Itamaraty se queixa com Venezuela sobre recente visita do ministro Elias Jaua ao Brasil

Quinta-feira, 06 de novembro de 2014

PSDB pede investigação do acordo firmado entre o governo venezuelano e o MST

O chanceler Luiz Alberto Figueiredo teria se queixado, nessa quarta-feira (5/11), ao encarregado de Negócios da Venezuela, Reinaldo Segóvia, o mal-estar do governo com a agenda política do vice-presidente venezuelano para o Socialismo Territorial, Elias Jaua – também ministro do Desenvolvimento Social e para as Comunas –, sem prévio aviso, há quase duas semanas no Brasil, segundo o 'Estadão'.

Enquanto sua esposa estava internada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, Jaua firmou uma parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de fomento ao socialismo, além de uma visita a Curitiba para discutir com autoridades locais sobre mobilidade urbana e o descarte de resíduos sólidos.

A visita do ministro caraquenho ficou em evidência com a história da babá de seu filho, que foi presa no Aeroporto de Guarulhos, em SP, carregando uma maleta dele, a qual continha um revólver municiado calibre 38. O que chamou a atenção na apreensão feita pela Polícia Federal foi as cartilhas ideológicas sobre 'como marcar e derrotar o inimigo', a Lei das Comunas – semelhante ao Decreto nº 8.243/2014, de Dilma Rousseff, que cria os tais conselhos populares –, além de folhetos exaltando ditadores venezuelano e chinês.

A visita do representante venezuelano aconteceu num momento complicado para a presidente Dilma Rousseff, o que pode ter reforçado os pedidos de impeachment e intervenção militar por conta do medo da 'expansão bolivariana do comunismo' no Brasil, ademais de sua reeleição, a qual não agradou muita gente.

PSDB pede investigação do caso

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) pede que a visita de Jaua ao Brasil seja investigada. Para o deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG), líder da oposição na Câmara, o 'MST não é personalidade jurídica, não pode ser processado, mas pode firmar convênio esdrúxulo com um país com práticas ditatoriais para treinar indivíduos para uma possível revolução socialista no país'. “É inaceitável que o governo federal não trate o caso o assunto com a devida atenção. Precisamos tomar todas as providências cabíveis para salvaguardar o Brasil de ações inescrupulosas”, disse.

O parlamentar apresentou requerimentos, nessa quarta-feira (5), para cobrar explicações do Planalto sobre o acordo entre o MST e a Venezuela às seguintes comissões: a de Agricultura, a Comissão Mista de Atividades de Controle de Inteligência, ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ao Itamaraty.

Na sexta-feira passada (31/10), o deputado federal Antônio Imbassahy (PSDB-BA) havia protocolado duas representações a respeito do incidente com a tal babá, uma no Ministério da Justiça, outra na Procuradoria da República em São Paulo, onde ocorreu o fato. Ele pediu a adoção de medidas necessárias para investigar uma possível prática contra a segurança nacional e contra a ordem política e social.

“Diante do teor do que foi veiculado na página do Ministério, resta inequívoco que Elias Jaua ocupou parte de sua estada no Brasil para doutrinar, política e ideologicamente, membros do MST, com a reconhecida finalidade de fomentar a realização de uma revolução socialista no Brasil, nos moldes da que foi promovida por Hugo Chávez e seus seguidores na Venezuela”, descreveu Imbassahy nos documentos.

“Ao que tudo indica, o MST já estava sendo preparado para a tal guerra que Stédile prometeu. A prisão da suposta babá do ministro venezuelano com uma arma e documentos para doutrinação ideológica e política são fortes indicativos de que a ação estava em curso, mas uma inspeção de rotina no aeroporto trouxe o caso à tona. As autoridades brasileiras têm o dever de investigar o que pode estar por trás desses acontecimentos, que estão intimamente interligados”, continuou o deputado Antônio Imbassahy.

O político peessedebista se referiu à suposta promessa de 'guerra' feita pelo líder do MST, João Pedro Stédile, caso o senador Aécio Neves (PSDB-MG) fosse eleito presidente nas eleições deste 2014, conforme amplamente noticiado na imprensa.

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