Portugal: manuscrito atribuído ao PCC, contendo recomendações e ameaça de execução, é apreendido em presídio

Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O documento é destinado a seis detentos acusados de praticar assaltos a instituições financeiras no país europeu; apontado nas investigações como líder do bando, o principal suspeito já foi pastor e candidato a deputado federal pelo Solidariedade em 2022

Imagem: TVI - Reprodução - Print screen
As mensagens reforçam a atuação direta da facção brasileira no exterior

Um manuscrito atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC), contendo 10 recomendações, foi apreendido pela Polícia Judiciária de Portugal numa cela do presídio de Caldas da Rainha, no Distrito de Leiria. O documento fala em “coragem e lealdade” e traz instruções sobre como membros da facção brasileira devem agir perante a Justiça lusitana. A última regra é a mais grave e fala em execução em caso de descumprimento ou traição: “não citar quem é o ‘líder’ nos depoimentos sob pena de morte”. O fato foi revelado em reportagem conjunta exclusiva pelos canais TVI e CNN Portugal, nessa terça-feira (29/9).

A lista encontrada por autoridades portuguesas é mencionada como ‘mandamentos’:

1º) Sintonizar os advogados para defesa.

2º) Manter-se calado durante depoimento.

3º) Salatiel e Henrique não ajustar/ajudar o advogado para Luka.

4º) Após julgamento “NÃO” contar com recurso.

5º) Não dar nome de parentes de forma alguma no depoimento, sob pena de execução.

6º) Avisar Natalha vulgo “Demônia” que fique quieta e sóbria, pois vamos cuidar do Luka vulga “orelha”.

7º) Pedir a Lorrayne para ter paciência com a NAT, pois precisamos dela sob controle.

8º) Convencer ao Luka que as letras? sob posse de Henrique no valor de €2.100 serão abatidos no pagamento da sua defesa.

9º) Recados e mensagens do grupo serão enviados pelos advogados e todos inclusive o “gordo desgraçado” devem ser extraditados.

10º) Não citar quem é o "líder" nos depoimentos sob pena de morte.

O documento foi assinado por “o líder”. De acordo com o inquérito criminal, é atribuído a Ediel Henrique Duarte Nery, identificado na matéria televisiva como “cérebro” do grupo criminoso. A lista de recomendações foi destinada a seis detentos que estão em prisão preventiva à espera do julgamento.

Os réus são acusados de assaltos em série contra uma dezena de bancos portugueses, carros fortes e casas de câmbio entre 2024 e 2025, totalizando prejuízos de aproximadamente € 1 milhão, o equivalente a mais de R$ 5 milhões na cotação atual.

Durante um assalto ao Novo Banco, no Seixal, em fevereiro de 2025, por exemplo, integrantes do PCC radicados no país europeu teriam saqueado mais de € 200 mil, algo em torno de R$ 1,2 milhão na cotação da época. Na ocasião, funcionários da agência foram rendidos, forçados a entregar os celulares, assim como os clientes, e abrir o cofre, de acordo com o jornal Correio da Manhã.

Em relação a Ediel Nery, sinalizado nas investigações como suposto líder do bando, ele já foi pastor e presidente da Assembleia de Deus Ministério Mundial no município de Luziânia, em Goiás. Em 2022, chegou a ser candidato a deputado federal pelo partido Solidariedade (SD) no mesmo estado.

Segundo o Ministério Público, o dinheiro obtido nos roubos teria sido transferido aos poucos para o Brasil e por meio de várias contas bancárias. Para isso, a quadrilha usaria uma loja de automóveis para fazer o branqueamento de capitais.

Considerada a maior facção brasileira, o Primeiro Comando da Capital não só se expandiu para fora de São Paulo como também atravessou as fronteiras geográficas e já estaria atuando em ações de narcotráfico e lavagem de dinheiro em cerca de 30 países, entre eles Paraguai, Venezuela, Espanha, Itália, Holanda e Estados Unidos.

Em maio deste ano, o governo norte-americano classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) – facção criminosa carioca – como organizações terroristas.

No último dia 22 de setembro, 15 países integrantes do Escudo das Américas – bloco formado por Estados Unidos e governos latino-americanos de extrema direita alinhados ao presidente Donald Trump – assinaram um documento no qual designam as duas principais gangues brasileiras como organizações narcoterroristas transnacionais.

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