Crise da Ucam é debatida na Alerj

Sábado, 23 de abril de 2016

Imagem: Thiago Lontra / Alerj / Reprodução
Ao ver esse cartaz, percebe-se que a crise é maior
do que se pensava 
A crise da Universidade Cândido Mendes (Ucam), no Rio de Janeiro, decorrente de atrasos salariais e supostas condições precárias de trabalho, é debatida em audiência pública na Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

“É inadmissível que uma rede particular de ensino com 17 mil alunos não pague em dia o salário de seus empregados. O que está realmente faltando na UCAM é uma administração decente”, criticou o presidente da Associação de Docentes e Funcionários da Ucam (Procam), professor Hélio Borges.

“A grande maioria dos professores está honrando seus compromissos e dando aulas mesmo com salários atrasados ou sem receber o pagamento integral. Os banheiros e a biblioteca da unidade também se encontram em péssimo estado. Esperamos uma maior transparência da reitoria para saber para onde está indo o dinheiro das mensalidades”, explicou o presidente do diretório estudantil, Diego Rodrigues.

O pró-reitor de Graduação, Paulo Alcântara Gomes, relatou que nos últimos anos, a instituição de ensino superior (IES) tem recebido menos alunos. Em 2014, por exemplo, havia um pico de 24.320 discentes matriculados. Já no primeiro semestre de 2016, o número caiu para 17.661. Ele atribuiu a queda na adesão de clientes à diminuição e suspensão da Ucam em programas governamentais como o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), ao desemprego e, por incrível que pareça, à recente crise financeira do governo fluminense que culminou com o atraso no pagamento dos servidores públicos.

“A Ucam é majoritariamente formada por trabalhadores que estudam, que precisam da renda do salário para pagar a mensalidade, por isso a crise financeira do Rio é um fator considerável na queda de matrículas. Creio que é necessário aumentar o diálogo entre alunos e professores para tentar resolvermos a situação”, comentou Alcântara Gomes.

Vale lembrar que, entre 2012 e 2013, os atrasos salariais na Universidade Cândido Mendes já eram discutidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Alerj para apurar supostas irregularidades em IES privadas fluminenses. Em maio de 2013, por exemplo, docentes promoveram uma greve por conta disso.

Na última segunda-feira (18/4), alunos da unidade Centro, da Rua da Assembleia nº 10, levaram cartazes para a supracitada audiência, para protestar contra a crise que a Ucam enfrenta, inclusive sobre a suposta falta de transparência na destinação das mensalidades.

A Comissão de Trabalho da Alerj é presidida pelo deputado estadual Paulo Ramos (PSOL-RJ), quem também presidiu a CPI da Educação Superior entre 2012 e 2013 na mesma casa legislativa.

“É inexplicável que a unidade mais cobiçada e exitosa esteja passando por isso. Os alunos que pagam não podem ser prejudicados e nem os funcionários podem ficar sem recebera”, opinou o parlamentar.

Outras considerações

Em 2015, professores e funcionários administrativos da Ucam realizaram ao menos duas greves, por conta de uma situação que já parece constante: o atraso nos salários.

Em agosto passado, OPINÓLOGO esteve na unidade Centro e conversou com alguns membros do diretório acadêmico, para entender melhor a situação da IES.

Por uma ‘questão de sobrevivência’, nas palavras do reitor Cândido Mendes à CPI da Educação, em 2012, a Ucam já atrasava o repasse de direitos trabalhistas como o FGTS e o INSS.

“Sobrevivemos atrasando o Fundo de Garantia; sobrevivemos atrasando realmente o que poderíamos colocar não só como Fundo de Garantia, como o INSS, e, evidentemente, com o problema do próprio PIS. Deixamos de pagar, somos inadimplentes; e o somos por uma questão, digamos assim, de sobrevivência”, confessou o dirigente.

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