Após apedrejamento, protesto e bloqueios no trânsito da Venezuela, comitiva de senadores retorna ao Brasil

Quinta-feira, 18 de junho de 2015

Parlamentares foram ver de perto as denúncias de violações de direitos humanos no país vizinho

A comitiva de senadores brasileiros que viajou a Venezuela, nesta quinta-feira (18/6), num avião da Força Aérea Brasileira (FAB), para acompanhar a situação de presos políticos, decidiu retornar ao Brasil, diante da impossibilidade de chegar à penitenciária de Ramo Verde, onde estão os ex-prefeitos de Chacao, Leopoldo López, e de San Cristobal, Daniel Ceballos. Ao tentarem sair do aeroporto, em Caracas, os parlamentares foram alvos de apedrejamento e protesto de milícias pró-chavistas.

“Impedidos de cumprir missão na Venezuela, senadores, decidimos voltar ao Brasil”, informou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP).

“Nós fomos hostilizados por um grupo de manifestantes, coisa de 200 pessoas, arregimentadas pelo governo ditatorial da Venezuela. Agrediram com pedras, pauladas e pontapés o nosso carro”, contou o parlamentar peessedebista.

“O túnel que dá acesso ao presídio Ramo Verde está fechado. O motivo? Está sendo lavado. Isso nos impediu, mais uma vez, de seguir viagem. Voltamos ao aeroporto”, continuou Nunes.

“Estamos bem! Mas não conseguimos avançar mais do que 2 km da aeroporto. As estradas todas bloqueadas. Nossa van foi cercada por militantes da ditadura e nos hostilizaram. Clima tenso. Porém estamos em segurança. O embaixador do Brasil [na Venezuela, Rui Pereira] 'fugiu' . Nos deixou na mão”, comentou o senador Cássio Cunha (PSDB-PB), que também integra a comitiva.

“Tentamos mais uma vez, mas não conseguimos passar pelo bloqueio. [O presidente Nicolás] Maduro não permitiu que nossa comitiva saísse do aeroporto. Estamos no avião. Vamos decolar agora de volta ao Brasil. Esse episódio vai gerar profundos desdobramentos na relação Brasil e Venezuela. Assim que chegarmos, vamos tomar medidas duras contra a Venezuela por causa desse desrespeito ao Brasil e ao Congresso Nacional. Comportamento do governo Maduro ao impedir a entrada de uma comitiva oficial do Senado Federal desrespeita acordos assinados entre os países. A Venezuela é um país que não tem democracia. A democracia foi roubada por Maduro. O povo está sofrendo nas mãos de um ditadorzinho. E o Brasil vai ter que se posicionar pelo respeito aos direitos humanos!”, criticou o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), ao aludir ao Protocolo de Ushuaia, do Mercado Comum do Sul (Mercosul), bloco no qual a Venezuela integra, que permite que as democracias sejam fiscalizadas pelos países-membros.

“A comitiva humanitária do Senado que foi hoje à Venezuela, resultado de requerimento meu, não conseguiu cumprir a sua missão devido à intolerância e à truculência daquele regime. Exigiremos respostas do governo de Maduro e uma reação do Planalto. Mantemos a nossa solidariedade aos oprimidos, em defesa da democracia no continente. Estamos voltando de cabeça erguida”, expressou o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

“Nós caímos em uma arapuca montada pelo governo totalitário da Venezuela que permitiu o pouso, mas não permitiu que nos movimentássemos. Montaram congestionamentos nas proximidades do aeroporto para evitar nosso trânsito. Impedir que levássemos nossa mensagem aos presos políticos.

Onde existe preso político não existe Democracia. A ditadura na Venezuela é um fato. Nós estamos cumprindo missão humanitária e democrática. O embaixador do Brasil na Venezuela nos recebeu no aeroporto e depois foi embora. Não há representante do governo brasileiro conosco”, afirmou o senador José Agripino (DEM-RN).

Em coletiva de imprensa, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) respondeu se acreditava ou não que o governo venezuelano quis impedir um encontro entre militantes pró-governo e opositores. “Eu acredito que, se foi essa a intenção, fez da pior forma possível. Hoje inúmeros países já se manifestam em solidariedade a essa nossa visita. Nós viemos em missão de paz, não viemos destituir governos. Nós viemos exigir democracia. E quando se fala em democracia, e quando se fala em liberdade, em direitos humanos, não há que se respeitar fronteiras. O Brasil viveu as trevas da ditadura e foram importantes manifestações de países democratas e de lideranças democratas que ajudou que aquele ciclo se encerrasse. E o que é mais alarmante é que o Brasil é hoje governado por uma ex-presa política, que não demonstra a menor solidariedade e a menor sensibilidade com o que vem acontecendo hoje com irmãos seus de luta no passado. São pessoas que hoje lutam apenas pela democracia na Venezuela estão tendo seus direitos mínimos de liberdade cerceados por um governo autoritário”, disse.

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