Quinta-feira, 21 de maio de 2026
Informação atualizada em 21/05/2026, às 9h47
A população criticou a nota dada pelos jurados, escolhidos pela emissora, a artistas de alguns países
Imagem: Eurovisión - YouTube - Print screen / Qualidade da foto melhorada por inteligência artificial
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| A romena Alexandra Căpitănescu ficou em 3º lugar com a música ‘Choke Me’ |
A edição 2026 do festival de canções Eurovisión se encerrou no último sábado (16/5), mas as polêmicas continuam. O diretor-geral da Teleradio Moldova (TRM), Vlad Turcano, na Moldávia, renunciou ao cargo, na segunda-feira (18), devido à enxurrada de críticas que a emissora recebeu nas redes sociais, por conta da votação do júri moldavo para artistas da Romênia, Ucrânia, Polônia e Israel.
A população criticou a votação dos jurados locais, os quais foram selecionados pela televisora. Enquanto os telespectadores, por meio do sistema de televoto, deram 12 pontos – a pontuação máxima – para a Romênia, os avaliadores concederam apenas três pontos. Além disso, não deram nenhum ponto para a Ucrânia, país vizinho.
As notas do público são levadas em consideração na etapa final do referido concurso musical, cuja edição aconteceu entre os dias 12 e 16 de maio, em Viena, na Áustria.
Os julgadores moldavos ainda concederam 12 pontos para a Polônia e 10 para Israel, que encerrou o festival em segundo lugar. A Romênia ficou em terceiro, com a música ‘Choke Me’, da cantora Alexandra Căpitănescu (foto).
Enquanto os jurados moldavos buscaram ser, aparentemente, técnicos em suas avaliações, os telespectadores deram notas movidos por uma paixão. Moldávia e Romênia possuem fortes laços culturais e linguísticos.
O júri moldavo não recebeu nenhum tipo de orientação por parte da TRM sobre as notas. O episódio coloca em xeque como os avaliadores, de modo geral, analisam os artistas, tendo em vista que não podem votar nos de seus próprios países.
Ao longo do século XX e antes de conquistar a independência em 1991, o território da Moldávia integrou diferentes Estados: o antigo Império Russo, depois a Grande Romênia e, por fim, a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Edição polêmica
A edição 2026 do Eurovisión foi, por si só, bastante polêmica antes, durante e depois. Canais de TV de cinco países – Eslovênia, Espanha, Holanda, Irlanda e Islândia – boicotaram o festival em rejeição à participação de Israel. O protesto conjunto se deve ao genocídio de mais de 70 mil civis palestinos na Faixa de Gaza em meio à guerra contra o grupo Hamas.
As emissoras em questão não enviaram competidores nem transmitiram o concurso. A RTV Slovenija, da Eslovênia, por exemplo, substituiu a programação por documentários sobre a Palestina.
Já a espanhola RTVE transmitiu o tradicional Benidorm Fest. O evento é uma prévia para selecionar qual artista representará o país no certame internacional. No sábado (16), no dia da grande final, a televisora publicou uma mensagem, em espanhol e inglês, a seus espectadores num fundo preto e letras brancas.
“O festival Eurovisión é um concurso, mas os direitos humanos não são. Não há lugar para a indiferença. Paz e Justiça para a Palestina”, expressou a RTVE em comunicado.
As críticas à atuação do governo israelense não se limitam aos canais de TV. Na quarta-feira (13), ao menos quatro espectadores foram retirados (vídeo) por seguranças da arena Wiener Stadthalle, palco do festival, durante a apresentação do cantor israelense Bettam. Elas gritavam ‘pare o genocídio’ e ‘Palestina livre!’
Vídeo: Jasper Van Biesen - Twitter - Reprodução
Momento em que os seguranças do festival retiraram espectadores que gritaram durante show de artista israelense
Ainda não está claro se as cinco emissoras retornarão ao festival em 2027, mas essa última edição deixou em evidência que questões geopolíticas e/ou ideológicas podem se sobrepor à música e à união entre as nações. E isso inclui os telespectadores moldavos, por exemplo, ao atribuírem notas por critérios subjetivos e passionais, deixando de lado aspectos técnicos como qualidade vocal, letra, melodia, apresentação, entre outros.

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