UniverCidade: prédio da unidade Madureira encontra-se em estado de abandono

Domingo, 22 de maio de 2016

Imagem: Tatiana Martins /
Cedida ao OPINÓLOGO
Aqui começa a
3ª Guerra Mundial
Se em algum desses leilões judiciais enfrentados pelo Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), a unidade Madureira for vendida, seu futuro proprietário, certamente, encontrará muito mais do que pendências financeiras, como IPTUs atrasados, por exemplo. Vai se deparar com um cenário de guerra. O prédio, situado na Avenida Edgard Romero 807, se encontra em estado de abandono, inclusive, podendo ser alvo de saqueadores. Livros e documentos espalhados pelo chão, computadores e carteiras quebradas e calhas que podem se tornar focos do mosquito transmissor da dengue. E, por incrível que pareça: até fezes no chão!!! Foi o que revelou ao OPINÓLOGO a ex-estudante de Pedagogia Tatiana Martins.

“Hoje fiz algo que já vinha pensando em fazer. Entrei no prédio da universidade onde pensei que um dia eu iria me formar em Pedagogia, e a situação que o prédio se encontra me deixou muito arrasada. Pois, vê-se tudo destruído e abandonado, livros rasgados pelo chão, fotos, provas, enfim tudo acabado. Fui à procura de documentos, mas não encontrei. Faria tudo de novo”, disse Tatiana Martins.

A aluna entrou ontem (21/5) no prédio pela porta dos fundos, que estava totalmente desprotegida. Disse ter ido ao local para mostrar a situação de abandono e na tentativa de achar mais documentos. Ela é uma entre tantos que se sentem indignados com o destino de sua faculdade. Ao voltar neste domingo (22), já haviam colocado um cadeado. É a mesma estudante, que, há mais de dois anos, encontrou pastas com documentos acadêmicos em caçambas de lixo próximas à unidade.

Imagem: Tatiana Martins / Cedida ao OPINÓLOGO
Um retrato do descaso

“Sabe aquela dor no coração, aquele nó na garganta, aquele sentimento de injustiça? Surgiu quando vi a unidade Madureira da UniverCidade desse jeito!! Dói saber que tantos sonhos, tantos planos ficaram juntos com os lixos que hoje se acumulam dentro da unidade!! Dói meu coração ter estudado numa instituição desde o ensino fundamental até o [ensino] superior e ver no que ela se transformou!! Dói mais ainda saber que a impunidade reina e que os bandidos ainda estão no poder!!”
, lamentou a vice-presidente do diretório estudantil, Vanessa Silva.

Imagem: Tatiana Martins /
Cedida ao OPINÓLOGO
As traças e o tempo se
encarregarão de acabar
com o que restou
A poeira que se vê em determinadas fotos é tanta, que se tem a nítida impressão de que seus proprietários não vão ao local há bastante tempo. Conforme revelado por OPINÓLOGO, por pelo menos um ano após o descredenciamento, a unidade Madureira funcionava a portas fechadas com alguns funcionários, para a entrega de certificados, diplomas, históricos e segunda vida de documentação.

Como é de conhecimento público, a UniverCidade foi descredenciada pelo Ministério da Educação (MEC), em janeiro de 2014, sob alegação de suposta ‘baixa qualidade acadêmica’. Na época, professores e funcionários viviam em greve e paralisações, por conta dos constantes atrasos salariais. A Universidade Gama Filho (UGF) também teve sua licença revogada na ocasião e pelos mesmos motivos. Ambas as instituições de ensino superior (IES) eram, teoricamente, geridas pelo grupo Galileo Educacional.

O imóvel da unidade Madureira está avaliado em R$ 10 milhões, e pertence à Associação Educacional São Paulo Apóstolo (Assespa), do empresário Ronald Levinsohn.




Imagem: Tatiana Martins / Cedida ao OPINÓLOGO
Era uma vez, uma UniverCidade...
Hoje só restou isso

O descredenciamento das duas IES é uma ferida que continua aberta na comunidade acadêmica, mesmo que se tenha passado tanto tempo. Muitos docentes não receberam salários atrasados, e alunos também foram prejudicados durante a transferência assistida do MEC: tiveram de refazer matérias, não conseguiram comprovar que recebiam descontos em mensalidade, entre outros. E para completar, a Justiça fluminense decretou a falência do grupo Galileo Educacional e suspendeu o processo de recuperação judicial em andamento, para reerguer as duas IES.

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