Terça-feira, 12 de maio de 2026
O prefeito reeleito em 2024 e o novo vice-prefeito tiveram os diplomas cassados pela Justiça Eleitoral
Imagem: Antonio Augusto - TSE / Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
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| Imagem ilustrativa de uma urna eletrônica |
Mais eleitores do que cidadãos
O município de Brejo Alegre, no interior de São Paulo, terá eleição suplementar para prefeito e vice-prefeito no próximo domingo (17/5). O novo pleito ocorrerá das 8h às 17h e se deve à cassação dos diplomas do prefeito Rafael Alves dos Santos (PSD-SP), popularmente conhecido como Rafael do Vava, e do vice-prefeito Wilson Marques Leopoldo (MDB-SP), o Wilson do Demi.
O município ocupa uma área de 105,689 quilômetros quadrados e tinha 2.565 habitantes, conforme Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para a votação do próximo domingo, são esperados cerca de 2,9 mil eleitores nas nove seções distribuídas em dois pontos de Brejo Alegre. Note-se que o quantitativo de votantes é maior do que o de cidadãos, o que aponta explicitamente uma contradição.
Três instâncias, uma mesma decisão
Em junho de 2025, o prefeito e seu vice tiveram os diplomas revogados pelo juiz eleitoral Lucas Gajardoni Fernandes, da 25ª Zona Eleitoral de Birigui, por abuso de poder político e econômico, com a transferência indevida de eleitores ‘em troca de vantagens e favores prestados com o uso da máquina pública’. Ambos foram condenados à inelegibilidade por oito anos a partir das eleições municipais de 2024.
A decisão do juízo de primeira instância atendeu a uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) protocolizada pelo Ministério Público Eleitoral em São Paulo ainda em 2024.
Rafael do Vava (PSD-SP) e Wilson do Demi (MDB-SP) recorreram à segunda instância. Em novembro passado, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) votou, por unanimidade, para manter a cassação dos diplomas da dupla. No entanto, os magistrados reformaram parcialmente a sentença do juízo anterior, ao decidir que apenas o prefeito deveria ficar inelegível, por entender que ele era o principal beneficiário do esquema.
“Acrescente-se que a eleição de 2020 foi vencida por uma margem muito pequena de votos, o que serviu para uma forte motivação para a articulação do esquema, a fim de garantir a reeleição com uma margem mais segura”, comentou o juiz Rogério Cury, relator do processo no TRE-SP.
Em 2020, Rafael do Vava (PSD-SP) se elegeu com 1.043 votos, por uma diferença de apenas 17 em relação a sua única concorrente, com outro colega de chapa. Em 2024, foi reeleito com 1.509 votos, 405 a mais que a segunda colocada.
O caso foi parar na terceira instância, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em março de 2026, o ministro-relator Antonio Carlos Ferreira indeferiu o pedido dos réus e manteve as decisões das cortes anteriores quanto à anulação dos diplomas e à inelegibilidade somente de Rafael do Vava (PSD-SP).
Novo cenário político
Com a manutenção dos direitos políticos, Wilson do Demi (MDB-SP) passou a ser o titular da nova chapa, tendo como candidato a vice Washington dos Santos, o Washington da Saúde (PSD-SP).
A candidata Maysa Rodrigues da Silva (PSDB-SP) – derrotada nos dois últimos pleitos por Rafael do Vava (PSD-SP) – encabeça a outra chapa ao lado de Adriano Bonilha (União Brasil-SP).

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