Quinta-feira, 04 de junho de 2015
Material fala sobre a situação dos estádios para a Copa do Mundo de 2014 um ano após, e diz que um deles estaria sendo usado como abrigo por pessoas sem-teto
OPINÓLOGO noticia em primeira mão para o Brasil um vídeo (mais abaixo) narrado pela jornalista esportiva Laura M. Guerrero, da Espanha, no qual ela compara sem-teto a vagabundos. O material, publicado no YouTube, na última sexta-feira (29/5), mostra a atual situação de alguns estádios utilizados para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Aos 16 segundos, ela comenta que uma das sedes dos jogos havia se tornado 'refúgio para vagabundos', acompanhada de uma imagem de roupas espalhadas pelo chão. Ao 1 minuto e 16 segundos do vídeo é que revela tratar-se da Arena Pantanal, em Cuiabá (MT), que teria se tornado um local 'improvisado de pessoas sem-teto', seguido da mesma imagem de roupas.
Note-se que, apesar de o áudio estar em espanhol, o significado de 'vagabundo' é o mesmo em relação ao português. Não se trata de uma palavra heterossemântica em relação ao nosso idioma.
Somente a situação de alguns estádios é mostrada no vídeo de 3 minutos e 10 segundos, no qual ela classificou 'cemitério de elefantes' a Arena Amazonas, em Manaus (AM); a Arena Pantanal, em Cuiabá (MT); o estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF); e a Arena Fonte Nova, em Salvador (BA).
Vídeo: Lauragol / YouTube / Reprodução
Como se pôde ver, a periodista começou seu relato apontando para o desperdício de dinheiro público e o superfaturamento das obras. Sinalizou que esses estádios não têm função definida pela falta de times locais para utilizá-los ou pelo fato de o futebol não ser uma tradição em determinadas regiões por exemplo. Apontou que a Arena da Baixada, em Curitiba (PR), e a Arena Corinthians, em São Paulo (SP), que deveriam ter sido usadas durante o torneio, ainda estão em fase de finalização. “Um ano depois, parece que os que estavam contra o mundial, não estavam tão equivocados”, finalizou, em alusão à onda de protestos que tomou conta do país entre 2013 e 2014 contra a gastança para o evento. Ela pareceu estar bem mais informada do que muitos brasileiros, que desperdiçam o tempo preocupados com comerciais e novelas gays, por exemplo.
Arena Amazonas
O material mostrou que o espaço já nasceu sem função definida, e que depois da Copa do Mundo, já foi utilizado para a comemoração do aniversário do estado do Amazonas e para a realização de uma missa com 20 mil pessoas.
Arena Pantanal
Os destaques são para o improviso, uma vez que o local foi inaugurado ainda em fase de construção. Fala também da situação de aparente abandono com lixo espalhado e a ocupação por sem-teto, e de uma égua que pertencia à cavalaria da Polícia Militar do Mato Grosso, que morreu depois de receber uma descarga elétrica, em novembro passado, após uma partida entre Santos e São Paulo.
Estádio Mané Garrincha
Laura M. Guerrero comentou que foi a obra mais cara da Copa do Mundo no Brasil, cuja cifra triplicou ao estimado pelo governo. O local já foi palco de um casamento coletivo e estaria sendo, supostamente, utilizado de garagem por uma empresa de ônibus.
Arena Fonte Nova
Há quase um mês, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) ordenou o corte no fornecimento de energia durante a realização de um show com bandas de forró. Havia uma liminar proibindo eventos musicais, porque o espaço não tinha isolamento acústico.
CPI da CBF
Como é de conhecimento público, nos próximos dias será instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado, para apurar supostas e eventuais irregularidades na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O pedido de investigação foi feito pelo senador Romário (PSB-RJ), que antes mesmo do mundial vinha apontando suposta corrupção na entidade desportiva.
Foi preciso que a polícia federal norte-americana (FBI, na sigla em inglês) começasse a investigar cartolas da Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa), para que os parlamentares e a Justiça daqui se mexessem. Na semana passada, sete dirigentes foram detidos pela polícia suíça, em Zurique a pedido da Justiça dos Estados Unidos. Entre os indiciados está o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, quem poderá ser extraditado para a América do Norte para responder por supostos crimes de corrupção.
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