O caos pré-Copa – parte 2

Segunda-feira, 12 de maio de 2014

Informação atualizada em 13/05/2014, às 6h14


Rodoviários do Rio e funcionários de embaixadas e consulares do Brasil no exterior farão paralisação de até 48 horas

Imagem: Agência Brasil / Fernando Frazão /
Reprodução / Creative Commons
Protesto dos rodoviários no dia 7/5, no Rio
“Nunca na história deste país...” houve tantas greves conjuntas. Este bordão, que já é conhecido pelos brasileiros, não poderia ser utilizado em melhor paráfrase. Ao que parece, a República está sendo novamente estremecida em uma luta que mistura democracia, direitos e, dependo da ótica, oportunismo. Tudo isso faz parte do clima pré-Copa de caos já comentado por OPINÓLOGO há alguns dias.

Rodoviários

Motoristas e cobradores de ônibus do Rio farão a segunda paralisação em menos de uma semana. Com duração de até 48 horas, a interrupção dos serviços começa a partir da zero hora desta terça-feira (13/5). A decisão foi tomada depois de uma audiência sem sucesso no Tribunal Regional do Trabalho do RJ (TRT-RJ) entre um grupo de profissionais dissidentes, o sindicato da categoria (Sintraturb-Rio) e o patronal (Rio Ônibus), publicou a 'Agência Brasil'.

O grupo não aceita o acordo coletivo firmado, em abril passado, entre o Sintraturb-Rio e o Rio Ônibus que resultou no aumento de 10% dos salários e do tíquete-alimentação. Os condutores passaram a partir de então a receber R$ 1.957,86, enquanto os cobradores, R$ 1.080,39. Eles instam 40%, passando, portanto, para R$ 2.500 e R$ 1.400, respectivamente. O vale-alimentação subiu de R$ 120 para R$ 150 por mês com desconto em folha de R$ 10 sobre o mesmo. No entanto, eles querem que o valor suba para R$ 400. Outra reivindicação é o fim da dupla função.

A audiência no TRT-RJ aconteceu na Seção Especializada de Dissídios Coletivos (Sedic), e foi conduzida pela desembargadora Maria das Graças Cabral Viegas Paranhos.

O Sintraturb-Rio terá cinco para apresentar defesa, e o Rio Ônibus, mais cinco dias, para manifestar-se sobre a representação do sindicato dos rodoviários. Depois de então, o Ministério Público do Trabalho (MPT), em até 48 horas, emitirá um parecer.

O Rio Ônibus teria afirmado que não negocia com o movimento dissidente, ao alegar que existe um acordo em vigor com a representação dos profissionais.

A desembargadora disse que não poderia conceder liminar antes de uma nova 'greve' iniciar. Mas, que o caso poderia ser analisado se voltasse a ocorrer.

No último dia 8, os rodoviários chegaram a fazer uma paralisação de até 24 horas. Na ocasião, apenas 24% da frota rodou. 531 coletivos foram depredados.

Plano de contingência

A Prefeitura do Rio divulgou um plano de contingência para tentar diminuir o forte impacto da demanda de ônibus:

Metrô

A operação de pico do Metrô Rio será antecipada, com início para as 5h30 da manhã, com frota máxima e diminuição dos intervalos. Geralmente, o pico é a partir das 6h30. O metrô começa a funcionar a partir das 5h da manhã.

A concessionária sugere que os passageiros comprem com antecedência os bilhetes para evitar longas filas.

Não se sabe se os serviços de integração como o 'Metrô na Superfície' estarão em funcionamento, tendo em vista que é feito em parceria com empresas de ônibus.

Trens

A operação de pico será antecipada na Supervia, com início para as 4h30 da manhã e com capacidade máxima e redução de intervalo entre as composições. Os trens começam a partir das 4h.

À tarde/noite, o horário de pico também será prolongado.

Haverá reforço nas partidas de Bangu, Campo Grande, Deodoro e Madureira.

Barcas

Quem estiver na Ilha do Governador, por exemplo, poderá optar pelas Barcas. O horário de pico durante a manhã será antecipado em 30 minutos, para as 6h30, no terminal Cocotá.

Operação nas ruas

Haverá um efetivo de agentes da Guarda Municipal e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) nas ruas, e da Polícia Militar, nas garagens das empresas de coletivos, para garantir que os mesmos possam sair da empresa em segurança.

Paralisação em São Paulo

Em São Paulo também ocorreu uma paralisação de rodoviários, nesta segunda-feira (12/5). Os motivos são semelhantes, como o aumento salarial.

