Quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
Para parlamentares, os gestores fluminenses não investiram na saúde o percentual mínimo determinado pela Constituição
Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil /
Reprodução / Creative Commons
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| Pezão |
O pedido de impeachment ocorre em meio a fortes turbulências políticas: recentemente, os líderes fluminenses tiveram cassados os mandatos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) por supostos crimes de abuso de poder econômico e político. Eles recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ainda não se pronunciou sobre o assunto; a crise na segurança pública, por conta dos constantes atrasos salariais que resultaram num movimento grevista discreto por parte de policiais militares; a grave crise financeira do governo estadual cujo déficit é de cerca de R$ 60 bilhões.
Para o Psol, Pezão (PMDB-RJ) e Dornelles (PP-RJ) cometeram suposto crime de responsabilidade, ao emitir o Decreto estadual nº 45.628/2016, que adiava para maio o pagamento de março daquele ano de aposentados e pensionistas que recebessem acima de R$ 2 mil. Os parlamentares se basearam na Lei de Crime de Responsabilidade nº 1.079/1950, a mesma que serviu de parâmetro para a deposição da ex-presidente Dilma Rousseff (PT-RS) em 2016.
Em abril do ano passado, a Justiça do Rio de Janeiro concedeu duas liminares, suspendendo o decreto, por entender que viola o princípio da dignidade humana. Uma das liminares foi protocolada pelos cinco psolistas supracitados, enquanto a segunda, por Flávio Bolsonaro (PSC-RJ).
O pedido de impeachment também afirma que os gestores fluminenses não teriam cumprido o repasse mínimo de 12% da receita líquida estadual para a saúde. Em novembro de 2015, por exemplo, faltavam ser aplicados mais de R$ 636 milhões, enquanto que no ano de 2016 somente 10,5% foram investidos. Para os requerentes do impeachment, o estado de calamidade financeira do Estado do Rio de Janeiro não o exime de cumprir com o percentual estabelecido na Lei Complementar nº 141/2012, que altera trechos da Constituição Federal. Em dezembro de 2015, o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed RJ) ingressou com uma ação civil pública, instando o cumprimento da legislação.
Para o Psol, houve também um “descontrole” na concessão de benefícios fiscais por parte do Executivo fluminense. Dos R$ 9,5 bilhões concedidos em 2015, apenas 22,5% do total teriam cumprido o ditame constitucional. No ano passado, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) proibiu o governo estadual de conceder e/ou renovar isenções.
Nos últimos anos, os governos peemedebistas de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão concederam mais de R$ 100 bilhões em isenções fiscais. Entre os beneficiários estão joalherias, salões de beleza, boates, puteiros e até algumas gráficas utilizadas pelo atual mandatário em sua campanha eleitoral de 2014.
Já Sérgio Cabral (PMDB-RJ) está preso preventivamente desde novembro do ano passado no âmbito da operação Calicute – um dos desdobramentos da Lava-Jato, que apura a roubalheira na Petrobras –, que investiga uma suposta organização criminosa liderada por ele e que teria desviado mais de R$ 200 milhões dos cofres estaduais.
Falta saber se o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB-RJ), que é do mesmo partido do governador, levará adiante o pedido de impeachment. Caso o juízo político seja instaurado, Pezão (PMDB-RJ) e Dornelles (PP-RJ) ficarão afastados dos cargos até a conclusão do processo.
Uma eventual deposição poderia evitar a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). O governo fluminense quer coloca-la à venda, como forma de garantia para lograr novos empréstimos junto à União e tentar cobrir o rombo nas contas. Para dar credibilidade ao acordo firmado com o presidente Michel Temer (PMDB-SP) acerca disso, no mês passado, Pezão (PMDB-RJ) ajuizou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo permissão para descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita gastos.

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