Quinta-feira, 06 de agosto de 2026
As acusações são de fraudes processuais e falsificação de assinaturas de juiz e de promotores de Justiça
Imagem: Nubia Cozzolino - Redes Sociais
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| Nubia Cozzolino costuma postar nas redes sociais fotos e vídeos em momentos descontraídos |
Três condenações ao mesmo tempo
A ex-prefeita de Magé Nubia Cozzolino (foto), de 68 anos, foi sentenciada a uma pena acumulada de 87 anos, um mês e 10 dias de prisão em três ações penais. Ela é acusada de supostos delitos de supressão e falsificação de documentos públicos, além do uso de documentação falsa em sete ações civis públicas em tramitação no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). As decisões, todas em primeira instância, foram proferidas pela juíza Carolina Dubois Fava, da Vara Criminal de Magé, na Baixada Fluminense, na última terça-feira (4/8).
Na primeira ação penal, a condenação foi de 43 anos, seis meses e 20 dias de reclusão mais o pagamento de 208 dias-multa; já no segundo processo, a pena foi de 32 anos e oito meses de prisão mais o pagamento de 156 dias-multa; e no terceiro, 10 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, além do pagamento de 52 dias-multa. Em todos esses casos, o valor de cada dia-multa tem como base o de um salário-mínimo.
Sumiço de processos e auditoria
Conforme consta nos autos, o suposto esquema contava com a atuação de alguns familiares, aliados políticos e assessores. Uma das linhas de investigação era de que seus advogados substituíam folhas de processos por outras, com dados e valores distintos e assinaturas forjadas de juízes e promotores de Justiça, sempre com decisões que beneficiassem a ex-mandatária ou minimizassem prejuízos. E uma dessas alterações seria referente ao tempo que ficaria com direitos políticos cassados.
Em junho de 2017, a Justiça fluminense constatou que nove processos cíveis inteiros tinham sumido de forma misteriosa. Uma auditoria em 110 ações de improbidade administrativa apontou fraudes em vários casos que envolviam a ex-prefeita mageense.
Em outubro de 2018, Nubia Cozzolino foi presa no Fórum de Magé, enquanto prestava depoimento. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – vinculado ao MPRJ – a denunciou por organização criminosa, falsificação de documento, ocultação de documentos públicos e uso de documentação falsa.
Em novembro de 2018, logo depois de ter sido beneficiada com habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a ex-deputada foi alvo de uma nova ordem de prisão, expedida pela Vara Criminal de Magé, por suspeita de atos contra a administração pública relacionados à falsificação de documentos. Ela não chegou a ser solta naquela ocasião.
Nubia Cozzolino também foi denunciada por suspeita de falsificar as assinaturas de um juiz e de promotores de Justiça, além de adulterar informações num processo, de autoria da 2ª Promotoria de Tutela Coletiva de Magé, cujo valor da causa era de R$ 5 milhões. Após a modificação, a cifra foi para apenas R$ 50 mil.
Ex-prefeita nega as acusações
Para a juíza responsável pelos recentes vereditos, as atitudes da ré – também ex-deputada estadual no Rio de Janeiro – visavam evitar derrotas judiciais e políticas e provocaram ‘incomensuráveis prejuízos à sociedade’.
“Com sua conduta, a ré agiu motivada pela obtenção de benefícios em processos judiciais da esfera cível, relacionados a ações civis públicas e de improbidade administrativa, para obstaculizar as inúmeras consequências – inclusive de natureza política – que viria a sofrer em caso de eventual procedência dos pedidos lá formulados”, expressou a magistrada.
Nas redes sociais, a ex-prefeita mageense, que responde os processos em liberdade, se manifestou sobre a condenação, contestou as acusações e criticou a absolvição de outros réus.
“(...) Pois é, hoje eu recebi a sentença, a única condenada fui eu. Eles absolveram todos os advogados. A juíza alega que eu fui a mandante. Mas quem manda, manda alguém, né?! E a doutora, a juíza, não explicou quem eu mandei, quem foi a pessoa que executou as falsificações. Disse que eu sou a autora intelectual das falsificações. Outra coisa que me aborreceu muito foi a mentira contada na sentença (...); apesar de tanta perseguição, o Ministério Público até hoje não conseguiu me condenar por peculato – que é roubo –, por corrupção, por lavagem de dinheiro, por prejuízo ao erário e por enriquecimento ilícito, por nada disso. Estou sendo condenada por eles acharem que eu sou a mandante de alguém que eles não identificaram, que eu teria ordenado para fazer uma falsificação, mas o executor ela não consegue identificar, não individualizado, como ela fala na sentença”, comentou Nubia Cozzolino.
Três advogados acusados de participação no suposto esquema foram absolvidos por falta de provas. São eles: José Marcos Motta Ramos, Bruno Augusto Duarte Lourenço e Aidê Raquel da Mata Soares.
Em sua defesa, a ex-parlamentar também alegou que nunca houve oficial de Justiça cumprindo mandato de busca e apreensão contra ela, conforme consta nos autos. Disse que seus advogados teriam recorrido ao cartório e à Central de Mandados para obter o documento, mas que nunca fora localizado.

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