Flybondi: em crise, site de empresa aérea sai do ar

Terça-feira, 18 de agosto de 2026

A companhia já não opera há 12 dias e no Brasil foi proibida de vender passagens

Imagem: Flybondi - Divulgação
“La libertad de volar” durou pouco

Crise


O site (foto 2) da Flybondi saiu do ar na tarde desta terça-feira (18/8) e ainda não voltou a funcionar. O episódio coincide com uma grave crise enfrentada pela empresa aérea argentina, que nos últimos meses cancelou voos e tem atrasado pagamentos de funcionários e credores. Está há 12 dias sem realizar voos comerciais, apesar de não haver nenhuma restrição por parte do governo do país vizinho.

De janeiro a agosto deste ano, a companhia já suspendeu 2.400 voos, afetando 383 mil passageiros. Além disso, não teria reembolsado os clientes, segundo o diário La Nación. A estimativa é que apenas com esse público a dívida chegue a US$ 19 milhões – R$ 98,9 milhões na cotação atual.

Cerca de 300 empregados que ainda permanecem em suas funções estariam com os salários de junho e julho atrasados, incluindo a metade do 13º salário, que deveria ter sido depositado em junho. Além disso, estariam sem plano de saúde, porque a empresa não fez os pagamentos.

Outros 700 ex-funcionários – demitidos sem justa causa em meio à crise – aguardam há três meses para receber as verbas rescisórias.

Agências de viagem na Argentina deixaram de vender tíquetes da Flybondi há dois meses, devido aos constantes cancelamentos de voos.

A gravidade da crise também se reflete em suas redes sociais. A última postagem da empresa foi no dia 11 de junho, há mais de dois meses.

Imagem: Flybond - Print screen - Opinólogo
O site está fora do ar tanto no Brasil quanto na Argentina

Em um novo capítulo da crise financeira que atinge a companhia aérea, três tribunais federais de Execuções Fiscais Tributárias – equivalente às Varas de Execuções Fiscais no Brasil – determinaram o bloqueio de contas bancárias no montante acumulado de 1,5 bilhão de pesos argentinos, cerca de R$ 5,2 milhões. Os valores são referentes a débitos com a Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (Arca, na sigla em espanhol), similar à Receita Federal.

Suspensões no Brasil


No último dia 29 de julho, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) havia determinado a limitação de venda de passagens no Brasil, após “identificar indícios de deterioração da capacidade operacional da companhia e riscos de prejuízos aos passageiros”.

O ente regulador brasileiro tinha limitado a comercialização de bilhetes para a ponte aérea Rio de Janeiro (RJ) e Buenos Aires e proibido a venda para novos destinos nos quais a empresa pretendia operar: Florianópolis (SC), Maceió (AL) e Salvador (BA).

A agência constatou que, entre os dias 1º e 27 de julho, 79% dos voos registrados foram cancelados. E acrescentou que ao longo deste ano, houve redução nos serviços prestados.

Na terça-feira passada (11), a Anac decidiu proibir também a venda de Buenos Aires para o Rio de Janeiro. De acordo com o órgão, em janeiro de 2026, a Flybondi realizou 576 voos; em junho, apenas 50. As duas decisões não afetam as passagens já vendidas.

Nos últimos 30 dias, a plataforma Anac Passageiros registrou 350 reclamações contra a companhia aérea. Em mais de 90% das queixas, os consumidores relataram dificuldades de atendimento.

Sobre a empresa


A Flybondi é uma companhia aérea de baixo custo fundada em setembro de 2016. Seu primeiro voo comercial ocorreu apenas em janeiro de 2018. Sob o slogan “La libertad de volar” (A liberdade de voar, em tradução literal), a empresa chegou a ter 13 aviões e atualmente só tinha quatro disponíveis, sendo que dois destes eram usados na ponte aérea com o Brasil. As demais aeronaves estavam retidas para pagamento de dívidas a credores.

A empresa pertence ao fundo de investimento norte-americano COC Global Enterprise, controlado pelo argentino Leonardo Scatturice, um ex-espião que atuou na Secretaria de Inteligência do Estado da Argentina (Side) e já foi acusado de suposta espionagem ilegal.

O empresário tem vínculos com grupos de extrema direita tanto na Argentina quanto nos Estados Unidos e é apontado como o principal lobista do presidente argentino, Javier Milei, no país norte-americano.

Deixe seu comentário

Sua opinião será publicada, logo que aprovada, conforme Política de Uso do site.

O OPINÓLOGO agradece o seu comentário.