Cachoeiras de Macacu: criminosos obrigam provedores de internet a suspender instalações e reparos

Domingo, 18 de janeiro de 2026

Um veículo da empresa AMO Internet foi incendiado há duas semanas em Papucaia

Imagens: Redes Sociais - Divulgação / Qualidade das fotos melhoradas com inteligência artificial - Arte: Opinólogo
Segundo a empresa, nenhum funcionário ficou ferido no ataque

Operadoras impedidas de atuar


Provedores de internet de Cachoeiras de Macacu, no Leste Fluminense, foram obrigados a suspender novas instalações e eventuais reparos aos clientes por motivo inusitado para a população local: a delinquência. A decisão foi tomada após criminosos terem incendiado o carro (foto) da empresa AMO Internet no distrito de Papucaia, no último dia 6 de janeiro.

O ataque configura um declarado gesto de intimidação contra as prestadoras de serviços e também contra os consumidores e repercutiu negativamente no município. Além disso, bandidos estariam impedindo os trabalhos da empresa no intuito de forçar a contratação dos serviços diretamente das mãos deles.

“(...) Um ataque criminoso a um veículo da AMO Internet no Centro de Papucaia impediu a continuidade dos trabalhos técnicos. Como medida de segurança, todas as manutenções e instalações na região foram temporariamente suspensas”, publicou a empresa nas redes sociais, no último dia 6 deste mês.

“Os colaboradores passam bem e não houve feridos. A empresa já acionou o setor jurídico e as autoridades competentes para apuração dos fatos e retomará os serviços assim que houver condições seguras”, continuou a concessionária.

Outra firma, a NetHub, precisou paralisar as manutenções aos clientes em parte do bairro Guararapes, no distrito de Papucaia, por conta da violência. “No momento, nossas equipes estão impedidas de acessar a região, o que impossibilita a realização de manutenções e reparos”, escreveu, num trecho de nota nas redes sociais.

A Telecom Conectividade também teve de suspender os serviços pelo mesmo motivo: “Em virtude das circunstâncias que envolvem a segurança operacional, o fornecimento de internet da Telecom Conectividade está temporariamente suspenso em determinados trechos do bairro Papucaia I”, informou.

Para uma moradora de Cachoeiras de Macacu, que pediu para não ter o nome revelado, faltam políticas públicas concretas no enfrentamento à onda de violência e de criminalidade na região.

“Aqui em Cachoeiras, não tem nada! Você olha para Magé, Guapimirim e outros municípios, as prefeituras têm parceiras com a polícia, tem o Segurança Presente, tem o Proeis (Programa Estadual de Integração na Segurança), mas o nosso prefeito [Rafael Miranda] não está preocupado com isso!”, criticou a moradora.

Desde o incêndio criminoso do veículo, policiais militares do 35º Batalhão de Polícia Militar (35º BPM) têm realizado incursões para apurar os delitos cometidos contra provedores de internet. Não há informações de suspeitos detidos até o momento.

No último dia 9 de janeiro, o comandante do 35º BPM, tenente-coronel Júlio César, se manifestou por vídeo nas redes sociais, para ‘tranquilizar toda a população de Cachoeiras’ e destacou o policiamento ostensivo para combater a criminalidade.

“(...) Estamos aqui para fazer um pronunciamento e para tranquilizar toda a população de Cachoeiras [de Macacu]; (...) gostaríamos de informar que estamos nos fazendo presentes desde o dia dos fatos e até antes mesmo. Estamos reforçando o policiamento na região. Desde terça-feira estamos locando mais de 10 viaturas com mais de 20 policiais militares diariamente, de manhã, à tarde e à noite, reforçando o policiamento em toda a cidade (...)”, informou.

“Nos estamos trabalhando para identificar esses criminosos e levá-los à Justiça”, garantiu o policial militar.

O tenente-coronel Júlio César também disse que está em constante contato com o delegado titular da 159ª DP (Cachoeiras de Macacu), Ivailson Sardinha, e com o prefeito Rafael Miranda (Agir-RJ), entre outras autoridades de segurança pública, acerca do tema.

Apenas por uma questão de transparência aos leitores, Opinólogo não tentou contato com a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu para que se posicionasse sobre a crítica dessa cidadã, mas deixa o espaço aberto.

A mesma realidade em outras partes do Brasil


A pacata cidade de Cachoeiras de Macacu está enfrentando a triste e cruel realidade de milhões de moradores de favelas espalhadas pelo Brasil. Narcotraficantes e milicianos detêm o monopólio dos serviços de banda larga e de TV a cabo – popularmente chamada de ‘gatonet’ –, ademais a venda de produtos como água mineral, gás de cozinha, entre outros.

No último dia 6 de janeiro, por exemplo, narcotraficantes atearam fogo em caixas de internet fixadas em postes no distrito de Pecém, no município de São Gonçalo do Amarante, no Ceará.

Em março de 2025, traficantes da facção carioca Comando Vermelho incendiaram o imóvel da operadora Giga+, no bairro Soledade, no município cearense de Caucaia. Ao menos dois criminosos foram denunciados, entre eles um que usava tornozeleira eletrônica e bloqueou o sinal do equipamento durante o ataque, de acordo com o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).

Também em março do ano passado, narcotraficantes que atuam no Estácio e em Olaria, ambos bairros situados na cidade do Rio de Janeiro, cortaram cabos de internet e impediram técnicos da operadora Claro de fazerem os reparos.

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