No Brasil haverá “jornalista profissional” e “jornalista de brincadeira”

Ministério do Trabalho pretende uniformizar o registro dos profissionais

Quem fez a faculdade de jornalismo será registrado como “jornalista profissional”, e quem trabalha na área, mas não se graduou nela, simplesmente como “jornalista”. Estas serão as classificações que o Ministério do Trabalho adotará para uniformizar o registro desses profissionais, de acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), nesta quarta-feira (2/2), após uma reunião com o ministro Carlos Lupi, no final do mês passado.

Talvez fosse melhor registrar quem não se especializou no ramo como “jornalista de brincadeira” ou “jornalista sem estudo”. Pois, mesmo que uma simples palavra (profissional) ajude a distinguir um jornalista de outro, também poderia acarretar discriminação por parte dos colegas de trabalho. À primeira vista se tem a impressão de que quem não fez a faculdade está trabalhando apenas por hobby ou algo assim. Outro problema é que quem realmente estudou jornalismo não quer se igualar a quem não se profissionalizou, por querer ter seu diploma valorizado.

Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) cometeu o pecado de determinar que um diploma não seria mais necessário para o exercício da função, em nome de uma “liberdade de expressão” – quando na verdade se trataria de uma desvalorização da categoria – vem surgindo “pseudojornalistas”. Pessoas despreparadas – sem generalizar – divulgam notícias e se classificam como “jornalistas” sem estarem preocupadas com a ética e a responsabilidade na apuração de um fato, apenas pelo simples interesse de informar.

É importante ressaltar que não se está questionando a livre informação. Pelo contrário, ela é útil e auxilia no processo de democratização social como um ato de liberdade de expressão. Mas, para tudo há dois pesos e duas medidas. Um jornalista formado na área leva em média quatro anos se preparando para isso. O custo de uma faculdade é muito alto: mensalidades, livros, passagens etc. São noites sem dormir fazendo trabalhos e uma monografia complicada por seus detalhes técnicos. Os processos de seleção para a contratação desses profissionais são bastante exigentes.

Além disso, a banalização da profissão contribui para que muitas empresas do setor optem por qualquer indivíduo que saiba ler e escrever um pouquinho, no intuito de pagar salários inferiores. Enquanto não for aprovada a Proposta de Emenda Profissional (PEC), em andamento na Câmara dos Deputados e no Senado, para restabelecer a exigência do diploma, o preconceito ficará no “bolso”.

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