Segunda-feira, 08 de junho de 2015
Em mensagem contra a homofobia, parada gay de 2015 causa polêmica com cena de crucificação
Em vez de levar apenas alegria, diversidade e uma mensagem contra a homofobia, a atitude de certos participantes, durante a 19ª Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) – esqueceram de incluir mais um T, o de Travestis –, ajuda a fomentar o preconceito contra a causa na qual juram defender. Desse modo, exibindo uma mensagem de intolerância religiosa. A polêmica deste 2015 gira em torno da transexual Viviany Beleboni, de 26 anos, que se prendeu a uma cruz, para comparar o sofrimento dos homossexuais ao de Jesus Cristo. Por uma questão de direitos autorais, OPINÓLOGO não postará a foto. O evento aconteceu nesse domingo (7/6), em São Paulo, sob o tema 'Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim: respeitem-me!' Contudo, não menciona a tão necessária reciprocidade. Entre os patrocinadores estão os governos federal, estadual e municipal, ademais a Petrobras.
Como de praxe, líderes evangélicos estão se aproveitando da situação para questionar quem seriam os verdadeiros intolerantes: se eles, os cristãos, ou os homossexuais. Um deles é o pastor Silas Malafaia, da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Avec). O outro é o deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP). O primeiro criticou a falta de críticas por parte da imprensa quanto ao uso de imagens que ferem a Igreja Católica.
“Eu tô (sic) indignado com o que aconteceu na parada gay, em São Paulo. Eu tô (sic) indignado por terem pegado o símbolo da minha fé, que é a fé cristã, e exposto publicamente num ato de completa falta de respeito. Eu estou falando aqui de pessoas que acham que o direito deles é maior que o meu direito, que acham que podem pegar o meu Cristo, a cruz e tudo o que falam do meu Cristo e expor na rua, no meio de bandalheira (…) Ah, eles dizem que o que estão fazendo aí é liberdade de expressão (…)”, condenou o parlamentar, em referência à utilização de símbolos cristãos em outras paradas gay, marcha das vadias etc.
Se o intuito de tal encenação era enfatizar as perseguições e os assassinatos a gays e lésbicas no Brasil e no mundo, não surtiu efeito. Mas, se a questão era atacar os ditos conservadores com o que são atacados – valendo-se da premissa de 'quem com ferro fere, será ferido' –, então, o objetivo foi alcançado. A depreciação e/ou transgressão a símbolos religiosos não pode ser vista como um protesto. E sim, uma descida ao nível de seus agressores e perseguidores. Não foi uma crucificação à homofobia como tenta-se impor.
O ato de Viviany Beletoni não pode ser encarado como o de todos os homossexuais. Certamente, há os que não concordam e não se sentem representados. Há os que ainda têm senso crítico para diferenciar liberdade de expressão e desrespeito.
O direito de uma pessoa começa quando termina o de outra. E se fosse com um símbolo da Umbanda, do Candomblé, do Budismo ou do Islamismo, por exemplo???
Vale lembrar que, em 2013, por exemplo, durante uma Marcha das Vadias, em Copacabana, no Rio, imagens de gesso de santos católicos foram destruídas num ato que pareceu mais vandalismo do que um protesto. Foi no mesmo evento em que uma das participantes enfiou um crucifixo no ânus. É o tipo de ativismo que não tem coragem de protestar contra a violação dos direitos das mulheres em países muçulmanos, porque sabem que as punições seriam severas. Sabem também que aqui no Brasil as leis são frouxas e do desinteresse do poder público em reprimir tais atos de intolerância.
O uso de símbolos religiosos nos remete a lembrar sobre o ocorrido ao semanário francês Charlie Hebdo, em janeiro passado, quando alguns terroristas invadiram o prédio da empresa e mataram 10 funcionários. Nada justifica a barbárie. O impresso era conhecido por fazer sátiras ao profeta Maomé. No Islã, é proibido atribuir imagens a essa divindade. Apesar da tragédia, felizmente, a liberdade de expressão se sobrepôs ao terrorismo e ao fundamentalismo religioso.
Leia também:
Vereadora do PT quer proibir a parada gay em Guarulhos
Deputados evangélicos protestam contra o uso de símbolos religiosos em parada gay
Leia também:
Vereadora do PT quer proibir a parada gay em Guarulhos
Deputados evangélicos protestam contra o uso de símbolos religiosos em parada gay
Postar um comentário
Sua opinião será publicada, logo que aprovada, conforme Política de Uso do site.
O OPINÓLOGO agradece o seu comentário.