Eleições 2016: Rio diz ‘não’ ao PMDB e Pedro Paulo fica de fora do segundo turno

Domingo, 02 de outubro de 2016

O peemedebista já entrou perdendo

Imagem: Facebook / Reprodução
Os cariocas não quiseram conhecer o
‘Planeta Pedro Paulo’
Os cariocas disseram ‘não’ ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) nas urnas, neste domingo (2/10). Com isso, o candidato a prefeito do Rio de Janeiro Pedro Paulo, que é deputado federal, fica fora da disputa no segundo turno, que ocorrerá no próximo dia 30 deste mês. A legenda governou a cidade por oito anos sob o comando do atual prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ).

O páreo será entre o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) e deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Uma polaridade está criada: de um lado a representação de uma parte dos evangélicos; do outro a da esquerda. Os cariocas terão uma difícil escolha pela frente.

Com 100% das urnas apuradas, Marcelo Crivella (PRB-RJ) recebeu 27,78% dos votos válidos, enquanto que Marcelo Freixo (PSOL-RJ), 18,26%.

Nas redes sociais, o bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) agradeceu o apoio dos eleitores:

“Agradeço muito a Deus pelo inestimável apoio de todos vocês! No começo éramos poucos. Hoje somos bem mais de 1 milhão, sonhando o mesmo sonho. Mas ainda faltam alguns para a vitória no primeiro turno. Que o Deus que nos uniu, inspirou, deu forças e guardou, nos ajude a tocar corações e mentes, em paz e numa boa, para mostrar que o sonho que sonhamos é ‘cuidar das pessoas’”, disse Crivella.

Pedro Paulo (PMDB-RJ) ficou na terceira colocação, com 16,12% dos votos válidos. O deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSC) ficou em quarto lugar, com 14% dos votos válidos. Em quinto lugar ficou o candidato Índio da Costa (PSD), com 8,99% dos votos válidos.

Para dizer a verdade, Pedro Paulo (PMDB-RJ) havia perdido antes mesmo de a campanha começar. Não conseguiu contornar a imagem de ‘batedor de mulher’, que veio à tona pouco antes do período eleitoral. Em 2010, ele teria, supostamente, agredido a ex-mulher, mas foi inocentado da acusação a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do processo contra ele.

O que pode ter contribuído para a derrota do peemedebista, mas não é o fator principal, é a crise financeira que o estado do Rio de Janeiro enfrenta. E o estado fluminense é governado por Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), quem atualmente está de licença médica.

Nem mesmo os Jogos Olímpicos, a revitalização no Centro e da zona portuária do Rio e a implantação do sistema de ônibus BRT foram capazes de dar a vitória ao pupilo de Eduardo Paes. A verdade é que as mudanças feitas em linhas e itinerários de ônibus da cidade causaram mais indignação e transtorno do que aceitação.

Com 11 segundos na TV, Freixo superou os demais candidatos

Pode-se dizer, sem sombra de dúvida, que a ascensão de Freixo é uma vergonha aos demais candidatos, considerando que ele só disponibilizada de míseros 11 segundos durante o horário eleitoral gratuito, que tinha duração total de 10 minutos cada. Sem contar que no primeiro debate entre os candidatos a prefeito do Rio de Janeiro, na TV Bandeirantes, o psolista não foi convidado, porque, de acordo com a legislação, é preciso que a legenda tenha, no mínimo, nove deputados federais na Câmara, e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) não tem.

“SEGUNDO TURNO TAMO (sic) AÍ! 2 de outubro de 2016. O dia histórico em que fomos pro segundo turno com 11 segundos de televisão. Só foi possível porque nós temos as pessoas e estamos juntos. O nosso MUITO OBRIGADO a todas e todos que participaram com a gente nessa construção. Vamos rumo a vitória!”, expressou Freixo nas redes sociais.

Pedro Paulo (PMDB-RJ) era quem tinha maior tempo durante o horário eleitoral gratuito, três minutos e trinta segundos. Já Marcelo Crivella (PRB-RJ) disponibilizava de um minuto e onze segundos.

Flávio Bolsonaro (PSC-RJ) nunca entrou para ganhar, mas para medir a força do nome do pai, deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), perante o eleitorado. Jair Bolsonaro pode se candidatar a presidente da República em 2018. Apesar de tudo, o filho de Bolsonaro se saiu vitorioso, mesmo com um desempenho tão ruim nos debates. Mostrou-se totalmente cru. No primeiro debate, realizado na TV Bandeirantes, sentiu-se mal durante uma pergunta. Já no promovido pela RedeTV!, Flávio Bolsonaro disse que Marcelo Freixo (PSOL-RJ) criaria o ‘Bolsa Larica’ nos ‘160 municípios do Rio de Janeiro’. A cidade do Rio de Janeiro é apenas um município. Ainda que se referisse ao estado do Rio de Janeiro, este tem 92 municípios. Já no debate da Rede Record, Flávio Bolsonaro só sabia atacar alguns adversários ao tachá-los de ‘comunistas’, coisa de quem não tem argumentos.

Como já era esperado, os deputados federais Alessandro Molon (Rede-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) não teriam votações expressivas. O primeiro é considerado um ‘traidor’, por ter deixado o Partido dos Trabalhadores (PT) para se filiar à Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva. A segunda contava com o apoio dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, o que não significa muito, considerando a má fase dos petistas, devido aos escândalos de corrupção envolvendo a legenda e o recente impeachment de Rousseff.

Votos nulos e brancos

O número de votos nulos e brancos, somados, chegam a 18,26%, o mesmo percentual atingido por Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Já o percentual de abstenções, isto é, de eleitores que não compareceram, é de 24,28%.

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