Chavismo teria fraudado a eleição presidencial de 2013, segundo livro

Sexta-feira, 24 de abril de 2015

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, teria vencido a eleição presidencial, em abril 2013, contra o opositor Henrique Capriles, governador do estado de Miranda, graças a uma suposta fraude eleitoral. É o que conta o livro Bumerán Chávez: Los fraudes que llevaron al colapso de Venezuela (em tradução literal: Bumerangue Chávez: as fraudes que levaram a Venezuela ao colapso). A obra, do jornalista Emili Blasco – correspondente do diário espanhol “ABC” , nos Estados Unidos –, está disponível em espanhol desde o começo da semana na “Amazon”.

Por um software paralelo, os chavistas puderam acompanhar em tempo real a votação nos 23 estados e no Distrito Federal. Uma sala composta por 24 operadores de informática, todos pró-governo, teria sido montada na Prefeitura de Libertador, sob a suposta supervisão do presidente da Assembleia Nacional, o deputado Diosdado Cabello, o número dois no Chavismo, e do então ministro de Interior e Justiça, o general Miguel Rodríguez Torres, noticiou o diário “ABC”. O executivo municipal é administrado pelo chavista Jorge Rodríguez.

Estima-se que a suposta quadrilha adicionou um milhão, 878 mil votos falsos para vencer o verdadeiro ganhador: Henrique Capriles. Tudo isso não teria sido possível sem a suposta cumplicidade do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), a Justiça Eleitoral daquele país.

Oficialmente, Maduro venceu por 50,6% dos votos contra os 49,1% de Capriles. A diferença foi de apenas 223.599 votos. Vale lembrar que na ocasião, o candidato derrotado chegou a solicitar a recontagem dos votos, mas teve o pedido negado. O CNE queria fazer uma auditoria por amostragem.

No dia da eleição, dois fatos inusitados aconteceram: uma suposta queda na rede de internet e a prorrogação do tempo de votação por mais duas horas nas regiões onde fossem necessárias. Os supostos fraudadores precisavam de tempo para concluir a alteração nas urnas eletrônicas.

A eleição extraordinária ocorreu devido à morte oficial de Hugo Chávez, em 5 de março de 2013, por um câncer na região pélvica. Na ocasião, Maduro era o vice-presidente.

O livro foi baseado nas denúncias feitas por Leamsy Salazar, ex-segurança do deputado Cabello, a autoridades dos Estados Unidos, depois que fugiu da Venezuela para a Espanha, e, em seguida, à América do Norte, onde pediu asilo.

A obra conta também sobre os supostos nexos do parlamentar supracitado com o narcotráfico e vínculos de Caracas com o partido espanhol ultraesquerdista Podemos e com as organizações terroristas ETA e Hezbollah.

Vale citar que a revista “Veja” entrevistou, em março último, alguns ex-funcionários chavistas exilados nos Estados Unidos, que denunciaram o suposto tráfico de drogas entre autoridades venezuelanas e o Hezbollah. Outrossim, seria o suposto acordo intermediado pelo falecido presidente Hugo Chávez, para que a Argentina compartilhasse sua tecnologia de reatores nucleares com Teerã, e retirasse a denuncia na Interpol contra autoridades iranianas acusadas no atentado a uma comunidade judaica, que resultou em 85 mortos e 300 feridos, em 1994, em Buenos Aires.

Em 2007, o governo do presidente iraniano Mahmoud Ahmadnejad teria, supostamente, enviado maletas de dinheiro, via Venezuela, em apoio à eleição presidencial de Cristina Kirchner. Na ocasião, o portador das bagagens foi detido no aeroporto argentino. Essa parte sobre a origem do dinheiro foi revelada pela publicação brasileira. Até então, pensava-se ser uma doação de Hugo Chávez.

Os portais noticiosos “El Nacional”, “Tal Cual” e “La Patilla”, independentes e de oposição ao Chavismo, foram processados por Diosdado Cabello, porque replicaram reportagens do “ABC” que o mencionavam por suposto tráfico de drogas.

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