Para evitar o caos vigente do Espírito Santo, PM do RJ apela para que policiais não façam greve

Terça-feira, 07 de fevereiro de 2017

O drama dos policiais militares do Rio de Janeiro é tão complicado, ou talvez até pior que o de seus colegas do Espírito Santo que decidiram cruzar os braços desde a última sexta-feira (3/2). Se os capixabas estão sem aumento salarial há sete anos e possuem o menor piso da categoria no país, os fluminenses lidam desde 2015 com uma crise sem precedentes e sem horizonte: estão com pagamentos constantemente atrasados e parcelados tipo ‘Casas Bahia’. E ainda por cima poderão sofrer um duro golpe com a conivência de deputados estaduais, estes que recebem em dia seus salários altíssimos. Tramita na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) um projeto de lei para elevar a contribuição previdenciária do funcionalismo estadual de 11% para 14%, ademais de uma cobrança extra de 8% – que somadas dão 22% –, para cobrir um rombo na Previdência estadual e um déficit fiscal que não os competem sanar. Diante desse cenário desesperador para uma das categorias profissionais mais desvalorizadas do país e ante o temor que o estado do Rio de Janeiro possa compartilhar do mesmo caos vivido no estado vizinho, a Polícia Militar fluminense fez um apelo a seus trabalhadores, nesta terça-feira (7), para que não façam greve.

“A violência é um grave problema da nossa sociedade. Dentro desse contexto, sabemos que o Rio de Janeiro possui peculiaridades na área da Segurança Pública, só encontradas aqui. Nós, policiais militares, atuamos diuturnamente nesse cenário e sabemos agir nos casos extremos. A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro é a Instituição que garante a “civilidade”, o ir e vir, o trânsito de pessoas. Só nós conhecemos a realidade nua e crua do dia a dia de policiamento. No entanto, é preciso pensar que o impacto da nossa ausência poderá recair sobre nossos ombros, sobre nossas famílias. A nossa falta causaria males incalculáveis e irreparáveis. Temos a certeza que passamos por um momento muito delicado, mas é preciso avaliar as consequências dos nossos atos. Protestos são legítimos, mas precisamos buscar a melhor forma de reivindicar nossos direitos. Paralisar um serviço essencial afeta toda a população, incluindo nossas famílias. A quem interessa a barbárie?”, suplicou a corporação.

Imagem: PMERJ / Facebook / Reprodução
Uma das cartas falsas divulgadas
em redes sociais
O manifesto da PM fluminense se deveu às recentes notícias de que um grupo de esposas de agentes estaria, supostamente, organizando protesto na porta dos batalhões para a próxima sexta-feira (10), assim como ocorreu no Espírito Santo, e evitar que eles deixassem o local. A corporação atua para combater as campanhas de medo e de desinformação, uma vez que foram divulgadas nas redes sociais cartas, contendo a logomarca da entidade para dar um ar de legalidade, em que recomendavam a população a permanecer em casa na referida data, algo que já foi contestado.

Essas campanhas de pânico virtual acontecem em meio a um consenso entre os cariocas de que o Rio de Janeiro possa ser o cenário de barbáries, primeiramente por conta da crise carcerária vigente no país, com rebeliões e massacres em presídios, além de fugas, como as do Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte, que juntas somam mais de 100 mortes; e em segundo lugar, em caso de uma eventual greve dos agentes, como a dos capixabas que já culminou em mais de 70 assassinatos nas ruas.

A divulgação do movimento fluminense pode ter colocado por terra o que parecia desencadear uma onda grevista na segurança pública em todo o país.

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