Venezuela: passageiros têm que pagar imposto para 'respirar' em aeroporto

Sábado, 12 de julho de 2014

Site do governo estadual que cobra essa taxa é alvo de ataque cibernético

Imagem: Estado Vargas / Reprodução
Página atacada por hackers
Não é 1º de abril e nem um daqueles memes idiotas colocados na internet que muita gente cai. Esta é uma triste realidade de um vizinho latino-americano, uma das práticas submundas do socialismo bolivariano. Desde o último dia 1º de julho, o governo do Estado de Vargas, na Venezuela, está cobrando uma taxa de 127 bolívares (que dependendo do câmbio poderia variar de R$ 2 a R$ 44) no Aeroporto Internacional Maiquetía Simón Bolívar, para que os clientes possam 'respirar' dentro do recinto. Você não entendeu errado!!!

Imagem: Estado Vargas / Reprodução
O imposto de biossegurança, como é chamado, é justificado pelas autoridades pelo fato de terem instalado, em maio passado, um sistema de ar condicionado, supostamente, purificado com ozônio, para a eliminação de poluentes. A medida foi publicada na Gazeta Oficial daquele estado – equivalente ao nosso Diário Oficial – no dia 10 do mês passado por meio da Resolução nº 005/2014. O sistema só está vigente nesse aeroporto, por enquanto, que é o primeiro da América do Sul e do Caribe a adotar tal tecnologia, orgulha-se o governo.

A tarifa não é incluída na passagem. No momento do 'check in', os passageiros têm de desembolsar o pagamento, o que pode acabar atrasando os voos. Mas, o valor só é cobrado nos embarques nacionais e internacionais. No último dia 3 de julho, ao que parece, o boleto de cobrança, ou nota fiscal – como queira chamar –, tinha sido supostamente furtado, segundo o diário local 'El Nacional'.

OPINÓLOGO custou a acreditar no que estava circulando na web. Somente depois de comprovar diretamente pelos portais do Ministério do Poder Popular para Transporte Aquático e Aéreo (MPPTAA) daquele país e do aeroporto supracitado é que, então, resolveu divulgar o fato.

Imagem: Estado Vargas / Reprodução
Este jornalista também acessou o site do governo de Vargas, por volta das 2h da manhã deste sábado (12), e se deparou com uma página atacada por hackers (fotos) e com a seguinte mensagem em inglês: “Fo..-se, Maduro”. Em outras subpáginas apareciam “Liberdade para Venezuela”, em espanhol. A autoria é reivindicada por um grupo autointitulado 'Anonymous Juventud'. O palavrão está sendo direcionado ao presidente Nicolás Maduro.

Vale lembrar que, recentemente, Caracas informou ter liquidado as dívidas que tinha com várias companhias aéreas. Estas ameaçavam reduzir os voos para a nação, porque não conseguiam repatriar o dinheiro obtido com a venda de passagens referentes aos anos de 2012 e 2013, devido ao câmbio, já que dependem do governo para liberar as divisas em dólar. Segundo o MPPTAA, determinada empresa, sem nominá-la, teria cobrado 1.050 dólares em voo da Colômbia para a Venezuela, e no sentido oposto, 2.500 dólares, neste ano.

As empresas de aviação enviaram propostas ao MPPTTA para pedir um valor fixo para as passagens.

Atualmente, o Aeroporto de Maiquetía está em obras para receber mais seis a 10 aeronaves, dependendo do tamanho.

Em 2013, a inflação ultrapassou os 50%. A imprensa e a indústria local relataram escassez de itens básicos como papel higiênico, papel imprensa – para a fabricação de jornais impressos – e até de trigo. Em abril último, as Empresas Polar – representante da Pepsi – suspenderam a produção de macarrão por falta deste insumo, e informaram que usavam material emprestado por outras empresas. A companhia dependia de que o governo liberasse divisas para a compra do trigo no exterior. Pelo menos três diários – 'El Nacional', 'El Impulso' e 'El Nuevo País' – imprimiam os periódicos graças ao empréstimo da matéria-prima feito pela Associação Colombiana de Editores de Diários e Meios Informativos (Andiarios).

O fim do direito à propriedade privada

Nunca é demais citar que, em março deste 2014, o governo venezuelano deu um duro golpe ao direito de propriedade privada: determinou que os imóveis usados para alugueis há mais de 20 anos deveriam ser vendidos aos inquilinos num prazo máximo de 60 dias úteis.

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