Eurovisión: país vencedor em guerra não poderá mais sediar festival musical

Domingo, 16 de agosto de 2026

Após mudança no regimento, o evento perde seu maior patrocinador

Imagem: Eurovisión - Reprodução
Identidade visual do Eurovisión 2027, na Bulgária

Um país vencedor do Eurovisión, que estiver em guerra ou em situação de segurança comprometida, não poderá mais sediar automaticamente a edição seguinte do festival musical. A decisão foi anunciada pela União Europeia de Radiodifusão (UER) – organizadora dos torneios – na última quarta-feira (12/8) e começa a valer já no concurso de 2027, que acontecerá na Bulgária – vencedora do último concurso.

“As regras do concurso agora estipulam que a emissora vencedora será automaticamente desqualificada para sediar o concurso caso um conflito armado, uma situação geopolítica delicada ou qualquer outra situação afete materialmente a segurança, a proteção ou a estabilidade de seu estado ou região imediata.

Caso julgue necessário, a UER poderá encomendar uma avaliação de segurança independente da região do vencedor. Após essa avaliação, a UER consultará o Grupo de Referência para determinar se o membro vencedor tem condições de sediar o concurso com segurança”, explicou a organizadora do evento.

De acordo com a UER, a medida foi tomada por conta do ‘feedback’ das emissoras participantes da edição 2026, na Áustria.

A mudança nas regras também ocorre após Israel ter ficado em segundo lugar nas competições de 2025 e 2026, com os cantores Yuval Raphael e Noam Bettan (foto 2), respectivamente. O êxito dos artistas pode ter despertado preocupação ante a UER, caso o país hebreu vença algum torneio próximo e obtenha o direito de realizar o Eurovisión.

Imagem: Eurovisión - Reprodução
Noam Bettan repete o êxito de sua conterrânea Yuval Raphael e conquista o segundo lugar

Israel está envolvido em conflitos armados contra o Hamas, na Faixa de Gaza; o Hezbollah, no Líbano; e também contra o Irã.

Se o canal de TV do país vencedor não puder promover a competição no ano seguinte, a UER poderá selecionar outro. O novo anfitrião terá todos os direitos e arcará com as obrigações e responsabilidades, sem precisar fazer isso em nome de outra nação ou televisora.

Depois da mudança no regimento, a Moroccanoil decidiu romper a parceria firmada em 2019, ano em que o festival foi realizado em Tel Aviv, na nação judaica. A empresa israelense de produtos capilares era a maior patrocinadora das últimas seis edições do espetáculo musical.

Por conta da pandemia de coronavírus (covid-19), a edição de 2020 foi cancelada. O patrocínio só entrou em vigor com a volta do festival em 2021, em Roterdã, nos Países Baixos.

Outra importante alteração feita pela União Europeia de Radiodifusão é que, a partir de 2027, todos os artistas deverão ter, no mínimo, 18 anos para competir, em vez de 16.

A polêmica participação de Israel


As duas últimas participações de Israel têm sido marcadas por polêmicas devido à atuação do país na morte de dezenas de milhares de civis palestinos em Gaza. No ano passado, algumas das emissoras que cobrem o festival já haviam repudiado sua presença.

Na edição de 2026, por exemplo, cinco televisoras europeias – da Eslovênia, Espanha, Holanda, Irlanda e Islândia – foram além das críticas e fizeram um boicote, não enviando representante para competir nem transmitindo o evento. 

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