Segunda-feira, 27 de junho de 2016
Informação atualizada em 27/06/2016, às 20h59
Informação atualizada em 27/06/2016, às 20h59
Imagem: Márcio Henrique / Frickr / Reprodução
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| Aula magna em 2012 na UGF. Da esquerda para a direita: o ministro Ricardo Lewandowski (STF), Márcio André e o ministro Dias Toffoli (STF) |
Mendes Costa é considerado foragido da Justiça, por não ter sido encontrado durante a operação do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) e da Polícia Federal, na última sexta-feira (24/6). Acredita-se que ele possa estar em Portugal.
Os agentes apuram o rombo financeiro sofrido pelos fundos de pensão Postalis (dos Correios) e Petros (da Petrobras), que investiram em títulos de debêntures do grupo Galileo Educacional, quando o empresário era o acionista majoritário entre 2010 e 2011. A operação financeira foi mediada pelo Banco Mercantil, que então tinha como sócio Marcus Vinícius, irmão de Márcio André. Foram emitidos R$ 100 milhões em títulos, cuja garantia aos investidores foi a mensalidade do curso de Medicina da Universidade Gama Filho (UGF), no Rio de Janeiro.
Atualização: Reportagem do jornal “O Globo”, da manhã desta segunda-feira (27), disse que o empresário Ricardo Magro, outro acionista do grupo educacional e dono da Refinaria de Manguinhos, tinha sido incluído como procurado pela Interpol. Horas depois, o portal “G1” informou que ele teria se entregado à Polícia Federal.
Durante a deflagração da operação Recomeço – nome bastante sugestivo, por sinal –, foram presos um dos antigos donos da UGF, Paulo Gama, seu advogado Roberto Roland Júnior e o ex-diretor financeiro do Postalis Adilson Florêncio da Costa. Não há informações se os agentes conseguiram prender outro antigo proprietário da UGF, Alfredo Muniz, e o ex-diretor do grupo Galileo Educacional Carlos Alberto Peregrino. Todos tiveram prisão decretada pela 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
Uma das linhas de investigação é de que o suposto esquema de desvio tenha sido o motivo para o agravamento da crise que desencadeou o descredenciamento da UGF e do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), também gerido pelo nebuloso grupo Galileo Educacional.
Antes de continuar, é preciso fazer a seguinte observação aos leitores: teoricamente, a UniverCidade não está envolvida na questão. Pois quando houve a emissão de debêntures, em 2010, essa instituição de ensino superior (IES) não integrava o grupo Galileo Educacional. Poderia até haver alguma negociação de compra em andamento, mas não tinha nada oficial. O anúncio de troca de mantença só foi feito no meado de 2011. Desde então, até novembro desse mesmo ano, os funcionários passaram a receber em dia. Até que em dezembro a coisa desandou. Faltavam três dias para o natal. Nada de pagamento de novembro trabalhado nem o do 13º salário. Muitos tiveram como presente de fim de ano uma onda de demissão em massa, sendo comunicados por telegrama. Era o fim do teatro de melhoria acadêmica!!! OPINÓLOGO foi o primeiro a denunciar o caso. Outra questão é que nenhum curso da UniverCidade foi dado como garantia aos investidores, o que reforça que na época esse centro universitário não fazia parte do grupo gestor.
Para os investigadores, a grana obtida com as debêntures pode ter parado nas contas dos acusados. Reportagem da revista “IstoÉ” – que não está mais disponível – afirmou, em junho de 2015, que parte da grana dos fundos de pensão, destinada à UGF, pode ter, supostamente, favorecido aos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Lindbergh Farias (PT-RJ), além do deputado federal Luiz Sérgio (PT). O peemedebista teria embolsado R$ 30 milhões, enquanto os dois petistas, R$ 10 milhões cada. Na época, os parlamentares negaram qualquer tipo de envolvimento.
Nas redes sociais, ex-professores e ex-alunos comemoraram a prisão dos acusados. O sentimento entre eles é de que a justiça estaria sendo feita. Dois anos após o descredenciamento, muitos ainda se sentem inconformados: de um lado, professores e funcionários administrativos que não conseguiram receber pagamentos atrasados, 13º salário, tampouco tiveram FGTS e INSS recolhidos; do outro lado, estudantes que tiveram de se transferir para instituições de ensino concorrentes, sendo que em determinados casos, tiveram de refazer disciplinas e/ou perderam os descontos nas mensalidades e as bolsas de estudos.
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