Grupo hacker ‘presenteia’ Espanha com vazamento de identidade de 70 mil supostos agentes secretos marroquinos

Sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Grupo alega que migração massiva de cidadãos marroquinos a duas cidades autônomas espanholas teria sido uma ação orquestrada por autoridades do país africano

Imagem: Redes Sociais - Print screen - Divulgação /
Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
Esta foi uma das fotos que mais repercutiu na internet; cidadãos marroquinos em caminhão, migrando em massa para o país vizinho

O grupo hacker ‘Jabaroot’ – ‘Poderio’, em árabe – ‘presenteou’ a Europa e a Espanha com o vazamento da identidade de 70.381 supostos agentes secretos marroquinos ligados à Direção Geral de Supervisão do Território (DGST) e da Direção Geral de Segurança Nacional (DGSN). Os dados foram divulgados na última segunda-feira (24/8), em planilhas de Excel via Telegram, e incluem data de nascimento, data de recrutamento, número da carteira de identificação, dados bancários de 1.400 pessoas, entre outros, noticiou o portal espanhol El Confidencial.

“O grande presente para a Europa, e especialmente para a Espanha, de Jabaroot, o artífice da promessa cumprida”, escreveu o grupo.

“Aqui estão os nomes, as datas de nascimento e os números de identificação de 70 mil agentes dos serviços de inteligência e de segurança marroquinos, que operaram por toda a Europa em trabalhos de inteligência mais sujos, como espionagem, a instalação de dispositivos de escuta e o suborno de políticos e empresários”, continuou.

Segundo o diário espanhol ABC, os hackers, supostamente oriundos da Argélia, prometeram revelar os nomes dos espiões que teriam orquestrado e operacionalizado a invasão massiva de mais de 70 mil cidadãos marroquinos às cidades autônomas espanholas de Ceuta e Melilla, no fim do mês passado.

O grupo Jabaroot disse que o rei do Marrocos, Mohamed VI, não teria conhecimento da alegada trama. Dias antes de vazar as informações sobre os espiões, já havia responsabilizado diretamente Abdellatif Hammouchi, diretor da DGSN e DGST, e Fouad Ali el Himma, conselheiro real, pela crise migratória em Ceuta e Melilla.

“Foram eles que planejaram o ataque para colocar a Espanha numa situação difícil (...); tudo isso ocorreu com conhecimento de um país grande e de outro Estado fictício”, escreveu o coletivo cibernético em alusão aos Estados Unidos e Israel, respectivamente.

Com a listagem em mãos, serviços de inteligência do país europeu pretendem checar a veracidade das informações, cruzar dados sobre hospedagem e consumo em território espanhol, além de analisar se existe algum agente duplo ou infiltrado em suas próprias bases, de acordo com El Confidencial em outra matéria.

No documento constam nomes de 21 diretores de duas agências de inteligência marroquinas e de cinco funcionários lotados na embaixada em Madrid, de acordo com o portal The Objective.

Uma hipotética atuação israelense na entrada massiva de marroquinos poderia ser uma espécie de retaliação ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, por suas críticas em relação ao conflito na Faixa de Gaza.

Vale destacar que a atuação da nação ibérica em relação ao governo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não se limitou a meras críticas. Nos últimos dois anos, a estatal Radiotelevisión Española (RTVE) tem defendido a expulsão do país judeu no festival musical Eurovisión. Na edição de maio de 2026, por exemplo, o canal não participou do concurso nem o transmitiu em protesto à presença israelense. Outras quatro televisoras europeias também boicotaram o evento.

E paralelamente a essa rixa diplomática entre Espanha e Israel, Pedro Sánchez também não permitiu o uso de bases militares nem do espaço aéreo espanhol por aeronaves envolvidas na recente guerra entre o país hebreu e os Estados Unidos contra o regime iraniano.

A crise migratória também ocorre às vésperas das eleições legislativas marroquinas, marcadas para o próximo dia 23 de setembro, e pode repercutir negativamente no governo do primeiro-ministro Aziz Akhannouch.

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