Domingo, 10 de agosto de 2014
Pelo menos quatro entidades repudiaram, na última sexta-feira (8/8), a difamação aos jornalistas Miriam Leitão, do jornal 'O Globo', e Carlos Alberto Sardenberg, da Rádio CBN, feita na Wikipédia a partir da rede de computadores do Palácio do Planalto. São elas: a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro.
Pelo menos quatro entidades repudiaram, na última sexta-feira (8/8), a difamação aos jornalistas Miriam Leitão, do jornal 'O Globo', e Carlos Alberto Sardenberg, da Rádio CBN, feita na Wikipédia a partir da rede de computadores do Palácio do Planalto. São elas: a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro.
A ANJ disse esperar que o Planalto 'apure o ocorrido e tome as providências necessárias'.
Para a ABI, as alterações na enciclopédia gratuita tiveram o intuito de afetar a reputação desses dois profissionais. Segue a nota na íntegra:
“A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) expressa sua preocupação pelo episódio de alteração dos verbetes sobre os jornalistas Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na enciclopédia livre online Wikipédia por computadores da Presidência da República.
Tais adulterações, denunciadas pelo jornal O Globo nesta sexta-feira, 8 de agosto, tiveram claro objetivo de denegrir a imagem dos dois profissionais e devem ser apuradas com rigor pelo Palácio do Planalto.
A ABI entende que este fato insólito, sem precedentes no regime democrático em voga no País, é inaceitável e compromete o direito à liberdade de expressão. A intervenção direta da Presidência da República nos remete ao período da Ditadura, quando expedientes como estes, ao lado de ações violentas, foram usados para perseguir e silenciar jornalistas críticos ao Governo”.
Já para a Abert, a prática é 'inaceitável', principalmente se houver participação de funcionário público. O sindicato também disse que o ato é 'inaceitável' e que precisa ser apurado.
A Wikipédia é uma enciclopédia livre, como diz o próprio slogan, isto é, pode ser modificada por qualquer internauta como maneira de atualizar os dados. O caso veio à tona a partir das revelações do perfil @brwikiedits, no twitter, que monitora alterações na página a partir de IPs do Senado, da Câmara, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, do Supremo Tribunal Federal (STF), do Serviço de Processamento de Dados do Governo Federal (Serpro), entre outros órgãos federais.
As informações sobre Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg teriam sido alteradas em maio do ano passado, segundo o 'Jornal Nacional', da TV Globo. O perfil de Leitão foi alterado pelo menos três vezes. Em uma delas afirmava que suas 'análises econômicas se mostraram desastrosas'; em outra, que ela teria feito a mais 'corajosa' e 'apaixonada' defesa do ex-banqueiro Daniel Dantas, quando ele foi acusado de suborno e corrupção a um delegado da Polícia Federal; a terceira mentira foi que ela teria errado as previsões da economia brasileira, em 2010, durante a crise financeira internacional. Quanto a Sardenberg, disseram que ele criticou o corte de juros do governo por ser irmão de um economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Para Miriam Leitão, o governo 'resolveu eleger como inimigos algumas pessoas', e falou que isso seria um 'comportamento desviante do Palácio do Planalto'. Em sua coluna no jornal 'O Globo', ela falou que não era adversária do governo, e sim uma jornalista que exercia suas funções de maneira independente.
O Planalto abriu sindicância para apurar o caso, mas disse ser difícil descobrir o autor, porque os dados só ficavam armazenados nos servidores do Serpro por seis meses, e o mesmo aconteceu há mais de um ano. Em entrevista, o ministro Gilberto Cardoso, da Secretaria-Geral da Presidência da República, disse apoiar a investigação. No entanto, classificou o episódio como 'bobagem', o que é lamentável essa linha de pensamento, tendo em vista que a máquina pública foi, supostamente, usada para tal finalidade.
Computadores da Prefeitura de Garulhos utilizados para criar ofensas contra Aécio Neves
Não é a primeira vez que a rede de computadores de um órgão público teria sido usada para difamar alguém. Em maio último, a 'Folha de São Paulo' informou que equipamentos e funcionários da Prefeitura de Guarulhos (SP), teriam sido, supostamente, usados para ofender o senador Aécio Neves, atual candidato a presidente. A autarquia está sob o poder do Partido dos Trabalhadores (PT) há 14 anos.
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