Quem votou em Dilma, também votou em Temer

Sábado, 14 de maio de 2016

Imagem: José Cruz / Agência Brasil / Reprodução /
Creative Commons
Mal sabia ela que seu novo governo duraria tão pouco
“É melhor ‘Temer’ o futuro, do que o Brasil acabar ‘Dilma’ vez”. Esta criativa frase tem circulado nas redes sociais, depois que Dilma Rousseff (PT) foi afastada da presidência, enquanto responde a um processo de impeachment no Senado. Para muitos, o incerto futuro em relação ao presidente interino, Michel Temer (PMDB), é melhor do que a travada realidade econômica, política e social da gestão petista: mais de 10 milhões de desempregados; déficit fiscal de R$ 40 bilhões; inflação de 9,5%; cortes orçamentários na saúde, na educação e em outras pastas; rombo de R$ 6 bilhões na Petrobras; corrupção etc.

As redes sociais também se tornaram uma espécie de muro das lamentações por simpatizantes do petismo, indignados que o peemedebista tenha assumido o lugar de Rousseff. Dizem que Temer não tem ‘legitimidade’.

O coro foi engrossado pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, quem durante um evento em São Paulo, na última quinta-feira (12/5), disse que Michel Temer não tem ‘legitimidade’ para governar, informou o ‘Estadão’.

“É muito grave tirar a presidente do cargo e colocar em seu lugar alguém que é seu adversário oculto ou ostensivo, alguém que perdeu uma eleição ou sequer um dia teria o sonho de disputar uma eleição para presidente. Anotem: o Brasil terá de conviver por mais dois anos com essa anomalia!!!”, criticou Barbosa.

O ex-magistrado também não poupou críticas a Dilma Rousseff, por considerar que ela não soube conduzir o país, e opinou sobre o juízo político enfrentado por ela.

“Tenho sérias dúvidas quanto à integridade e à adequação desse processo pelo motivo que foi escolhido. Se a presidente tivesse sendo processada pelo Congresso por sua cumplicidade e ambiguidade em relação à corrupção passiva avassaladora mostrada no país nos últimos anos, eu não veria nenhum problema. Mas, não é isso que está em causa”, justificou Joaquim Barbosa, ao considerar que do ponto de vista jurídico, a governante pode, sim, ser processada.

No mês passado, por exemplo, a mandatária afirmou haver uma suposta conspiração por parte de seus opositores, sustentando que eles jamais chegariam ao poder pelas vias de fato, isto é, pelo voto popular.

“A conspiração se dá pelo fato de que a única forma de chegarem ao poder no Brasil é ocultando o fato de que esse processo de impeachment, na verdade, não é um processo de impeachment”, acusou Dilma Rousseff.

A petista acusou a oposição de tentar tramar a sua saída logo após a vitória nas urnas, em 2014, com pedido de cassação da chapa Dilma-Temer junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por parte do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), derrotado na disputa. O que na época o Partido dos Trabalhadores (PT) chamou de ‘terceiro turno’. Em seguida, vieram os protestos contra seu governo. E agora, a admissibilidade do processo de impeachment, autorizado pela Câmara dos Deputados cujo julgamento ocorrerá no Senado. Para esse novo capítulo, Dilma Rousseff considerou como o ‘quarto turno’.

Pode ser que Michel Temer jamais ganhasse uma eleição sozinho. No entanto, os eleitores de Dilma Rousseff se esquecem que votaram na chapa Dilma-Temer, que é o que está registrado perante o TSE, e não numa candidata solitária. Do ponto de vista jurídico, o peemedebista também venceu. Não se discute o fato de os simpatizantes do petismo terem votado na chapa apenas por causa de Dilma. Da mesma que os de Temer só o apoiaram por ser ele ou alguém do PMDB.

A questão é que quem votou em Dilma, também votou em Temer. É o que diz o artigo 178 da Lei nº 4.737/1965 (Código Eleitoral): “o voto dado ao candidato a presidente da República entender-se-á dado também ao candidato a vice-presidente, assim como o dado aos candidatos a governador, senador, deputado federal nos territórios, prefeito e juiz de paz entender-se-á dado ao respectivo vice ou suplente”. Sem mais discussões.

Feito similar aconteceu, em 1992, quando o então presidente Fernando Collor de Mello foi ‘impitimado’. O vice-presidente Itamar Franco ocupou a presidência até o fim do mandato em 1994.

Também nas redes sociais, eleitores de Dilma Rousseff têm questionado por que os opositores ao seu governo também não protestaram contra Temer, considerando que quem votou em um, votou no outro. A gestão de Temer não tem que se assemelhar à de sua colega de chapa. Só quem usou tal discurso de que votando num, votava-se no outro, foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, durante a primeira campanha, em 2010, afirmou que quem votasse em sua afilhada política, estaria votando nele, na continuidade de seu governo e de seus programas sociais – leia-se assistencialistas.

Deixe seu comentário

Sua opinião será publicada, logo que aprovada, conforme Política de Uso do site.

O OPINÓLOGO agradece o seu comentário.