Venezuela: executivos da imprensa opositora ao governo estão proibidos de deixar o país

Quarta-feira, 13 de maio de 2015

Vinte e dois executivos – entre diretores e proprietários – dos portais noticiosos venezuelanos 'El Nacional', 'La Patilla' e 'TalCual', todos de oposição ao governo, estão proibidos de deixar o país. Eles são acusados de 'difamação grave' pelo presidente da Assembleia Nacional, deputado Diosdado Cabello, o segundo no Chavismo. Em janeiro passado, todos esses sites replicaram a reportagem do diário espanhol 'ABC', de que o parlamentar, supostamente, estaria ligado ao narcotráfico, conforme revelações feitas por seu ex guarda-costas Leamsy Salazar, quem está asilado nos Estados Unidos.

Para garantir que não saiam do país, os réus terão de se apresentar semanalmente ao 12º Juizado. A decisão foi publicada, nessa terça-feira (12/5), e é similar à imposta ao ex-dono do canal 'Globovision' Guillermo Zuloaga, em 2009, depois de sua então emissora ter noticiado o desperdício de alimentos e medicamentos por parte de funcionários públicos.

As supostas faltas de transparência, de independência e de separação de poderes entre o Legislativo e o Judiciário ficam evidentes, quando um dos acusados, Manuel Puyana Santander, do 'TalCual', tentou acessar os autos do processo. “No mesmo dia 25 de abril, o caso foi remetido ao 12º Tribunal de Juízo. Desde então, todas as semanas, fui pessoalmente ao juizado para revistar o conteúdo do processo. No dia 29 de abril, conversei com a juíza [María Eugenia Nuñez] e a secretária. Me disseram que eu não poderia ver o expediente até que o processo fosse ratificado por [Diosdado] Cabello. E até 4 de maio insistiram que deveria esperar pela ratificação. 'Isso é desse jeito e ponto', sinalizaram ante tanta insistência da minha parte”, contou o executivo.

Vale lembrar que esses meios de comunicação sul-americanos já tinham sido ameaçados pelo parlamentar chavista no início do ano por conta disso. A história sobre o suposto nexo com cartéis de drogas logo foi ofuscada por outra surreal: a de uma suposta tentativa de golpe de estado, que acarretou na detenção do prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma. O que aparentemente agravou a situação política do país e, como parte de um show, fez com que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) realizasse uma visita a Caracas com a desculpa de mediar uma solução entre governo e oposição, mas que, na verdade, tinha por intuito evitar a intromissão de entidades como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e/ou as Nações Unidas (ONU).

Recente reportagem de 'Veja' afirma que autoridades venezuelanas e bolivianas estariam, supostamente, envolvidas com atividades criminosas como narcotráfico e interceptação de veículos roubados do Brasil. E que os governos dessas nações vizinhas se utilizariam do Centro de Estudos Políticos e Sociais (Ceps), uma ONG, com o intuito de financiar o partido espanhol Podemos e, assim, garantir uma 'porta de entrada direta' para as drogas em continente europeu, se a legenda socialista chegar ao poder. A matéria se baseou num relatório considerado ultrassecreto do coronel do Exército boliviano Germán Cardona, quem teve de fugir para a Espanha após denunciar as irregularidades a seus superiores.

“As aeronaves Hércules C-130 deixam a Venezuela com armamento militar e retornam carregadas de cocaína e veículos que chegam à Bolívia depois de ser roubados no Brasil. Em Caracas, a droga é embarcada novamente e de lá levada a outros destinos”, explicitou o semanário paulistano.

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