Dilma tem “dedo podre” para escolher ministros

Desde junho, todo mês cai um ministro acusado de suposto esquema de corrupção. Desta vez, foi Orlando Silva, do Ministério do Esporte.

Com a saída de Orlando Silva (Esporte) nesta quarta-feira (26/10), não há dúvida de que a presidenta Dilma Rousseff tem “dedo podre” para escolher seus ministros. Em apenas dez meses de governo, cinco deles deixaram o cargo por estarem envolvidos em supostos esquemas de corrupção. O primeiro foi Antonio Palocci (Casa Civil), em junho, após a Folha de São Paulo ter revelado que seu patrimônio teria se multiplicado 20 vezes entre 2006 e 2010. O segundo foi Alfredo Nascimento (Transportes), em julho, depois que a revista Veja denunciou um suposto esquema de cobrança de propina em órgãos como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. Wagner Rossi (Agricultura), em agosto, por pagamento de propinas em troca de contratos que pudessem favorecer o financiamento de campanhas eleitorais. Pedro Novais (Turismo), após a Folha de São Paulo denunciar de que ele teria supostamente usado o dinheiro da Câmara para pagar o salário da governanta de seu apartamento. E pelo Estadão, foi denunciado por ter incluído à prestação de contas da Câmara uma nota fiscal de um motel no Maranhão. E agora, Orlando Silva, por suposto envolvimento num esquema de repasse de verbas à ONGs de fachadas, orquestrado pelo PC do B, cujos pagamentos eram feitos a uma taxa de até 20% para o partido.

O único ministro que saiu limpo nessa novela de supostas maracutaias foi o da Defesa, Nelson Jobim, em agosto, por fazer críticas ao atual governo. Ele estava no cargo desde 2007, durante o governo Lula. Em junho passado, durante a comemoração dos 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Jobim teria comentado que era obrigado a conviver com gente “idiota” no governo. No final de julho, disse ter votado em José Serra (PSDB-SP) para presidente, nas últimas eleições. E em agosto, teria dito que considerava a ministra Ideli Salvatti “fraquinha” para o cargo, e que Gleisi Hoffman não conhecia Brasília.

É possível observar que, desde junho, mensalmente, cai um ministro envolvido em algum escândalo político. Só falta saber se isso é uma regra, para esperar os próximos para novembro e dezembro. O substituto para o Esporte ainda não foi divulgado.

As denúncias contra Orlando Silva e o PC do B vieram à tona, após uma recente matéria publicada pela revista Veja, na qual o policial militar e militante João Dias Ferreira o teria acusado de receber em uma caixa de papelão notas de R$ 50 e R$ 100, na garagem do Ministério.

Na quinta-feira passada (20), o PC do B divulgou uma propaganda (vídeo) de mais de 10 minutos em defesa própria e de seu ministro. O presidente nacional do partido, Renato Rabelo, mencionou os 90 anos de história do mesmo, e alegou que o PC do B, por ser o partido que mais “cresce”, estaria sendo alvo de ataques, na tentativa de manchar a reputação. No entanto, Orlando Silva não conseguiu ser convincente em suas declarações. Além disso, vinculou a importância do Mundial de 2014 com a sua permanência no cargo. “Vamos seguir trabalhando, porque a Copa está aí e o desenvolvimento do Brasil não pode parar”, concluiu Silva.

Certamente, a saída do último ministro é a mais notória, visto que ele cuidava de assuntos importantíssimos, como a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016).

O que está em questão nesta matéria não é apenas o fato de que cinco ministros estivessem realmente envolvidos ou não em supostos esquemas de corrupção, mas a simples menção dos mesmos. O que já é suficiente para abalar a imagem do atual governo, em menos de um ano de gestão. A moda agora é não perder tempo: qualquer difamação, saída imediata do cargo!

Deve-se deixar claro que, não se pode acusar à Veja pela queda de Orlando Silva, mas a ele mesmo. É graças à liberdade de imprensa que se tem conhecimento sobre escândalos políticos com dinheiro público. Se com inúmeras denúncias feitas pelos meios de comunicação pouca gente vai e cana, imagine, então, sem elas!

Vídeo: PC do B/YouTube/Reprodução


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