Enamed: nenhum curso de Medicina do RJ obteve nota máxima

Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Ao todo, foram avaliados 350 cursos de Medicina no Brasil; quase um terço teve a pior avaliação e será supervisionado pelo MEC

Imagem: Pressfoto - Freepik - Uso gratuito - Foto ilustrativa
Que tipo de médico você quer que atenda o seu filho?

Rio de Janeiro


Nenhum dos 22 cursos de Medicina de instituições de ensino superior (IES) situadas no estado do Rio de Janeiro alcançou a nota máxima no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), de 2025, do Ministério da Educação (MEC). As notas variam de 1 a 5, sendo 1 e 2 consideradas insatisfatórias; 3, regular – o mínimo aceitável –; 4, boa; e 5, ótima. Os dados foram divulgados pelo ministro Camilo Santana, durante um café com jornalistas, nesta segunda-feira (19/1). 

Desses 22 cursos analisados, 10 obtiveram notas 1 e 2 e sofrerão sanções por parte do MEC.

As instituições cuja graduação teve a pior avaliação serão proibidas de abrir novas matrículas no segundo semestre de 2026, além da redução de vagas, serão monitoradas pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) e também excluídas de programas federais como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), Programa Universidade para Todos (Prouni), entre outros.

Já as IES com nota 2 terão uma redução menor de vagas e não poderão aumentar o quantitativo de matrículas por ora.

Veja as notas dos cursos de Medicina de IES fluminenses:

  • Insatisfatórios


* Universidade Estácio de Sá (Unesa) – Campus Angra dos Reis: nota 1.

* Universidade Iguaçu (Unig) – Campus Nova Iguaçu: nota 2.

* Afya Universidade do Grande Rio (Unigranrio) – Campus Duque de Caxias: nota 2.

* Centro Universitário Famesc (UniFamesc) – Campus Bom Jesus de Itabapoana: nota 2.

* Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso) – Campus Teresópolis: nota 2.

* Afya Centro Universitário de Itaperuna (Afya Itaperuna) – Campus Itaperuna: nota 2.

* Universidade Iguaçu (Unig) – Campus Itaperuna: nota 2.

* Centro Universitário de Volta Redonda (Unifoa) – Campus Volta Redonda: nota 2.

* Afya Universidade do Grande Rio (Unigranrio) – Campus Rio de Janeiro: nota 2.

* Faculdade de Medicina de Campos (FMC) – Campus Campos dos Goytacazes: nota 2.

  • Regulares


* Universidade Estácio de Sá (Unesa) – Campus Rio de Janeiro: nota 3. (curso 1)

* Centro Universitário de Valença (UNIFAA) – Campus Valença: nota 3.

* Universidade Estácio de Sá (Unesa) – Campus Rio de Janeiro: nota 3. (curso 2)

* Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP) – Campus Petrópolis: nota 3.

* Universidade de Vassouras (Univassouras) – Campus Vassouras: nota 3.

* Faculdade de Ciências Médicas de Três Rios (FCM/TR) – Campus Três Rios: nota 3.

  • Bom


* Universidade Federal Fluminense (UFF) – Campus Niterói: nota 4.

* Faculdade Souza Marques (FSM) – Campus Rio de Janeiro: nota 4.

* Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – Campus Macaé: nota 4.

* Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) – Campus Rio de Janeiro: nota 4.

* Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – Campus Rio de Janeiro: nota 4.

* Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) – Campus Rio de Janeiro: nota 4.

Das seis IES que obtiveram a segunda melhor nota, apenas uma é particular. As demais cinco são públicas, sendo uma estadual e as demais, federais.

Brasil


Ao todo, foram avaliados 350 cursos de Medicina de faculdades, centros universitários e universidades públicas e privadas espalhadas pelo Brasil. Desse quantitativo, 107 – quase um terço – registraram péssimo desempenho, tendo alcançado notas 1 e 2, e também serão sancionadas pelo MEC.

Desses 350 cursos, 80 lograram nota 3; 114, nota 4; e 49 conquistaram 5, conforme dados do Ministério da Educação (MEC).

O Enamed apresenta uma espécie de raio-x dos futuros médicos brasileiros e a qualidade de ensino das instituições públicas e particulares.

“Há uma grande preocupação nos ministérios da Educação e da Saúde em assegurar que os cursos oferecidos aos alunos brasileiros possam garantir a qualidade da formação médica nesse país, até porque são profissionais que cuidam da vida das pessoas”, comentou o ministro da Educação, Camilo Santana, em coletiva de imprensa.

No último dia 15 de janeiro, por exemplo, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) tentou barrar na Justiça a divulgação dos resultados, mas teve o pedido de liminar negado. A entidade havia alegado supostas falta de transparência nos critérios do referido exame e riscos aos alunos e às IES, algo que, certamente, poderá provocar impactos econômicos a essas instituições de ensino mal avaliadas.

O movimento da Anup vai na contramão do interesse público. Independentemente das consequências financeiras, o estudante tem o direito de saber a qualidade do ensino do estabelecimento onde está se graduando e ter o diploma valorizado pelo mercado de trabalho. O curso de Medicina é um grande investimento em tempo e também em dinheiro, estando entre os mais caros do país. Além disso, a educação não pode ser tratada como mercadoria.

Algumas associações ligadas às mantenedoras de ensino criticaram o Enamed, e há possibilidade de contestação dos resultados pela via judicial.

Post a Comment

Sua opinião será publicada, logo que aprovada, conforme Política de Uso do site.

O OPINÓLOGO agradece o seu comentário.