), representantes do governo se reuniram com as esposas dos agentes, já que elas começaram o movimento grevista, para discutir uma saída. Na mesma data, as autoridades anunciaram a criação de um comitê permanente de negociação.

Imagem: Tânia Rêgo / Agência Brasil /
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Medo de assaltos e de depredações faz com que
as empresas de ônibus em Vila Velha não coloquem
veículos nas ruas
Desde o último fim de semana, mais de 70 pessoas foram assassinadas, lojas foram saqueadas, por conta da sensação de impunidade de criminosos ante a greve de policiais militares e bombeiros, que reclamam não terem aumento de salários há sete anos. Foram também registrados atos de vandalismo e assaltos. Em apenas quatro dias de paralisação, 260 ocorrências de veículos furtados e/ou roubados na Grande Vitória foram registradas na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), sendo 200 somente na última segunda-feira (6), de acordo com o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindpol/ES). A categoria programou uma assembleia-geral na tarde desta quinta-feira (9), onde poderá discutir a possibilidade de também cruzar os braços.

O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) informou que pretende processar civil e criminalmente os grevistas, por considerar ilegal a greve dos agentes, conforme recente decisão judicial, uma vez que eles continuam aquartelados, apesar do recente acordo firmado para que alguns batalhões fossem liberados para os policiais militares voltarem às ruas.

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