Sábado, 10 de outubro de 2026
Contra o economista Jonathan Menkos havia ao menos três denúncias no Ministério Público, questionando sua designação para o cargo
Imagem: Felix Acajabón - Ministerio de Finanzas de Guatemala - Redes Sociais
Por três votos a dois, a Corte de Constitucionalidade da Guatemala – a mais alta instância judicial do país – suspendeu temporariamente a nomeação do economista Jonathan Menkos Zeissig como presidente do Banco Central da Guatemala (Banguat) e da Junta Monetária, nessa quinta-feira (8/10). A decisão foi respaldada pela Embaixada dos Estados Unidos, que se manifestou nas redes sociais, horas após, sobre a independência da instituição.
“O Banco da Guatemala é uma instituição vital para a estabilidade econômica do país. Os Estados Unidos também respeitam a autoridade da Corte de Constitucionalidade para tomar decisões de maneira independente, livre de pressões externas ou represálias, e seu papel fundamental na defesa do Estado de direito. Jamais ficaremos em silêncio diante das tentativas de politizar o Banco da Guatemala, minar sua independência ou colocar em risco a estabilidade econômica do país”, publicou a embaixada norte-americana.
O que chama atenção é o fato de um governo estrangeiro, por meio de sua diplomacia, opinar sobre assuntos internos de outro país.
A Junta Monetária é a máxima autoridade do banco central guatemalteco. Determina as políticas cambial, monetária e de crédito, além de atuar pela solvência e liquidez do sistema bancário do país.
Jonathan Menkos foi indicado pelo presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, para comandar o Banguat e a Junta Monetária
Ele havia tomado posse nas novas funções no último dia 1º de outubro. A decisão da Corte de Constitucionalidade também revoga todas as medidas tomadas pelo dirigente, que só ficou oito dias no cargo.
O mandatário guatemalteco defendeu a nomeação do economista por critérios técnicos, em vez de se fazer uma discussão politizada quanto à indicação.
Contra Jonathan Menkos foram apresentadas ao menos três denúncias perante o Ministério Público, noticiou o site Soy502. A primeira delas é Comitê Coordenador de Associações Agrícolas, Industriais e Financeiras (Cacif).
A segunda denúncia foi protocolada pelo deputado Allan Rodríguez, do partido Vamos. Ele já presidiu o Congresso. E a terceira denúncia é de autoria da auditora fiscal Yulma López.
As acusações contra o economista é por supostos delitos de abuso de autoridade e descumprimento de deveres. Ele teria assumido as presidências do Banguat e da Junta Monetária sem renunciar ao cargo de deputado, de acordo com o portal Prensa Libre.
Jonathan Menkos é filiado ao Movimento Semilla (Semente, em espanhol), o mesmo partido do presidente Bernardo Arévalo. Com autorização do Congresso, pôde se licenciar das funções legislativas para comandar o Ministério de Finanças Públicas, pasta na qual atuou entre 2024 e 2026.
O economista havia deixado o ministério para assumir as presidências do Banguat e da Junta Monetária. No entanto, esses cargos seriam incompatíveis com o mandato parlamentar.
Um dia antes de a Justiça anular a designação do economista, cinco diretores do Banguat renunciaram aos cargos. Eles eram das gerências Geral, Jurídica, Administrativa, Econômica e Financeira. A saída desses executivos criou uma crise institucional com possíveis reflexos financeiros e políticos.

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