Paralisação de funcionários de embaixadas e consulados

Ao que parece, os eventos no Brasil têm ganhado o que se chamaria de internacionalização. Primeiro, a onda de protestos a partir de junho do ano passado que se replicou em vários países; agora, uma paralisação por parte de funcionários de embaixadas e consulados brasileiros no exterior, nos próximos dias 13 e 14 de maio. De acordo com a Associação dos Funcionários e Servidores Locais do Ministério das Relações Exteriores no Exterior (Aflex), a categoria vem desde 2011 reivindicando melhorias salariais, cujos pedidos chegaram a ser endossados por seus respectivos chefes junto ao Itamaraty.

“Além das solicitações de reajuste salarial não serem atendidas, ainda temos sofrido perseguições a diretores de nossa associação, e suspensões arbitrárias. No entanto, temos consciência dos nossos direitos. A Carta Magna brasileira, no seu Artigo 5º, nos dá direito de liberdade de expressão, e de livre associação. Estes são direitos universais de toda pessoa, consagrados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos”, justificou a entidade.

“Com esta paralisação, o atendimento consular aos milhares de brasileiros no exterior (emissão de passaportes e de outros documentos, assistência consular) e os contatos institucionais entre as Representações Diplomáticas brasileiras e autoridades estrangeiras sofrerão fortes prejuízos. Igualmente, também ficará sensivelmente prejudicado o processamento de pedidos de visto, especialmente para os estrangeiros que pretendem vir ao Brasil para prestigiar a Copa do Mundo”, continuou a Aflex.

As missões mais afetadas serão nos seguintes locais: EUA (Nova York, Los Angeles, Hartford, São Francisco, Houston e Atlanta), França (Paris), Reino Unido (Londres), Alemanha (Frankfurt), Canadá (Montreal e Toronto) e Suíça (Berna), “Manifestações ocorrerão em outros tantos postos, como: Embaixada e Consulado em Roma, Consulado em Milão, Genebra, Bruxelas e Rotterdam”, sustentou a Associação.

Por falar em embaixadas, um escritório do Brasil em Berlim, Alemanha, foi alvo de vandalismo na madrugada desta segunda-feira (12). O local foi apedrejado, segundo o 'G1'.

Educação

Pelo menos em alguns municípios fluminenses, professores das redes públicas entraram em greve a partir desta segunda-feira (12) com duração de até 48 horas. O ato foi votado em assembleia da classe, no último dia 7 de maio.

Breve análise

Antes de continuar, é preciso deixar claro aqui a diferença entre paralisação e greve. Pois, tem-se observado uma aparente confusão quanto a uma e a outra. A primeira tem duração de poucos dias e geralmente funciona como advertência. Mas, deve ser informada aos empregadores com no mínimo 48 horas de antecedência ; a segunda precisa ser votada em assembleia sindical, ser publicada em jornais impressos de grande circulação com prazo mínimo de 48 horas, pode ter duração maior. E precisa ser informada aos patrões com no mínimo 72 horas de antecedência. No caso de serviços essenciais, deve-se respeitar o número mínimo exigido para funcionamento. 

Apenas para facilitar a conclusão: o movimento dissidente não pode realizar greve. Pois, não tem autoridade para isso, por não ser uma entidade legalizada e reconhecida pela categoria.

Agora sim, voltando a analisar a situação. Não seria nenhuma surpresa se nos próximos dias outras categorias resolvessem se rebelar como a dos bancários, por exemplo, um dos muitos serviços fundamentais para a vida financeira do país. Conforme já foi dito aqui por OPINÓLOGO, greves e paralisações serão cada vez mais comuns no período que antecede a Copa do Mundo de 2014. Nota-se que se as pessoas quisessem realmente parar durante o evento, teriam deixado para mais perto. Estão se manifestando agora para poderem tirar algum proveito político e/ou econômico. Até lá, tudo deve estar às mil maravilhas... para os gringos. Exceto de que o Mundial seja marcado por inúmeros protestos e confrontos entre populares e as forças de segurança. Falta saber se terão a divulgação que merecem ou se serão 'abafados'.

Essa série de reações não poderia estar ocorrendo em pior época no governo Dilma Rousseff e de outros líderes executivos regionais, uma vez que se está em ano eleitoral.

Deixe seu comentário

Sua opinião será publicada, logo que aprovada, conforme Política de Uso do site.

O OPINÓLOGO agradece o seu comentário.