Domingo, 15 de fevereiro de 2026
O acusado tentou arrancar o véu islâmico do rosto das vítimas e, supostamente, faz uso de medicamento controlado para ansiedade
Imagem: Divulgação / Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
![]() |
| Câmera de uma loja registra o momento do ataque |
Duas muçulmanas – uma síria, outra libanesa – foram vítimas de intolerância religiosa, ao serem agredidas com socos por um homem no Cataratas JL Shopping, em Foz do Iguaçu, no Paraná, na última quinta-feira (12/2). Aos gritos de ‘volta para o seu país’, o acusado, preso em flagrante, tentou tirar à força o hijab, o véu islâmico que cobria o rosto das vítimas.
O agressor foi identificado como Augusto César Vieira, de 33 anos, e já teria histórico de invasões a mesquitas em Foz de Iguaçu e de perturbar cerimônia religiosa, segundo o portal H2FOZ.
O acusado foi contido por populares dentro do shopping, preso por guardas civis municipais e levado para a 6ª Subdivisão da Polícia Civil de Foz do Iguaçu (6ªSDP-Foz de Iguaçu). O caso foi registrado como lesão corporal e racismo.
Repercussão
Em nota nas redes sociais, o Cataratas JL Shopping disse que se tratou de um ‘episódio isolado dentro de uma de nossas lojas’ e que os seguranças foram acionados e que teriam chegado ‘rapidamente’ ao local.
“(...) Esperamos que a punição seja devidamente aplicada ao agressor, e nos solidarizamos profundamente com as nossas clientes envolvidas e com todas as mulheres”, finalizou o estabelecimento.
O ataque às duas mulheres foi criticado pela Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), que classificou o episódio como ‘intolerância religiosa e de gênero’.
“O episódio não atinge apenas as vítimas diretamente envolvidas. Ele fere princípios fundamentais da Constituição Federal brasileira e valores essenciais da convivência democrática”, manifestou a entidade islâmica em trecho de nota.
“Mulheres muçulmanas que utilizam o hijab exercem um direito legítimo garantido pela legislação brasileira. Quando esse direito é atacado, não se trata apenas de uma agressão individual, mas de uma manifestação de islamofobia que precisa ser enfrentada com firmeza pela sociedade e pelas autoridades competentes”, completou.
A Diocese de Foz do Iguaçu também se posicionou sobre o episódio e frisou que ‘como membros das comunidades religiosas, devemos rejeitar todo ato de intolerância religiosa às comunidades e às pessoas’.
Os ataques foram testemunhados pela vice-presidenta da subseção Foz do Iguaçu da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-RJ), Lissandra Aguirre, que prestou atendimento às vítimas. A instituição repudiou as agressões contra as duas muçulmanas, ao afirmar que se trata de ‘grave violação de direitos humanos, configurando violação à integridade física, à dignidade da pessoa humana e à liberdade religiosa’.
“Além da dimensão religiosa, o episódio também expõe a persistência da violência contra as mulheres em nosso país”, destacou a OAB-PR.
A Câmara Municipal de Foz do Iguaçu, por meio da Procuradoria da Mulher, também lamentou o episódio e se solidarizou com as vítimas. Disse que a violência contra a mulher, por motivo de intolerância religiosa, ‘atenta contra princípios da dignidade humana, da liberdade de crença e do respeito à diversidade cultural e religiosa’.
Conforme publicado pelo jornal paranaense GDia, com base em depoimento da mãe do agressor, o filho seria autista e faz uso de medicamentos controlados para depressão e ansiedade. Durante o ataque no shopping, ele teria sido vítima de suposto deboche e já tentou frequentar algumas mesquitas locais, porém foi impedido devido a sua condição psiquiátrica.
Delitos de intolerância religiosa equivalem ao de racismo, segundo a legislação brasileira. O réu teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR).

Postar um comentário
Sua opinião será publicada, logo que aprovada, conforme Política de Uso do site.
O OPINÓLOGO agradece o seu comentário.