Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Estudo aponta que em dias de operações policiais no Complexo da Maré, houve redução diária de 90% na imunização em comparação com outros dias sem incursões
Imagem: Maré não Vive - Redes Sociais / Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
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| Policiais militares fazem operação no Complexo da Maré, em 16 de fevereiro de 2024 |
O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, abriu um inquérito para apurar os impactos da violência armada sobre o direito à saúde e à vacinação de crianças de zero a 6 anos que vivem em favelas do Rio de Janeiro. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (19/1) e se baseia num estudo desenvolvido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em parceria com a ONG Redes da Maré, localizada no Complexo da Maré, na Zona Norte da capital fluminense.
De acordo com o supracitado relatório intitulado ‘A Primeira Infância na Maré: impactos da violência armada na saúde e na imunização de crianças de até 6 anos de vida’, no ano de 2024 ocorreram 42 operações policiais na região. Isso impactou em 43 dias diretamente na rotina dos moradores.
Ainda segundo a pesquisa, nos dias de incursões policiais – que culminaram em fechamento total das clínicas da família do território –, a média de doses de imunizantes aplicados foi de apenas 20 contra 187,3 doses em dias sem operações. Em dias de operativos contra facções criminosas, houve redução diária de 90% de vacinação.
“(...) a ocorrência de operações policiais impacta diretamente a cobertura vacinal local, interrompendo o acesso à imunização e ampliando o risco de vulnerabilidade sanitária na comunidade”, destacaram o Unicef e a Redes da Maré em trecho da publicação.
O documento, de 60 páginas, também sinaliza que, mesmo quando os postos de saúde funcionam de maneira parcial, que há queda significativa na imunização de crianças, devido à dificuldade de deslocamento e do clima de insegurança. Para bom entendedor, está evidente o medo de sair de casa por medo de bala perdida ou de recomeçar o confronto entre policiais e narcotraficantes.
O inquérito aberto pelo MPF, a cargo do procurador adjunto regional dos Direitos do Cidadão Júlio Araújo, também está levando em conta outras pesquisas da Redes da Maré sobre os efeitos da criminalidade na saúde física, mental e psicológica da população local.
O órgão fiscalizador requereu posicionamento por parte do Ministério da Saúde para avaliar a implementação de medidas para compensar essa queda na vacinação em regiões violentas do estado.
O estudo tem entre seus pilares o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (ODS 3), da Organização das Nações Unidas (ONU), que trata de garantia à saúde e bem-estar para todas as idades, cuja meta deve ser concluída até o ano de 2030.
O Complexo da Maré é formado por 15 comunidades, com quase 125 mil habitantes, conforme Censo 2022. É um dos maiores conjuntos de favelas do Brasil e o terceiro bairro mais populoso da Zona Norte do Rio.

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