Domingo, 09 de agosto de 2026
Os mimos sexuais teriam sido pagos a pelo menos 10 árbitros na época em que a seleção disputava as eliminatórias para as Olimpíadas de 2012 no Reino Unido e a Copa do Mundo de 2014 no Brasil
Imagem: Gerada por inteligência artificial para Opinólogo - Foto ilustrativa
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| Os coreanos eram os donos da bola |
Fraudes com cartões corporativos
A Associação Coreana de Futebol (KFA, na sigla em inglês) está envolvida num escândalo por suspeita de ter subornado pelo menos 10 árbitros estrangeiros com serviços de prostituição entre 2011 e 2012. Nesse período, o país sediou várias partidas internacionais, entre amistosos e eliminatórias para os Jogos Olímpicos de 2012 em Londres, no Reino Unido, e a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. O caso foi revelado pela emissora JTBC na última quinta-feira (6/8).
Ao que tudo indica, esse tipo de corrupção não se limita a um episódio isolado. Fora dos gramados acontecia outro tipo de jogo, exclusivo de bastidores e não acessível aos torcedores.
Os mimos em prostíbulos e estabelecimentos adultos eram concedidos antes e depois de partidas e teriam sido solicitados pelos próprios beneficiários. As despesas eram pagas com cartões de crédito corporativos, lançadas fraudulentamente nas prestações de contas como bebidas, refeições ou simples massagens e aprovadas pelos dirigentes.
O escândalo veio à tona no mesmo dia que a polícia realizou uma operação de buscas e apreensões na sede da federação, para investigar possíveis irregularidades na contratação do ex-técnico da seleção masculina Hong Myung-bo, em 2024, segundo a agência de notícias Yonhap.
Os alegados favores sexuais são de conhecimento das autoridades há pelo menos 10 anos e constam num relatório de 2016 do Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul. Ainda segundo o material, ‘era uma prática comum na época’.
O documento faz parte de uma investigação sobre o uso indevido de mais de 200 milhões de wones – cerca de R$ 320 mil – por parte de 18 funcionários e ex-funcionários da federação para fins particulares entre 2011 e 2012. A farra incluía casas noturnas, karaokês, campos de golfe, postos de combustível, salões de beleza e locais de entretenimento e não se limitava aos alegados subornos.
Apenas com os árbitros, os gastos totalizam quase seis milhões de wones – o equivalente a R$ 10 mil – no intervalo de um ano, de acordo com a Rádio Seoul.
Diferentes veículos da imprensa sul-coreana mencionam sete partidas atreladas ao escândalo. Os anfitriões não perderam em nenhuma delas. Venceram ou empataram. No entanto, o número de jogos realizados no país entre 2011 e 2012 é maior. Um desses exemplos foi contra o Líbano no dia 2 de setembro de 2011. O resultado foi de 6 a 0 para o time da casa.
O contraste fica mais evidente quando se compara com o placar de 2 a 1 em favor dos libaneses durante a partida ocorrida na capital Beirute contra os coreanos, no dia 15 de novembro de 2011, também nas eliminatórias para o Mundial de 2014.
Pelo menos dois jogos das eliminatórias para as Olimpíadas de 2012 foram realizados na nação oriental:
* 21 de setembro de 2011: Coreia do Sul 2 x 0 Omã.
* 14 de março de 2012: Coreia do Sul 0 x 0 Catar.
Ao menos uma partida classificatória para o Mundial de 2014 aconteceu em território coreano:
* 29 de fevereiro de 2012: Coreia do Sul 2 x 0 Kuwait.
Também ocorreram os seguintes amistosos:
* 25 de março de 2011: Coreia do Sul 4 x 0 Honduras.
* 27 de março de 2011: Coreia do Sul 1 x 0 China.
* 3 de junho de 2011: Coreia do Sul 2 x 1 Sérvia.
* 7 de outubro de 2011: Coreia do Sul 2 x 2 Polônia.
Em 22 de setembro de 2011, dia seguinte à partida entre a Coreia do Sul e Omã, por exemplo, um cartão de crédito corporativo da KFA registrou um débito de 760 mil wones – cerca de R$ 1,2 mil na cotação da época – numa casa de massagem.
Em 29 de fevereiro de 2012, data da partida entre a Coreia do Sul e o Kuwait, outra despesa foi registrada com cartão de crédito. Desta vez, no valor de 500 mil wones – cerca de R$ 760 na cotação da época – em outra casa de massagem, de acordo com a agência de notícias Newsis.
Pelo menos 10 árbitros teriam se favorecido com esses mimos. Eles seriam de países como Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Irã, Japão e Uzbequistão, segundo o portal Hani Daily.
Para além da prática ilegal, anticompetitiva e desonesta, chama atenção o fato de alguns desses árbitros serem oriundos de nações em que a prostituição é considerada um delito grave por questões religiosas e/ou morais.
Repercussão interna
A federação futebolística sul-coreana divulgou nota, nesse sábado (8), para se desculpar pelas polêmicas. Disse que, ‘atualmente, esse tipo de conduta inadequada ou uso dos cartões não está ocorrendo’. Acrescentou que a entidade se compromete a ‘levar a sério’ as críticas recebidas, promovendo uma reformulação interna ‘acompanhada de profunda reflexão’.
“Pedimos sinceras desculpas por termos causado preocupação em relação a vários assuntos relacionados à Associação, desde a audiência na Assembleia Nacional e a operação de busca e apreensão sem precedentes até as reportagens sobre acontecimentos de mais de uma década, dos quais até mesmo muitos membros internos não tinham conhecimento.
No entanto, a Associação afirma claramente que tal conduta inadequada ou uso indevido de cartões não está ocorrendo atualmente. Além disso, esperamos sinceramente que as valiosas conquistas e esforços dos jogadores da nossa seleção nacional, que representaram o futebol sul-coreano vestindo a camisa Taegeuk, não sejam mal interpretados ou tenham sua importância diminuída por este incidente”, expressou a entidade.
A recente incursão policial na KFA sucedeu em meio à crise provocada pelo fracasso da seleção na Copa do Mundo de 2026, que aconteceu simultaneamente no México, nos Estados Unidos e no Canadá. A operação visa apurar suposto delito de gestão fraudulenta e como ocorreu a contratação do ex-técnico Hong Myung-bo em 2024.
O time asiático foi eliminado ainda na primeira fase do Mundial de 2026 e alvo de críticas por parte do presidente Lee Jae-myung. O então treinador se demitiu depois disso.
Tanto o ex-técnico quanto o ex-presidente da KFA Chung Mong-gyu – que dirigia a federação na época dos alegados subornos sexuais – foram convocados a comparecer a uma audiência na Assembleia Nacional da Coreia do Sul, no último dia 30 de julho, para prestarem esclarecimentos sobre eventuais irregularidades e acerca da eliminação precoce.

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