Valor da fiança de ex-gestores da UGF e UniverCidade daria para pagar parte dos salários atrasados a ex-professores e demais ex-funcionários

Terça-feira, 05 de julho de 2016

Vinte e seis milhões e quatrocentos mil reais (R$ 26,4 milhões). Esse é o valor somado que alguns dos principais ex-gestores da Universidade Gama Filho (UGF) e do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), no Rio de Janeiro, terão de pagar de fiança para saírem da prisão e responderem as acusações que lhes são imputadas em liberdade. A cifra seria muito útil se fosse destinada ao pagamento de parte dos salários atrasados aos ex-docentes e ex-funcionários administrativos das duas instituições de ensino superior (IES).

O ex-acionista majoritário do grupo Galileo Educacional (a atual mantenedora das IES) Márcio André Mendes Costa terá de pagar R$ 8,8 milhões. O ex-dono da UniverCidade Ronald Levinsohn, mais R$ 8,8 milhões. Já os ex-proprietários da UGF Paulo Gama e Alfredo Muniz, mais R$ 4,4 milhões cada. Todos são acusados de supostos crimes de: associação criminosa; contra o sistema financeiro, ao negociar títulos e/ou valores mobiliário sem garantia suficiente aos investidores; e de apropriar-se de dinheiro, títulos e/ou bens e desviá-los em proveito próprio ou dos demais. O Ministério Público Federal (MPF-RJ) os acusam de terem supostamente desviado dinheiro dos fundos de pensão Postalis (dos Correios) e Petros (da Petrobras), causando prejuízos de R$ 90 milhões, em valores já corrigidos, por meio da emissão de R$ 100 milhões em debêntures que foram adquiridas pelos dois fundos. Eles foram presos temporariamente na operação Recomeço.

O total da cifra no pagamento de fianças poderia ser muito maior se fosse incluída a de outros ex-dirigentes da mantenedora, tais como: Ricardo Magro, Carlos Alberto Peregrino e Roberto Rolland Junior. Os valores não tinham sido divulgados pelo Ministério Público.

Muitos ex-professores e ex-funcionários administrativos das duas IES estão há quase três anos, aguardando receber salários referentes a 2013 e 2014. Em janeiro de 2014, Gama Filho e UniverCidade foram descredenciadas pelo Ministério da Educação (MEC), que alegou suposta baixa qualidade acadêmica. As duas instituições viviam em greve e paralisações, por conta dos atrasos nos pagamentos.

Esta reportagem fala em parte dos atrasados aos ex-empregados, porque é preciso ter em mente que existem outras dívidas mais antigas com o funcionalismo: na UniverCidade, por exemplo, o restante do 13º de 2007, enquanto na Gama Filho, o de 2009. Tudo isso, sem contar o não recolhimento de INSS e FGTS, por exemplo. Além disso, durante recente plano de recuperação judicial apresentado pela nova cúpula do grupo Galileo Educacional e que foi rejeitado pela Justiça fluminense, o valor estimado dos débitos com seus credores era de R$ 500 milhões.

A esperança é que parte da quantia de R$ 1,35 bilhão, bloqueada pela Justiça a 46 pessoas físicas e jurídicas no exterior, possa ser usada para indenizar aos ex-empregados. Mas, por enquanto, não há informações sobre isso, uma vez que toda essa bolada foi para garantir danos econômicos aos dois fundos de pensão.

Deixe seu comentário

Sua opinião será publicada, logo que aprovada, conforme Política de Uso do site.

O OPINÓLOGO agradece o seu comentário.