Sol, areia e mar: oposição prepara moção de censura contra ministro colombiano flagrado na praia

Quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Jaime Andrés Beltrán assumiu o Ministério da Habitação há menos de duas semanas e é um dos responsáveis por atuar na reconstrução do país após forte terremoto

Imagem: Desigual - Redes Sociais
Ministro negou que estivesse de férias e sustentou que construir casas seria tão importante quanto sustentar um lar

Polêmicas no novo governo


Parlamentares de oposição estão preparando uma moção de censura contra o novo ministro da Habitação, Cidade e Território da Colômbia, Jaime Andrés Beltrán. A iniciativa se deve ao fato de ele ter sido flagrado com a família numa praia (foto 1) em Santa Marta, na costa caribenha, no departamento de Magdalena, no último fim de semana, em meio ao drama que o país vive por conta do terremoto de 7,4 de magnitude do último dia 10 de agosto. Os registros das miniférias com apenas uma semana de trabalho foram feitos pelo canal digital Desigual, do jornalista Alejandro Villanueva.

De acordo com o deputado David Alejandro Toro Ramírez – conhecido como Alejo Toro – nas redes sociais, o documento já conta com as assinaturas necessárias para que seja apresentado perante a Câmara dos Deputados.

A senadora Jennifer Dalley Pedraza Sandoval, por exemplo, defendeu no plenário do Senado a renúncia de Jaime Andrés Beltrán (foto 2), que assumiu o cargo no dia 7 deste mês, três dias antes do forte abalo sísmico.

Imagem: Redes Sociais - Divulgação
Jaime Andrés Beltrán

Não se trata de qualquer ministro. O cargo o coloca como um dos principais responsáveis por reconstruir o país em meio ao caos, às lágrimas e ao luto de inúmeras famílias.

Balanço parcial da tragédia


Ao menos 312 pessoas morreram, sendo que 306 já foram identificadas pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, conforme atualização feita mais cedo.

Em relatório parcial divulgado na manhã desta terça-feira (18/8), a Unidade Nacional para a Gestão de Riscos de Desastres (UNGRD) informou que 4.548 pessoas ficaram feridas, 426 estão desaparecidas e outras 356 foram resgatadas.

O sismo registrou danos em 15 departamentos – equivalentes a estados no Brasil – de 472 municípios.

Até o momento, 496 animais foram resgatados, enquanto outros 1.323 estão afetados. O balanço da tragédia também pode ser visto nas 134.342 residências avariadas, 29.554 destruídas e nos 267 edifícios colapsados.

Ainda segundo o órgão que coordena a gestão de desastres, 303 unidades de saúde e 3.443 estabelecimentos de ensino foram afetados. Há registros de danos também em cinco aeroportos, 49 pontes, 13 passarelas e em mais de 400 vias.

Países vizinhos como Panamá, Equador, Venezuela, além do estado brasileiro do Amazonas, sentiram o forte tremor de terra.

Bolas de futebol em vez de ajuda humanitária

Em defesa própria, Jaime Beltrán – que também é pastor na Igreja Caminho à Liberdade – negou que estivesse de férias e sustentou que ‘construir habitações é tão importante como sustentar o lar, desde o amor, o exemplo e o respeito’.

“Nas últimas horas surgiram uma grande quantidade de vídeos e mensagens dizendo que Jaime Andrés abandonou suas responsabilidades em meio da tragédia, que foi de férias e deixou de lado os desafios como ministro (...); assim como construímos casas, o mais importante é construir lares (...); somos servidores públicos, mas também somos pais, filhos; seguirei sendo ministro e seguirei também sendo pai”, expressou Beltrán, com imagens de apoio sobre suas visitas a locais devastados pelo terremoto.

Em entrevista a jornalistas, o procurador-geral da Colômbia, Gregorio Eljach, disse não ter nenhuma crítica em relação ao ministro e que ‘o momento é de reconstrução do país’. 

Imagem: Redes Sociais - Divulgação
A distribuição de brindes com
nome do partido está sendo
vista como autopromoção
O procurador-geral também minimizou a polêmica envolvendo o novo governo, empossado no dia 7 de agosto, e se referiu ao episódio como ‘tema minúsculo’. O presidente Abelardo de la Espriella distribuiu a sobreviventes do forte terremoto bolas de futebol personalizadas (foto 3) – nas cores da bandeira colombiana – e com o nome do seu partido político, ‘Defensores de la Patria’ (Defensores da Pátria, em português).

Para os críticos, a distribuição de brindes por parte do presidente, em vez de ajuda humanitária, não resolve os reais problemas que os colombianos estão enfrentando. Ademais, sua atitude é vista como autopromoção com uso de dinheiro público e, supostamente, viola a Lei Chao Marcas. A norma, de 2023, proíbe o uso de marcas de governo, imagens, símbolos ou mensagens alusivos a partidos políticos na identidade visual e na publicidade de entidades estatais.

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